INOVAÇÃO

Projeto da Esalq busca segurança alimentar com planta brasileira

Por Bia Xavier - Jornal de Piracicaba |
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação
Luísa Coelho, Bruno Garbelotti, Fernanda Araújo, Natalia Santos e Tharija Silva integram o grupo Kindred Ora.
Luísa Coelho, Bruno Garbelotti, Fernanda Araújo, Natalia Santos e Tharija Silva integram o grupo Kindred Ora.

Um projeto desenvolvido por cinco estudantes da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), em Piracicaba, busca contribuir para a segurança alimentar por meio do cultivo sustentável da ora-pro-nóbis, uma planta de origem brasileira que pode ser utilizada na alimentação. A equipe criou uma forma de transformar a espécie em farinha e desenvolveu uma estrutura de secagem movida a energia solar. Em contato com o Jornal de Piracicaba, a estudante Luísa Cruz Carvalho Coelho contou como a iniciativa saiu do interesse pela planta e chegou a uma competição internacional.

A história começou antes mesmo da formação do grupo. Luísa já cultivava ora-pro-nóbis durante um estágio voluntário no Laboratório de Plantas em Microgravidade e decidiu levar o interesse para o Food Systems Innovation Challenge 2026, competição promovida pela Wageningen University & Research, na Holanda. Com a orientação voluntária do professor Paulo Hercílio Viegas Rodrigues, ela reuniu outros quatro estudantes para desenvolver a proposta.

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Da planta à farinha

A equipe pesquisou uma forma de cultivo que aproveitasse resíduos e reduzisse o consumo de recursos. Para isso, utilizou fibra de coco e biochar no substrato, além de fertilizantes orgânicos. Paralelamente, os estudantes desenvolveram uma estrutura compacta e de baixo custo para realizar a secagem da planta utilizando energia solar.

O trabalho também avançou para a análise nutricional e para a produção da farinha de ora-pro-nóbis em laboratório. Estudantes da área de Ciência dos Alimentos avaliaram características como fibras, proteínas, carboidratos, lipídios e umidade. A proposta é aproveitar os nutrientes da planta e criar uma alternativa que possa ser mais acessível. “A nossa intenção é que essa solução possa chegar às comunidades e ser desenvolvida como uma promotora da segurança alimentar”, afirma Luísa.

Cada integrante assumiu uma função dentro do grupo. Luísa ficou responsável pela liderança, cultivo, comunicação com a organização da competição e organização financeira. Bruno Cruz Garbelotti trabalhou no cultivo, na estratégia e na parte elétrica da estrutura de secagem, enquanto Fernanda Ribas Oliveira de Araújo, Tharija Lauana Borges da Silva e Natalia Soares dos Santos atuaram principalmente nas áreas técnica, de alimentos e operações.

Um dos maiores desafios, segundo Luísa, foi desenvolver soluções que não estavam prontas. A equipe precisou buscar informações técnicas e tomar decisões tanto sobre o manejo da planta quanto sobre as especificações necessárias para a secagem. “Foi necessário desenvolver novas abordagens desde o manejo do cultivo até as especificações do processo de secagem”, relata.

Agora, o projeto Kindred Ora está entre as iniciativas que disputarão a final do Food Systems Innovation Challenge 2026, marcada para 29 de setembro, em Wageningen. A experiência também pode representar um passo além da competição: os estudantes pretendem divulgar o que desenvolveram para produtores de diferentes tamanhos em São Paulo e para grupos de extensão da Esalq.

Caso obtenha recursos na competição, a equipe pretende continuar os testes e pesquisas. Mesmo sem financiamento, o grupo planeja seguir trabalhando para que a tecnologia de cultivo e secagem desenvolvida durante o projeto possa ser conhecida e utilizada por produtores e comunidades.

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