Receber uma ligação indesejada pode se tornar menos comum com uma mudança que já está sendo adotada pelas principais operadoras brasileiras. Em vez de deixar a chamada chegar ao celular para que o usuário decida se atende ou não, os sistemas de proteção podem identificar determinados padrões de tráfego e interromper a ligação ainda na rede. A estratégia é voltada principalmente a chamadas massivas, abusivas e potencialmente fraudulentas.
A Claro passou a oferecer o Chamada Segura, ferramenta que analisa o comportamento dos números e pode bloquear chamadas associadas a um volume elevado de ligações. O recurso é gratuito e a ativação ocorre automaticamente para os clientes, que também podem optar por desativá-lo. A Vivo já utiliza mecanismo semelhante, enquanto a TIM prepara uma solução própria para o bloqueio.
A expansão desses sistemas ocorre após a Anatel estabelecer princípios para a utilização de mecanismos automáticos de filtragem pelas prestadoras. Entre os critérios definidos pela agência estão proporcionalidade, transparência, possibilidade de auditoria, reversibilidade e tratamento igualitário. A proposta é permitir o combate ao uso abusivo das redes sem criar um bloqueio indiscriminado de chamadas legítimas.
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Por que o telemarketing está preocupado?

A adoção dos filtros também provocou reação entre empresas que dependem das ligações para atendimento, relacionamento e contato com consumidores. A Associação Brasileira de Telesserviços (ABT) pediu à Anatel que reveja as regras e defendeu a participação do setor na discussão sobre os critérios utilizados para determinar quais chamadas devem ser interrompidas.
Uma das preocupações da entidade é que parâmetros muito abrangentes possam atingir empresas que realizam chamadas legítimas. A associação questiona, por exemplo, a possibilidade de utilizar informações relacionadas à atividade econômica ou ao CNAE do responsável pelas ligações como elemento de análise. Também defende a utilização do Stir/Shaken, tecnologia criada para ajudar a verificar a origem das chamadas.
Pelas regras da Anatel, chamadas bloqueadas devem contar com um procedimento de contestação. Caso uma empresa entenda que seus contatos foram interrompidos de maneira indevida, poderá solicitar uma revisão à operadora, que terá prazo de até dez dias corridos para analisar o pedido e responder ou efetuar o desbloqueio. Com isso, o desafio passa a ser encontrar um equilíbrio entre reduzir ligações abusivas e preservar comunicações legítimas.