O registro de casos de sarampo no Brasil reforça o alerta para a importância da vacinação e da identificação precoce dos sintomas. Embora o país tenha recebido da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) o reconhecimento de área livre da circulação endêmica do vírus, ainda há risco de novos casos, principalmente por meio de pessoas infectadas em outros países e da baixa cobertura vacinal.
Segundo o médico infectologista Dr. Tufi Chalita, até agosto de 2026, o estado de São Paulo havia contabilizado 41 casos da doença. Desse total, 37 foram registrados na capital paulista, dois em São Bernardo do Campo, um em Guarulhos e um em Santo André.
O especialista explica que o reconhecimento internacional não significa que o Brasil esteja livre de qualquer possibilidade de infecção. “O que significa isso? Ele não circula de forma contínua e sustentada no território nacional. Agora, no entanto, tem casos importados”, afirmou.
O cenário reforça a necessidade de manter a vacinação em dia, especialmente entre crianças, consideradas mais vulneráveis às complicações da doença quando não estão devidamente imunizadas.
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Baixa cobertura vacinal preocupa

De acordo com Dr. Tufi Chalita, entre os casos registrados no estado de São Paulo, 61% ocorreram em crianças menores de dois anos. Entre essas crianças, aproximadamente três em cada quatro não estavam vacinadas ou não haviam completado o esquema de imunização.
O infectologista relaciona o aparecimento de novos casos à entrada de pessoas infectadas vindas de países onde a vacinação é insuficiente, além da existência de pessoas não imunizadas no próprio Brasil. “Tudo fruto dessa época de negacionismo que nós vivemos aí na época da Covid, que é desinformação, fake news e tal a respeito de vacina”, avaliou.
A circulação do vírus em outros países também representa um risco para a população brasileira. Por isso, a manutenção de altas coberturas vacinais é fundamental para evitar a transmissão e impedir que casos importados provoquem novos surtos.
Quais são os sintomas do sarampo?
O sarampo é caracterizado por febre alta, tosse, espirros, coriza intensa, conjuntivite e manchas avermelhadas na pele. Uma das características importantes para a identificação da doença é a forma como essas manchas aparecem e se espalham pelo corpo.
“O aparecimento do exantema, que é o aparecimento de um vermelho no corpo, tem uma característica no sarampo: é crânio-caudal, ou seja, começa normalmente pela face, atrás da orelha, e vai descendo para o pescoço e o tronco”, explicou Chalita.
Segundo o médico, a progressão das manchas de cima para baixo é uma característica que auxilia na diferenciação do sarampo de outras doenças que também provocam febre e alterações na pele.
O especialista ressalta, porém, que a avaliação dos sintomas deve ser feita por um profissional de saúde, já que outras infecções virais também podem apresentar manifestações semelhantes.
Transmissão começa antes das manchas
Outro ponto de atenção é o período em que uma pessoa infectada pode transmitir o vírus. De acordo com Dr. Tufi Chalita, a transmissão pode ocorrer antes mesmo do aparecimento das manchas vermelhas, o que favorece a disseminação da doença. “Eu transmito o vírus de quatro até seis dias antes do início do exantema. E ela persiste depois do aparecimento do exantema. A partir do início desse exantema, eu posso transmitir a doença até quatro dias depois”, afirmou.
Por ser altamente contagioso, o sarampo pode se espalhar rapidamente entre pessoas suscetíveis, especialmente em ambientes com baixa cobertura vacinal. A identificação dos sintomas e a procura por atendimento médico são importantes para a avaliação do caso e a adoção das medidas necessárias para reduzir a transmissão.
Vacina oferece alta proteção
A vacinação é a principal forma de prevenção contra o sarampo. Conforme o infectologista, a proteção aumenta após a aplicação das duas doses recomendadas. “A vacina do sarampo é uma das vacinas mais eficazes que tem. Após a primeira dose, eu já tenho de 90% a 93% de proteção. Após a segunda dose, já vai de 95% a 98%”, destacou.
No calendário infantil, a vacina é aplicada aos 12 meses, com uma segunda dose aos 15 meses. Pessoas que não foram vacinadas ou que não completaram o esquema devem verificar a situação vacinal e procurar uma unidade de saúde para receber orientação.
A recomendação é conferir a carteira de vacinação, especialmente antes de viagens e em situações de contato com pessoas infectadas. Manter a imunização em dia é essencial para reduzir o risco de adoecimento, proteger os grupos mais vulneráveis e evitar a reintrodução da circulação sustentada do vírus no país.