Uma campanha cibernética identificada como PhantomEnigma está usando uma estratégia que explora a confiança dos brasileiros em endereços oficiais. Segundo uma investigação da empresa de segurança ANY.RUN, pelo menos 20 portais governamentais foram comprometidos e passaram a fazer parte da cadeia usada para entregar arquivos maliciosos. Os sistemas afetados não são apontados como o alvo final da operação, mas como infraestrutura utilizada pelos criminosos.
O método também envolve contas de e-mail governamentais comprometidas. A partir delas, os criminosos conseguem enviar mensagens que aparentam ter origem em órgãos públicos, aumentando a chance de que o destinatário clique em links ou abra documentos. Em diferentes casos analisados, os conteúdos usavam temas ligados a comunicações policiais e documentos oficiais para induzir a vítima a continuar a interação.
O governo federal também emitiu alerta sobre uma operação que explora a credibilidade dos domínios .gov.br para distribuir programas capazes de roubar informações e permitir controle remoto. De acordo com o Centro Integrado de Segurança Cibernética do Governo Digital, a estratégia pode envolver páginas públicas comprometidas e arquivos executáveis apresentados como documentos ou certificados.
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O cuidado começa antes do clique

Um dos pontos que torna a campanha mais difícil de perceber é justamente a utilização de infraestrutura legítima. Em alguns casos, mensagens enviadas por caixas de e-mail governamentais comprometidas conseguem passar pelas verificações SPF, DKIM e DMARC, mecanismos normalmente utilizados para ajudar a identificar falsificações de remetentes. Isso não significa que uma mensagem inesperada seja segura apenas porque veio de um endereço oficial.
A recomendação para o usuário é evitar downloads solicitados por mensagens inesperadas, principalmente quando o arquivo é apresentado como documento oficial e exige a instalação de algum programa para ser aberto. O governo também alerta que páginas comprometidas podem induzir o visitante a baixar executáveis maliciosos, mesmo quando o endereço acessado termina em .gov.br.
Outra medida é confirmar a informação diretamente pelo aplicativo, portal ou canal oficial do órgão, sem utilizar o link recebido na mensagem. Manter sistema operacional, navegador e ferramentas de segurança atualizados também ajuda a reduzir riscos. A investigação da PhantomEnigma reforça que, diante de um ataque desse tipo, a extensão .gov.br por si só não deve ser tratada como garantia de que um arquivo ou link é confiável.