BEBIDAS ADULTERADAS

Quase um ano depois, relembre o surto de metanol no Brasil

Por Bia Xavier - Jornal de Piracicaba |
| Tempo de leitura: 4 min
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Bebidas alcoólicas adulteradas com metanol colocaram consumidores em alerta e provocaram uma onda de intoxicações no Brasil em 2025.
Bebidas alcoólicas adulteradas com metanol colocaram consumidores em alerta e provocaram uma onda de intoxicações no Brasil em 2025.

Há quase um ano, o Brasil começava a enfrentar uma onda de intoxicações provocadas pelo consumo de bebidas alcoólicas contaminadas com metanol. Os primeiros sinais do problema apareceram em São Paulo, que registrou aumento das notificações entre agosto e setembro de 2025. O cenário rapidamente ganhou proporção e passou a exigir uma resposta coordenada das autoridades de saúde.

O metanol é um solvente utilizado principalmente em produtos industriais e não deve ser ingerido. Quando entra no organismo, pode provocar intoxicação grave, com alterações visuais, cegueira permanente, coma e até morte. Um dos principais riscos é que os sintomas podem aparecer horas depois do consumo, dificultando a associação imediata entre a bebida e o quadro de saúde.

Com a multiplicação das notificações, o caso deixou de ser uma preocupação restrita a São Paulo. Em outubro, outros estados começaram a registrar casos confirmados e suspeitos, enquanto autoridades ampliavam a fiscalização de bebidas e investigavam a origem dos produtos contaminados. Em 10 de outubro de 2025, o Ministério da Saúde contabilizava 246 notificações, sendo 29 casos confirmados e 217 em investigação.

A gravidade do cenário levou o Ministério da Saúde a criar, em outubro, uma Sala de Situação Nacional para acompanhar a ocorrência. A estrutura passou a concentrar informações dos estados e a organizar medidas relacionadas à vigilância, diagnóstico, tratamento e distribuição de antídotos para os casos suspeitos e confirmados.

O número de vítimas continuou crescendo ao longo daquele mês. Em 24 de outubro, o balanço nacional apontava 58 casos confirmados e 15 mortes relacionadas à intoxicação por metanol. São Paulo concentrava 44 dos casos confirmados e 9 dos óbitos naquele momento. Também havia registros confirmados em Pernambuco, Paraná, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Tocantins.

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E EM PIRACICABA?

Piracicaba também entrou no mapa das investigações. Em outubro de 2025, a cidade teve dois casos suspeitos de intoxicação por metanol. Segundo a Prefeitura, porém, os dois foram posteriormente descartados após análises clínicas e epidemiológicas, e o município não registrava caso confirmado naquele momento.

A preocupação fez Piracicaba reforçar a fiscalização. Em 9 de outubro, a Vigilância Sanitária, o Procon e a Guarda Civil Municipal realizaram uma operação conjunta em bares, restaurantes e boates. As equipes passaram por 28 estabelecimentos em diferentes bairros e fizeram oito autuações, incluindo situações relacionadas à falta de nota fiscal de bebidas destiladas.

Mas a cidade voltou a aparecer nas atualizações do caso semanas depois. Em 20 de outubro, um dos óbitos ainda investigados no Estado de São Paulo era de uma pessoa de Piracicaba, de 49 anos. Naquele balanço, o Estado tinha 57 casos de intoxicação, seis mortes confirmadas e 19 ocorrências ainda em investigação.

Enquanto as investigações avançavam, as autoridades também intensificaram as ações contra a circulação de bebidas suspeitas. Em São Paulo, por exemplo, milhares de garrafas e rótulos foram apreendidos durante as operações. A Anvisa também coordenou ações com vigilâncias sanitárias, forças de segurança e outros órgãos para identificar, recolher e testar produtos que poderiam estar contaminados.

O tratamento das vítimas também exigiu uma resposta emergencial. O Ministério da Saúde buscou ampliar a disponibilidade de antídotos, como o fomepizol e o etanol farmacêutico, utilizados no atendimento de pessoas intoxicadas. A rapidez no diagnóstico e no início do tratamento é considerada fundamental para reduzir o risco de sequelas graves.

Ao final do período de emergência, os números mostraram a dimensão do episódio. Entre setembro e dezembro de 2025, foram registradas 890 notificações relacionadas à intoxicação por metanol no país; 73 casos foram confirmados e 22 mortes foram atribuídas à intoxicação. São Paulo ficou entre os estados mais atingidos, com 50 casos confirmados e dez óbitos segundo o balanço consolidado citado em relatório epidemiológico.

A Sala de Situação Nacional foi desativada em dezembro de 2025, após a redução expressiva dos novos casos e o retorno do cenário epidemiológico à estabilidade. Desde então, as suspeitas voltaram a ser acompanhadas pelos mecanismos regulares de vigilância. O principal alerta permanece: bebidas alcoólicas de procedência duvidosa podem representar um risco grave, e sintomas como visão turva, dor de cabeça intensa, náuseas, vômitos e alterações neurológicas após o consumo exigem procura imediata por atendimento médico.

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