O Ministério Público do Trabalho (MPT) investiga uma academia de Piracicaba (SP) por suspeita de ameaçar demitir estagiários em razão de divergências políticas. O caso faz parte de três denúncias de possível assédio eleitoral registradas no município durante o período do segundo turno das eleições de 2026.
Além da academia, o órgão apura situações envolvendo uma grande empresa de logística e um estacionamento. Os nomes das empresas não foram divulgados, já que as investigações estão em fase inicial.
De acordo com as informações do MPT, a denúncia contra a academia envolve suspeitas de ameaças de demissão direcionadas a estagiários por questões relacionadas a posicionamentos políticos. Os relatos foram registrados durante o período eleitoral e estão sendo apurados pelo órgão.
No caso da empresa de logística, a denúncia aponta que trabalhadores que saíram para votar no domingo (25) poderiam ter horas descontadas do banco de horas. Já no estacionamento, funcionários teriam sido constrangidos por meio de comentários depreciativos relacionados às posições políticas deles.
As denúncias serão analisadas pelo Ministério Público do Trabalho, responsável por investigar possíveis violações aos direitos dos trabalhadores e práticas que possam comprometer a liberdade de escolha política no ambiente profissional.
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O que caracteriza o assédio eleitoral?

O assédio eleitoral ocorre quando trabalhadores são pressionados, constrangidos ou ameaçados em razão de suas convicções políticas ou escolhas eleitorais. A prática pode envolver ameaças de demissão, retaliações profissionais, impedimentos relacionados ao exercício do voto e outras formas de coação.
Segundo o Ministério Público do Trabalho, ameaças de dispensa, demissões, recusa de contratação e outras medidas motivadas pelo voto ou pelo posicionamento político dos trabalhadores podem configurar assédio eleitoral e ser objeto de investigação.
A legislação brasileira protege a liberdade de consciência e de voto. Por isso, empregadores não podem utilizar a relação de trabalho para constranger funcionários a apoiar candidatos ou retaliá-los por suas escolhas políticas.
O órgão também chama a atenção para situações que ocorrem depois do encerramento das eleições. Mesmo após a votação, trabalhadores podem ser alvo de ameaças ou constrangimentos relacionados ao candidato em quem votaram ou às manifestações políticas feitas durante o período eleitoral.
Denúncias aumentaram após o segundo turno
O número de denúncias de possível assédio eleitoral aumentou após a votação do segundo turno, realizado no domingo (25). Dados do Ministério Público do Trabalho da 15ª Região, responsável por 599 municípios do interior paulista, mostram um crescimento expressivo das notificações nos dias seguintes à eleição.
Entre as 23h59 de domingo e as 9h30 de quarta-feira (28), foram registradas 80 denúncias. O volume correspondia a aproximadamente 37% das 216 denúncias recebidas pela regional ao longo de 2026. Ainda na quarta-feira, às 16h, o total de denúncias registradas após o segundo turno chegou a 142 casos.
Segundo o MPT, os números chamam a atenção para a continuidade de possíveis práticas de assédio eleitoral mesmo depois do encerramento da votação. Entre os fatores apontados pelo órgão estão publicações nas redes sociais que incentivam empresários a demitir trabalhadores que votaram em determinado candidato.
O aumento das notificações após a eleição indica que as situações denunciadas não se restringem ao período de campanha ou ao dia da votação. As possíveis retaliações no ambiente de trabalho também estão entre os pontos que podem ser apurados pelas autoridades.
Os dados divulgados se referem à atuação da regional do MPT que abrange o interior de São Paulo e não representam exclusivamente o número de ocorrências em Piracicaba.
Como denunciar assédio eleitoral?
Trabalhadores que sofreram ou presenciaram situações de possível assédio eleitoral podem registrar denúncias de forma remota e sigilosa pelos canais oficiais do Ministério Público do Trabalho, tanto na página regional quanto na nacional.
Para colaborar com as apurações, o órgão recomenda que as vítimas preservem provas relacionadas aos episódios denunciados. Entre os materiais que podem ajudar nas investigações estão capturas de tela de mensagens, publicações em redes sociais, áudios, gravações de tela e informações sobre possíveis testemunhas.
A documentação dos fatos pode contribuir para a análise das denúncias e para a identificação de eventuais responsabilidades.
As denúncias contra a academia, a empresa de logística e o estacionamento de Piracicaba seguem sob investigação. Como os casos estão em fase inicial, as suspeitas ainda precisam ser apuradas pelo Ministério Público do Trabalho.