O golpe do romance é uma fraude em que criminosos criam perfis falsos em redes sociais, aplicativos de relacionamento e plataformas de mensagens para conquistar a confiança das vítimas. Depois de construir uma relação afetiva, os golpistas inventam emergências, pedem dinheiro ou passam a explorar emocionalmente a pessoa para obter vantagens financeiras.
A prática também está relacionada ao catfishing, termo usado para descrever a criação de uma identidade falsa na internet, muitas vezes com fotos de outra pessoa e informações inventadas. Embora nem todo caso de catfishing tenha como objetivo roubar dinheiro, a falsa identidade pode ser usada para aplicar golpes amorosos.
Como o golpe começa
Em muitos casos, o contato começa com elogios, conversas frequentes e demonstrações intensas de carinho. O criminoso pode dizer que encontrou a pessoa ideal, falar sobre casamento ou fazer planos para uma vida a dois, mesmo sem nunca ter encontrado a vítima pessoalmente.
Segundo orientações do FBI, criminosos utilizam identidades falsas para conquistar a confiança das vítimas e, depois, explorar o vínculo emocional para obter dinheiro ou outras vantagens. Entre as desculpas mais comuns estão despesas médicas, problemas jurídicos, dificuldades durante uma viagem e custos para comprar passagens e realizar um encontro presencial.
Outro sinal de alerta é a insistência para que a conversa saia do aplicativo de relacionamento e passe para um canal privado. O golpista também pode inventar motivos para cancelar encontros, alegar que trabalha em outro país ou evitar chamadas de vídeo que permitam confirmar sua identidade.
O que é catfishing e como funciona
O termo catfishing descreve a prática de criar uma identidade falsa na internet para enganar outras pessoas. Isso pode envolver fotografias de terceiros, nomes fictícios, profissões inventadas e histórias pessoais construídas para parecerem verdadeiras.

No golpe do romance, o catfishing pode ser a primeira etapa da fraude. O criminoso utiliza a identidade inventada para estabelecer uma conexão afetiva e fazer com que a vítima acredite estar conversando com alguém que realmente existe e tem as características apresentadas.
Há diferentes formas de praticar catfishing. Algumas pessoas criam perfis falsos para esconder a própria identidade ou enganar emocionalmente outras pessoas; em situações criminosas, a técnica é usada para solicitar transferências, obter dados pessoais, pedir fotografias íntimas ou direcionar vítimas a investimentos fraudulentos. Portanto, nem todo catfishing envolve necessariamente dinheiro, mas a identidade falsa é um importante sinal de alerta quando acompanhada de pedidos suspeitos.
Também é importante lembrar que fotografias, vídeos e chamadas de vídeo não garantem, isoladamente, que uma identidade seja verdadeira. Recursos de inteligência artificial podem facilitar a criação ou manipulação de imagens e outros conteúdos usados para dar credibilidade a perfis falsos.
Quando o relacionamento vira uma armadilha financeira
Depois de conquistar a confiança da vítima, o criminoso pode começar a pedir pequenas quantias, alegando que enfrenta um problema temporário. Se a pessoa ajuda, os pedidos podem se tornar mais frequentes e envolver valores maiores.
Outra modalidade combina o relacionamento amoroso com falsas oportunidades de investimento. O golpista apresenta supostos ganhos com criptomoedas ou operações financeiras, convence a vítima a depositar dinheiro em uma plataforma indicada por ele e exibe lucros fictícios. Em alguns casos, a vítima consegue retirar uma quantia inicialmente, o que aumenta a confiança, mas depois é impedida de sacar o restante e recebe novas cobranças de taxas ou impostos inexistentes.
Esse tipo de fraude pode provocar prejuízos financeiros e sofrimento emocional. A vergonha de admitir que foi enganada também pode levar a vítima a esconder o ocorrido de familiares e amigos, dificultando a busca por ajuda. O assunto é abordado em material publicado pelo portal oficial do governo federal voltado à educação financeira, que relaciona o romance scam ao chamado estelionato sentimental.
Serviços e Informações do Brasil
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Como se proteger do golpe do romance
Algumas medidas ajudam a reduzir o risco de cair em uma fraude amorosa:
- Não envie dinheiro para alguém cuja identidade você não conseguiu verificar, mesmo que a pessoa declare estar apaixonada ou prometa devolver o valor.
- Pesquise as fotografias do perfil: a busca reversa de imagens pode revelar se as mesmas fotos aparecem associadas a outros nomes ou histórias.
- Desconfie de pedidos urgentes: emergências inesperadas, despesas de viagem e problemas médicos podem ser usados como justificativas para pressionar a vítima.
- Não compartilhe dados bancários, senhas ou códigos de autenticação.
- Evite investimentos sugeridos por pessoas que você conheceu recentemente na internet, especialmente quando elas indicam plataformas desconhecidas.
- Converse com alguém de confiança: uma pessoa de fora da relação pode ajudar a identificar contradições que passam despercebidas durante o envolvimento emocional.
- Verifique a identidade por diferentes meios: procure informações consistentes sobre a pessoa e desconfie de desculpas recorrentes para evitar encontros ou chamadas.
Essas medidas estão alinhadas às recomendações de órgãos de proteção ao consumidor e de investigação criminal, que orientam a verificar perfis, desconfiar de pedidos financeiros e interromper o contato diante de sinais de fraude.
O que fazer se você já caiu no golpe
Se houver suspeita de fraude, interrompa o contato e não faça novos pagamentos, mesmo que o golpista ameace encerrar o relacionamento ou prometa devolver o dinheiro após outra transferência.
Quem realizou um Pix ou outra operação financeira deve entrar em contato imediatamente com o banco ou a instituição responsável, informar a suspeita de fraude e perguntar quais procedimentos de contestação e recuperação de valores estão disponíveis. Guarde comprovantes, conversas, números de telefone, perfis, dados de contas e demais registros que possam ajudar na apuração.
Também é importante denunciar o perfil à plataforma em que ocorreu o contato e registrar um boletim de ocorrência. Caso tenham sido compartilhados documentos, senhas ou informações bancárias, procure os canais oficiais das instituições envolvidas para avaliar as medidas de proteção necessárias.
A principal orientação é não confundir demonstrações de afeto com prova de identidade. Um relacionamento pode começar pela internet, mas pedidos de dinheiro, pressão emocional e histórias que nunca podem ser verificadas exigem cautela.