DISPUTA NAS REDES

Caso Nossa Senhora soma 2,39 milhões de menções nas redes

Por Redação/JP1 |
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução
O volume colocou o assunto na quarta posição entre os episódios políticos de maior repercussão digital no ano, em meio à disputa de narrativas entre grupos ligados à esquerda e à direita.
O volume colocou o assunto na quarta posição entre os episódios políticos de maior repercussão digital no ano, em meio à disputa de narrativas entre grupos ligados à esquerda e à direita.

A discussão sobre Nossa Senhora Aparecida ganhou força nas redes sociais e chegou a 2,39 milhões de menções, segundo levantamento do Instituto Democracia em Xeque divulgado pelo jornal O Globo. O volume colocou o assunto na quarta posição entre os episódios políticos de maior repercussão digital no ano, em meio à disputa de narrativas entre grupos ligados à esquerda e à direita.

O aumento das publicações ocorreu após a retomada do debate sobre um projeto de quase duas décadas atrás que pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. Nos últimos dias, aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passaram a relacionar o episódio ao senador Flávio Bolsonaro (PL), apontado como possível candidato à Presidência.

De acordo com o relatório, o caso ficou atrás de três outros assuntos políticos: o embate entre os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça e Alexandre de Moraes no contexto do caso Master, que registrou 3,5 milhões de menções; a notícia de que Flávio Bolsonaro teria solicitado recursos ao proprietário do Banco Master para financiar o filme biográfico Dark Horse, com 3,05 milhões; e a decisão do governo Lula de proibir as apostas de quota fixa, conhecidas como bets, que somou 2,9 milhões.

Os pesquisadores ressaltam, porém, que os períodos de monitoramento não foram idênticos. A discussão sobre Nossa Senhora Aparecida foi analisada durante quatro dias e meio, enquanto o debate sobre as bets abrangeu aproximadamente quatro dias. A diferença está relacionada à proximidade dos acontecimentos com a elaboração do levantamento.

Decisões judiciais ampliam a repercussão

O instituto identificou estabilidade no volume de publicações sobre o tema e considera que o debate ainda pode crescer diante dos desdobramentos no STF. As decisões recentes dos ministros Flávio Dino e Luiz Fux contribuíram para manter o assunto em circulação.

Na segunda-feira à noite, Fux suspendeu os efeitos de uma decisão de Dino que havia derrubado uma determinação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para retirar do ar conteúdos que relacionavam Flávio Bolsonaro ou familiares dele ao caso. A decisão de Fux ainda deverá ser analisada pelo plenário do Supremo.

Um dia antes, Dino havia anulado uma medida de André Mendonça que determinava a remoção de uma publicação do humorista Antônio Tabet nas redes sociais.

Segundo Alexsander Chiodi, cientista político e coordenador de relatórios do Instituto Democracia em Xeque, as tentativas de levar a discussão à esfera judicial e retirar publicações do ar acabaram renovando a atenção sobre o episódio. Na avaliação do pesquisador, cada nova decisão judicial provocou novos picos de menções, em vez de encerrar a discussão.


VEJA MAIS:


  • Clique aqui e receba, gratuitamente, as principais notícias da cidade, no seu WhatsApp, em tempo real. 

Fé e identidade dominam parte do debate

O monitoramento também identificou diferenças nas estratégias adotadas pelos grupos políticos. Publicações associadas à esquerda exploraram críticas a Flávio Bolsonaro e manifestações de devoção a Nossa Senhora Aparecida, além de mensagens em defesa da santa como padroeira do país.

Entre os grupos de direita, ganharam espaço as reações à decisão de Mendonça sobre a retirada de publicações. Aliados do bolsonarismo também acusaram integrantes do PT de divulgar informações falsas a respeito do episódio.

Chiodi afirmou que, entre as 2,39 milhões de menções analisadas, o enquadramento cultural foi o mais frequente, com 29% do total. O índice ficou acima da classificação do assunto como notícia falsa, segundo o levantamento. Para o pesquisador, o resultado indica que a discussão ultrapassa a disputa eleitoral e envolve aspectos ligados à fé e à identidade dos participantes.

Como esquerda e direita exploraram o caso

No campo da esquerda, a decisão de Dino gerou publicações comemorativas. A reação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) a uma declaração de Flávio Bolsonaro também foi utilizada para sustentar críticas ao senador, sob o argumento de que suas manifestações teriam atingido a representação institucional da Igreja Católica.

Já setores ligados ao bolsonarismo acusaram o PT de usar a fé católica como instrumento eleitoral. Nessas publicações, Nossa Senhora Aparecida foi apresentada como alvo de uma disputa política, em meio a divergências entre o partido e posições da Igreja em questões morais. A decisão de Dino também foi descrita por esses grupos como uma interferência no processo eleitoral.

Outra linha de argumentação recorreu à trajetória religiosa da família Bolsonaro. Flávio declarou que o pai, Jair Bolsonaro, é católico e mencionou a consagração realizada durante o governo dele. Ao abordar a controvérsia, o senador afirmou que sua disputa seria contra o que considera mentira, e não contra a Igreja.

Comentários

Comentários