EM PIRACICABA

PM é acusada de obrigar presos a vestir camisetas do PT

Por Da Redação |
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Reprodução
Testemunhas e familiares denunciam que três jovens detidos em Piracicaba teriam sido obrigados por policiais militares a vestir camisetas de apoio a Lula e ao PT.
Testemunhas e familiares denunciam que três jovens detidos em Piracicaba teriam sido obrigados por policiais militares a vestir camisetas de apoio a Lula e ao PT.

Policiais militares são acusados de obrigar três pessoas detidas por suspeita de tráfico de drogas em Piracicaba, no interior de São Paulo, a vestir camisetas com mensagens de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O caso ocorreu na quarta-feira (21) e motivou uma representação do Partido dos Trabalhadores ao Ministério Público Eleitoral, solicitando a investigação dos fatos.

Segundo relatos de uma testemunha e da mãe de um adolescente de 17 anos apreendido durante a ocorrência, os três jovens não usavam camisetas partidárias no momento da abordagem. As mulheres afirmam que as peças teriam sido retiradas de militantes que atuavam voluntariamente na campanha de Lula e, posteriormente, colocadas nos detidos.

A denúncia ganhou repercussão após ser mencionada nas redes sociais pelo senador eleito e ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo Guilherme Derrite (PP), aliado de Flávio Bolsonaro (PL). O episódio também levou o PT a questionar a possível utilização eleitoral da ocorrência.

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Uma mulher que mora na comunidade Pantanal Vitória, em Piracicaba, e pediu para não ser identificada relatou que estava a caminho do trabalho com duas colegas, todas militantes do PT ligadas à deputada estadual Professora Bebel (PT). As três participavam voluntariamente da campanha e vestiam camisetas com a frase “Professores e professoras da Apeoesp com Lula”.

Segundo a testemunha, elas passaram por uma viela da comunidade durante uma operação policial em barracos da região. Ela afirmou ter visto policiais retirarem três jovens de uma das casas e relatou que os rapazes vestiam roupas comuns, sem identificação partidária.

A mulher também contou que foi abordada por um dos agentes e ouviu ofensas relacionadas à camiseta que usava. Para evitar um confronto, disse que permaneceu em silêncio.

De acordo com o relato, outros policiais teriam exigido que as duas colegas retirassem as camisetas e buscassem uma terceira peça na casa de uma delas. A testemunha se refugiou na residência de uma amiga e soube posteriormente que os três jovens haviam sido detidos usando camisetas semelhantes às das militantes.

Mãe de adolescente também denuncia agressões

Edna Souza, mãe do adolescente de 17 anos apreendido, relatou à TV Todo Dia, veículo de comunicação de Piracicaba, que policiais entraram em sua casa à procura do filho. Segundo ela, o jovem teria sido agredido durante a abordagem, e uma filha de 14 anos também teria sido atingida por um policial ao tentar intervir.

A mãe afirmou ainda que os agentes levaram o adolescente para outra comunidade, onde, segundo seu relato, ele teria sofrido novas agressões. Ela contesta a versão de que o filho já vestia uma camiseta de campanha quando foi abordado.

Edna declarou que os três jovens passaram a usar camisetas iguais e que questionou os policiais sobre a origem das peças. Segundo ela, não havia roupas daquele tipo em sua casa.

As alegações de agressão e de imposição das camisetas integram os relatos apresentados sobre o caso. Até o momento, conforme as informações divulgadas, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) afirmou não haver registros dos fatos relatados na comunidade.

PT pede investigação eleitoral

O Partido dos Trabalhadores protocolou uma representação junto à Procuradoria-Geral Eleitoral, pedindo que o Ministério Público Eleitoral apure o episódio. Na manifestação, os advogados da sigla sustentam que a suposta colocação das camisetas nos detidos e a posterior divulgação das imagens poderiam associar artificialmente o partido e a candidatura de Lula a atividades criminosas.

A deputada estadual Professora Bebel também afirmou que militantes ligadas à campanha teriam sido agredidas durante a abordagem e classificou o episódio como uma possível armação. As declarações fazem parte das acusações apresentadas pelos representantes do partido e ainda dependem de apuração.

O caso envolve, portanto, versões sobre a conduta dos policiais durante a operação e questionamentos sobre a origem das camisetas utilizadas pelos detidos. A investigação deverá esclarecer as circunstâncias da abordagem e verificar as denúncias apresentadas.

SSP informa apreensão de drogas e arma

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública informou que os três suspeitos foram detidos após uma denúncia feita pelo telefone 190, que descrevia as características dos envolvidos.

Segundo a pasta, o adolescente de 17 anos estava com 23 porções de cocaína. Já os homens, de 21 e 24 anos, foram encontrados com um revólver e outras 137 porções da droga.

A SSP declarou que não compactua com desvios de conduta e orientou eventuais vítimas a formalizar denúncias em uma delegacia, pela Delegacia Digital ou junto à Corregedoria da Polícia Militar. A secretaria também afirmou que não havia registros das situações relatadas na comunidade Pantanal Vitória.

Derrite diz que publicação tratava do tráfico

Em nota, Guilherme Derrite afirmou que o objetivo de sua publicação foi chamar a atenção para o aliciamento de jovens pelo tráfico de drogas, fenômeno que, segundo ele, também atinge municípios do interior paulista.

O senador eleito declarou que a publicação não fazia menção às camisetas utilizadas pelos envolvidos e defendeu que os fatos sejam devidamente apurados pelos órgãos competentes.

As denúncias sobre a abordagem policial e o uso das camisetas seguem como pontos centrais da controvérsia. A apuração dos fatos deverá esclarecer as circunstâncias relatadas pelas testemunhas, as condutas atribuídas aos agentes e a eventual existência de irregularidades.

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