PERDA CIENTÍFICA

VÍDEO: Incêndio na UFPE causa prejuízo de R$ 100 milhões

Por Alyson Rodrigues |
| Tempo de leitura: 4 min
Reprodução/X
Um incêndio de grandes proporções atingiu, na noite desta quarta-feira (7), um prédio da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
Um incêndio de grandes proporções atingiu, na noite desta quarta-feira (7), um prédio da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Um incêndio de grandes proporções atingiu, na noite desta quarta-feira (7), um prédio da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), no Recife, e destruiu laboratórios, equipamentos, amostras e dados de pesquisas científicas. Ninguém ficou ferido.

O fogo atingiu o prédio da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo (Dine), localizado no Campus Recife, na Cidade Universitária, na Zona Oeste da capital pernambucana. O espaço abrigava laboratórios das áreas de fármacos, genética, informática e pesquisas relacionadas ao desenvolvimento de medicamentos.

Segundo o reitor da UFPE, Alfredo Gomes, a estimativa inicial é de que as perdas cheguem a R$ 100 milhões. O cálculo considera equipamentos, materiais e estruturas utilizadas pelos pesquisadores. O levantamento definitivo dos prejuízos ainda depende da avaliação completa do imóvel e dos itens atingidos.

O incêndio também comprometeu pesquisas desenvolvidas ao longo de aproximadamente duas décadas. De acordo com informações divulgadas pela universidade e pelo reitor, o prédio concentrava amostras, equipamentos e dados relacionados a trabalhos de professores, estudantes de iniciação científica, mestrandos, doutorandos e pós-doutorandos.

Bombeiros combateram as chamas durante a madrugada

O Corpo de Bombeiros foi acionado assim que o fogo foi identificado e mobilizou equipes para o combate. As chamas se espalharam rapidamente, em parte devido aos tipos de produtos armazenados no prédio.

O trabalho dos bombeiros avançou durante a madrugada e foi concluído por volta das 5h desta quinta-feira (8). Segundo informações divulgadas após a ocorrência, o fogo atingiu todo o pavimento superior e uma sala do andar inferior, enquanto parte dos laboratórios no térreo foi preservada.

A atuação das equipes também evitou que as chamas atingissem imóveis próximos. A UFPE informou que o prédio permanece isolado e deverá passar por avaliação para determinar a extensão dos danos estruturais.

Até o momento, não foi divulgada a causa do incêndio.

Pesquisas sobre câncer, Covid e autismo foram afetadas

A dimensão do incêndio ultrapassa a destruição física do prédio. Entre os materiais armazenados estavam amostras e projetos científicos relacionados a diferentes áreas da saúde.

Segundo relatos apresentados pelo reitor, foram atingidos trabalhos envolvendo pesquisas sobre câncer, obesidade, Covid-19, TDAH e autismo, além de estudos em genética e desenvolvimento de fármacos. Também foram destruídos equipamentos utilizados na rotina dos laboratórios e informações armazenadas em computadores.

O prédio abrigava ainda o Núcleo de Pesquisa em Inovação Terapêutica, voltado ao desenvolvimento de medicamentos. Entre os espaços existentes no local estavam laboratórios com estruturas específicas para pesquisas científicas.

O reitor Alfredo Gomes classificou as perdas como de grande impacto para a universidade e afirmou que a instituição deverá avaliar alternativas para auxiliar os pesquisadores que tiveram trabalhos afetados pelo incêndio.

Polícia Federal vai investigar o caso

A Polícia Federal deverá instaurar um inquérito para apurar as circunstâncias e identificar a origem do fogo. A causa ainda é desconhecida e não há confirmação de que o incêndio tenha sido provocado de forma criminosa.

A investigação ganha atenção também pelo fato de o incêndio desta quarta-feira ser o terceiro registrado em instalações da UFPE em pouco mais de uma semana.

Antes do caso ocorrido no prédio da Dine, um incêndio atingiu um laboratório do Departamento de Física, no fim de setembro. Na ocasião, o fogo teria ocorrido durante a utilização de um equipamento para aquecimento de substâncias.

No domingo (4), outro incêndio atingiu o Laboratório de Citogenética e Evolução Vegetal, no Centro de Biociências. Também não houve registro de feridos nos dois episódios anteriores. A sequência de ocorrências, porém, não significa que exista uma relação entre os casos; essa eventual conexão terá de ser esclarecida pelas investigações.

Estudantes relatam ameaças antes do incêndio

Outro ponto que passou a ser considerado no debate sobre o caso envolve relatos de ameaças recebidas por estudantes horas antes do incêndio.

O deputado federal eleito Jones Manoel afirmou ter recebido informações sobre mensagens direcionadas a estudantes e setores da universidade, incluindo uma ameaça que mencionava a possibilidade de “explodir o departamento”. Ele defendeu uma investigação imediata por parte da Polícia Federal e do Ministério Público Federal.

Até o momento, entretanto, não há confirmação de que essas mensagens tenham relação com o incêndio. A origem do fogo continua sendo investigada pelas autoridades.

A universidade também ainda não apontou qualquer responsável pela ocorrência.


VEJA MAIS:


  • Clique aqui e receba, gratuitamente, as principais notícias da cidade, no seu WhatsApp, em tempo real. 

UFPE mantém atividades normalmente

Apesar da destruição provocada pelo incêndio, a UFPE informou que as atividades acadêmicas da instituição continuam normalmente.

O prédio atingido permanece isolado enquanto são realizadas avaliações sobre a estrutura e os danos. A universidade também deverá definir como serão reorganizadas as atividades e pesquisas que funcionavam no local.

O incêndio ocorreu justamente no período de realização da ExpoUFPE 2026, evento da universidade voltado à apresentação de cursos e oportunidades para estudantes do ensino médio. A programação da instituição foi mantida.

O Ministério da Educação acompanha o caso e manifestou apoio à universidade. O ministro Leonardo Barchini afirmou que está em contato com a reitoria para acompanhar as investigações. O advogado-geral da União, Jorge Messias, também determinou o acompanhamento jurídico das apurações.

Com o avanço da perícia e do inquérito da Polícia Federal, a expectativa é de que sejam esclarecidas as circunstâncias que provocaram o incêndio e se existe ou não alguma relação entre a ocorrência desta quarta-feira e os outros dois casos registrados recentemente na universidade.

Comentários

Comentários