O Tribunal de Justiça de São Paulo manteve a condenação do Hopi Hari pelo acidente que deixou uma adolescente de 15 anos sem o rim direito durante a edição de 2023 da Hora do Horror, evento temático realizado pelo parque em Vinhedo. A decisão mais recente rejeitou os embargos apresentados pela empresa e preservou a indenização de R$ 60 mil determinada no processo. O valor corresponde a R$ 50 mil por danos morais e R$ 10 mil por danos estéticos. O parque informou que pretende recorrer.
De acordo com os autos, a adolescente, moradora de Mauá, estava no local em uma excursão escolar quando foi surpreendida por um personagem durante a atração. Em meio ao ambiente escuro, ela correu e acabou sofrendo uma queda, atingindo o corpo contra uma estrutura rígida. O impacto provocou uma laceração no rim direito e levou à necessidade de retirada completa do órgão. O procedimento deixou ainda uma cicatriz de 17 centímetros no abdômen.

Ao analisar o processo, a Justiça considerou que a reação provocada pelos estímulos da atração deveria ser levada em conta na avaliação da responsabilidade pelo acidente. O entendimento foi de que correr ou perder momentaneamente o controle diante de uma situação de susto não poderia ser tratado como um acontecimento completamente imprevisível dentro de uma experiência baseada justamente na interação com personagens e no medo. A decisão também afastou a tese de que a responsabilidade pelo ocorrido seria exclusivamente da adolescente.
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Indenização e posição do parque
A condenação levou em consideração as consequências físicas e pessoais da lesão. Os R$ 50 mil por danos morais foram relacionados à perda definitiva do rim, à cirurgia, aos impactos psicológicos e às limitações decorrentes da nova condição. Outros R$ 10 mil foram estabelecidos pelos danos estéticos relacionados à cicatriz. Segundo o advogado que representa a jovem, atualmente com 18 anos, ela apresenta boa recuperação, mas continua sob acompanhamento médico e precisa lidar com restrições relacionadas à perda do órgão.
Na decisão mais recente, os desembargadores entenderam que os argumentos apresentados pelo Hopi Hari nos embargos não apontavam omissões ou contradições que justificassem a alteração do julgamento anterior. Para o colegiado, as questões levantadas pelo parque já haviam sido analisadas no processo. Com isso, foi mantido o entendimento da segunda instância favorável à indenização da vítima.
O Hopi Hari contesta a responsabilização e afirma que uma perícia judicial concluiu que o parque não teria contribuído para o resultado. A empresa sustenta que a adolescente teria descumprido regras da atração ao correr e que o episódio ocorreu após uma queda. O parque também informou que adotará recurso contra a decisão. O caso é diferente do episódio envolvendo a montanha-russa Montezum, que atualmente é alvo de investigação após uma jovem sofrer um traumatismo cranioencefálico durante o passeio.