FRAUDE NAS CONTAS

Golpe da conta de luz falsa causa prejuízo milionário

Por Alyson Rodrigues |
| Tempo de leitura: 3 min
Imagem gerada por IA
O pagamento de uma conta de água ou energia elétrica pode se transformar em prejuízo quando o consumidor acessa uma página falsa para emitir a cobrança.
O pagamento de uma conta de água ou energia elétrica pode se transformar em prejuízo quando o consumidor acessa uma página falsa para emitir a cobrança.

O pagamento de uma conta de água ou energia elétrica pode se transformar em prejuízo quando o consumidor acessa uma página falsa para emitir a cobrança. Com aparência semelhante à dos canais oficiais, os sites fraudulentos induzem as vítimas a pagar boletos ou fazer transferências via Pix acreditando que estão quitando uma dívida legítima.

Um esquema desse tipo foi alvo de uma operação policial em julho de 2026. Segundo informações divulgadas durante a investigação, a fraude provocou um prejuízo estimado em R$ 22 milhões e atingiu centenas de consumidores. O grupo investigado teria criado páginas falsas que imitavam os sites de concessionárias de água e energia, direcionando os pagamentos para contas controladas pelos envolvidos.

A apuração apontou que as páginas fraudulentas eram divulgadas para aparecer entre os primeiros resultados das buscas na internet. Dessa maneira, quem procurava o site de uma empresa para consultar débitos ou emitir uma segunda via poderia acabar acessando um endereço falso sem perceber.


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Como funciona o golpe do boleto falso

A fraude pode começar com uma pesquisa na internet, uma mensagem recebida pelo celular ou um contato que oferece facilidade para pagar uma conta atrasada. Ao acessar o endereço fraudulento, o consumidor encontra uma página que reproduz elementos visuais da concessionária, como cores, logotipos e campos para informar dados da unidade consumidora.

Depois de preencher as informações, a vítima recebe um boleto ou um código para pagamento via Pix. Embora a cobrança pareça legítima, o dinheiro é encaminhado a uma conta diferente daquela utilizada pela empresa responsável pelo serviço.

O problema costuma aparecer quando a concessionária continua cobrando a fatura, mesmo após o consumidor acreditar que realizou o pagamento. Além de perder o dinheiro transferido, a vítima pode continuar com a dívida em aberto e precisar pagar novamente para evitar consequências relacionadas ao atraso.

Em alguns casos, os criminosos também oferecem descontos para quitar contas vencidas ou prometem condições especiais de negociação. A oferta pode servir como atrativo para convencer o consumidor a realizar a transferência sem conferir os dados do recebedor.

Como identificar uma cobrança suspeita

Uma das principais formas de prevenção é evitar acessar páginas de pagamento por meio de anúncios, links recebidos em mensagens ou endereços desconhecidos. O ideal é digitar diretamente o endereço oficial da concessionária no navegador ou utilizar o aplicativo da empresa, quando disponível.

Antes de concluir uma transação, o consumidor deve conferir o nome e os dados do beneficiário apresentados pelo aplicativo bancário. Se o destinatário for uma pessoa ou empresa desconhecida, ou não corresponder ao responsável pela cobrança, o pagamento deve ser interrompido até que a informação seja confirmada.

Também é importante desconfiar de ofertas com descontos muito elevados, cobranças inesperadas e mensagens que pressionam o consumidor a pagar imediatamente. Erros no endereço do site, alterações incomuns no atendimento e pedidos para transferir dinheiro para terceiros são outros sinais de alerta.

A emissão de uma segunda via diretamente pelos canais oficiais ajuda a reduzir o risco. Em caso de dúvida, o consumidor deve entrar em contato com a concessionária por um telefone ou canal de atendimento obtido em uma fonte confiável, e não pelos dados fornecidos na mensagem suspeita.

O que fazer se o pagamento já foi realizado

Quem perceber que pagou um boleto falso ou transferiu dinheiro para uma conta fraudulenta deve entrar em contato imediatamente com o banco responsável pela transação e informar o ocorrido. No caso do Pix, é possível solicitar a análise para devolução por meio do Mecanismo Especial de Devolução (MED), quando aplicável. A recuperação dos valores, porém, não é garantida.

A vítima também deve guardar o comprovante, o boleto recebido, capturas de tela, mensagens e o endereço da página utilizada. Essas informações podem ajudar na investigação e devem ser apresentadas no registro de um boletim de ocorrência.

A concessionária precisa ser comunicada para que a situação da fatura seja verificada e sejam esclarecidas as opções disponíveis para regularizar o débito. O consumidor também pode buscar orientação dos órgãos de defesa do consumidor.

A principal recomendação é conferir o destinatário antes de confirmar qualquer pagamento. Uma página com aparência profissional ou uma cobrança com o valor esperado não garante que o dinheiro será destinado à empresa correta.

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