O senador Flávio Bolsonaro (PL) alterou uma carta divulgada nesta quarta-feira (28), após chegar aos Estados Unidos. Na primeira versão do documento, ele se apresentava como “verdadeiro presidente do Brasil” e “presidente eleito”, contestando a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na publicação seguinte, substituiu essas expressões por “líder do Brasil” e “líder”. Apesar da mudança, manteve as acusações contra o processo eleitoral, sem apresentar provas que sustentem as alegações de fraude.
No texto, Flávio critica a atuação do Judiciário, alega perseguição política contra sua família e classifica a situação do país como um “regime de exceção”. O senador também agradece ao presidente argentino, Javier Milei, e ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ao negar que sua saída do Brasil represente uma fuga, ele compara sua ida ao exterior a episódios históricos de exílio político e afirma que pretende continuar atuando na política brasileira a partir dos Estados Unidos.
A declaração do parlamentar contrasta com o posicionamento do Partido Liberal, que reconheceu o resultado proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em nota assinada pelo presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto, o partido confirmou o reconhecimento da vitória de Lula, embora tenha defendido que os questionamentos apresentados fossem esclarecidos. A manifestação evidencia a diferença entre a posição oficial da legenda e a contestação feita por Flávio, que não reconheceu a derrota.
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TSE confirma vitória de Lula e Flávio questiona votação
O Tribunal Superior Eleitoral confirmou a vitória de Lula no segundo turno das eleições presidenciais de 2026. O presidente recebeu 51,79% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro obteve 48,21%, uma diferença de aproximadamente 4,4 milhões de votos. A Corte também informou que o processo eleitoral transcorreu em segurança. Até o momento, as acusações apresentadas pelo senador não foram acompanhadas de provas que demonstrem fraude capaz de comprometer o resultado.
Entre os pontos contestados por Flávio está a decisão que ampliou em duas horas o período de votação, diante de problemas no transporte público e de condições climáticas. O senador classificou a atuação do ministro Cristiano Zanin como “ilegítima e ilegal” e alegou que a medida teria permitido uma vantagem indevida ao adversário. A prorrogação, no entanto, ocorreu após pedidos relacionados às dificuldades enfrentadas pelos eleitores, inclusive da própria campanha de Flávio.
Antes de divulgar a carta, o senador já havia anunciado a intenção de pedir a cassação da chapa formada por Lula e Geraldo Alckmin, alegando supostos abusos durante o processo eleitoral. Flávio também afirmou que pretende liderar a oposição a partir dos Estados Unidos. A substituição de “presidente eleito” por “líder” alterou a forma como ele se apresentou no documento, mas não representou um reconhecimento explícito da derrota. O resultado oficial permanece confirmado pelo TSE e foi reconhecido pelo PL.