A disputa pelo futuro da Raízen pode ganhar um novo capítulo nas próximas semanas. A IG4 Capital prepara uma oferta firme aos credores da companhia, com o objetivo de assumir o controle do negócio em meio ao processo de recuperação extrajudicial da empresa.
Segundo informações de fontes do mercado, a gestora já apresentou há cerca de dois meses uma proposta não vinculante e agora trabalha na elaboração de uma oferta definitiva. A dívida da Raízen é estimada em aproximadamente R$ 65 bilhões.
A estratégia da IG4 envolve a aquisição de mais da metade dos créditos da companhia. Com isso, a gestora pretende conquistar participação suficiente para assumir o controle e promover mudanças na estrutura do negócio.
Credores no centro da negociação
A recuperação extrajudicial da Raízen envolve uma estrutura considerada complexa devido à quantidade e ao perfil dos credores. O grupo reúne bancos, investidores que possuem títulos da empresa, debenturistas e detentores de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA).
Os credores representam cerca de 80% do negócio. Por isso, a negociação individual com os diferentes grupos é considerada fundamental para a estratégia da IG4.
A gestora mantém conversas tanto diretamente com credores quanto com grupos que concentram diferentes detentores de dívida da companhia.
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Pagamento pode combinar dinheiro e créditos
A proposta em preparação prevê uma combinação de pagamento à vista com direitos creditórios. Nesse modelo, os credores podem transferir seus créditos para a gestora, que os converteria em participação acionária na nova estrutura do negócio.
Com a operação, os credores que aceitarem os direitos creditórios poderão aguardar o encerramento da recuperação extrajudicial para receber os valores correspondentes dentro da nova estrutura.
Esse formato já foi utilizado pela IG4 em sua atuação na Braskem, onde a gestora também trabalha em uma operação de reestruturação.
A estratégia faz parte de um modelo de atuação da IG4 voltado a empresas que enfrentam processos complexos de reorganização financeira e operacional.
Raízen pode passar por separação
Um dos pontos centrais do processo é a própria estrutura da Raízen. A companhia é uma joint venture formada por Shell e Cosan e reúne negócios relacionados à produção de açúcar e etanol e à área de combustíveis.
O plano de recuperação prevê a separação dessas operações. A divisão interessa à IG4 porque permitiria concentrar a estratégia de investimento em uma das áreas da companhia.
A expectativa no mercado é que a nova proposta da gestora seja apresentada aos credores nas próximas semanas. Até lá, as negociações seguem em andamento e podem envolver alterações nos termos da oferta.
Caso consiga adquirir mais de 50% dos créditos, a IG4 poderá ampliar sua influência sobre o processo e participar diretamente das decisões relacionadas à reorganização da Raízen.
A operação, no entanto, ainda depende das negociações com os credores e da evolução do processo de recuperação extrajudicial.