O Mercado Livre começa, nesta sexta-feira (25), a vender medicamentos que exigem prescrição médica e retenção de receita em sua operação própria em São Paulo. Entre os produtos que passam a fazer parte do catálogo estão antibióticos, anti-inflamatórios e medicamentos da classe GLP-1, como Ozempic e Wegovy, utilizados em tratamentos relacionados à diabetes e à obesidade.
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A compra de medicamentos sob prescrição exigirá o envio da receita pela plataforma. Segundo Fernando Yunes, vice-presidente executivo de comércio eletrônico do Mercado Livre para a América Latina, o documento será analisado por um farmacêutico antes da liberação do pedido. Após a validação, as informações necessárias são registradas e o produto segue para a logística de entrega.

A expansão representa mais uma etapa da entrada do Mercado Livre no varejo farmacêutico brasileiro. A empresa adquiriu uma farmácia no bairro do Jabaquara, em São Paulo, para estruturar sua operação no setor. Em março de 2026, começou a comercializar medicamentos que não exigem prescrição. Em julho, passou a oferecer produtos sob prescrição, mas que não exigiam retenção da receita. Agora, a operação inclui também medicamentos sujeitos à retenção.
Entrega em até uma hora
Além da ampliação do catálogo de medicamentos, o Mercado Livre anunciou uma nova modalidade de entrega, chamada de “Envios Agora”. O serviço prevê entregas em até 60 minutos e começa pela cidade de São Paulo, inicialmente em regiões atendidas pela estrutura logística da companhia.
A entrega rápida faz parte da estratégia da empresa de ampliar a frequência de utilização da plataforma. Segundo o Mercado Livre, medicamentos e produtos de saúde apresentam potencial de compras recorrentes, diferentemente de categorias de consumo menos frequente.
Farmácias parceiras
A estratégia não ficará restrita à operação própria. O Mercado Livre também prepara a entrada de farmácias e redes do setor em seu marketplace, em um modelo no qual os parceiros comercializam os produtos diretamente aos consumidores utilizando a estrutura digital da plataforma.
A previsão é que as primeiras três redes comecem a operar em outubro, na região metropolitana de São Paulo. A empresa pretende chegar a até 20 redes de farmácias integradas ao marketplace até o fim do ano.
O movimento amplia a concorrência no varejo farmacêutico e aproxima o Mercado Livre de um segmento que já possui forte presença digital por meio das grandes redes de farmácias.
Reação das farmácias
O anúncio provocou reação entre empresas e entidades do setor. A Associação Brasileira de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) informou que pretende questionar a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre a legalidade da operação.
A entidade sustenta que a comercialização de medicamentos por marketplaces depende de regulamentação específica. A discussão ocorre após a Anvisa revogar, em agosto, medidas preventivas que proibiam a comercialização e a propaganda de medicamentos em algumas plataformas digitais, entre elas o Mercado Livre.
A própria Anvisa esclareceu que a revogação das medidas não representa uma autorização automática para a comercialização de produtos farmacêuticos por essas empresas. Segundo a agência, a aplicação das novas regras depende de regulamentação que ainda será editada pelo órgão.
Impacto na Bolsa
A entrada do Mercado Livre no segmento também repercutiu no mercado financeiro. As ações de grandes redes de farmácias registraram quedas nesta quinta-feira (24), após o anúncio da companhia.
Os papéis da RD Saúde chegaram a recuar mais de 9% durante o pregão e terminaram o dia com queda de 5,38%. Pague Menos e Panvel também registraram perdas. O movimento refletiu a preocupação dos investidores com o aumento da concorrência no comércio digital de medicamentos.
Apesar da reação do mercado, a operação ainda está em fase inicial e começa concentrada em São Paulo. A expansão para outras regiões dependerá do desenvolvimento da estrutura logística e do avanço da regulamentação aplicável ao comércio de medicamentos em plataformas digitais.
Com a nova etapa, o Mercado Livre passa a combinar três frentes no setor farmacêutico: uma operação própria de medicamentos, a venda de produtos sob prescrição e a integração de farmácias parceiras ao marketplace. A empresa busca, assim, ampliar a presença no mercado de saúde e transformar a plataforma em mais um canal para a compra recorrente de medicamentos.