A Polícia Federal (PF) solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a apreensão dos passaportes do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sete minutos após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmar o resultado do segundo turno das eleições presidenciais, no domingo (25). A representação policial foi assinada digitalmente às 21h16, enquanto a confirmação matemática do resultado ocorreu às 21h09.
As informações foram divulgadas pelo Poder360, com base em informações sobre a investigação. O pedido foi encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, que autorizou a medida ainda naquela noite. A determinação também proibiu o senador de deixar o Brasil.
A ordem foi cumprida na manhã de segunda-feira (26), quando Flávio visitava o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em Brasília. Segundo informações publicadas pela Agência Brasil, o senador não entregou os documentos no prazo determinado, e a Polícia Federal cancelou seus passaportes brasileiros.
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Por que a PF pediu a apreensão
De acordo com informações divulgadas pela imprensa, a Polícia Federal apresentou elementos relacionados às conexões financeiras do senador e a declarações feitas durante a campanha eleitoral.
Um dos pontos citados foi o vínculo de Flávio com uma conta da Alcazar Holding, empresa associada ao advogado Willer Tomaz e mantida em Portugal. Segundo a investigação, o senador figurou como “usuário master” da conta até maio de 2025.
Outro elemento considerado foi uma declaração do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, feita em 23 de outubro, durante uma entrevista a um podcast norte-americano. Na ocasião, Eduardo afirmou ser favorável a que o irmão deixasse o Brasil caso perdesse a eleição presidencial.
A PF também levou em consideração a permanência de Willer Tomaz nos Estados Unidos e as investigações que envolvem o advogado. Esses elementos foram apresentados no contexto da avaliação de um possível risco de saída do senador do país.
Flávio contestou a decisão

Após a determinação judicial, Flávio Bolsonaro criticou a apreensão dos documentos e questionou os fundamentos utilizados para justificar a medida. O senador afirmou que nunca havia declarado intenção de deixar o Brasil e contestou o uso da fala do irmão como argumento para a decisão.
Integrantes do PL também questionaram o momento em que o pedido foi apresentado, destacando a proximidade entre a confirmação do resultado eleitoral e a solicitação da Polícia Federal.
A decisão judicial foi tomada no âmbito de investigações que apuram suspeitas de irregularidades financeiras e possível lavagem de dinheiro. As apurações continuam em andamento, e a existência de vínculos empresariais ou financeiros, por si só, não comprova a prática de crimes.