ELAS CONVERSAM?

Capivaras de Piracicaba 'falam': descubra o que elas querem dizer

Por Alyson Rodrigues / JP |
| Tempo de leitura: 1 min
Alyson Rodrigues / JP
Quem já observou um grupo de capivaras provavelmente percebeu que os animais não ficam completamente em silêncio.
Quem já observou um grupo de capivaras provavelmente percebeu que os animais não ficam completamente em silêncio.

Quem já observou um grupo de capivaras provavelmente percebeu que os animais não ficam completamente em silêncio. Elas podem emitir diferentes sons e utilizam vocalizações para interagir entre si.

Por trás da aparência silenciosa existe um sistema de comunicação mais complexo do que muita gente imagina.

Pesquisadores já identificaram diferentes tipos de vocalização produzidos pela espécie Hydrochoerus hydrochaeris. Um estudo publicado na revista científica Ethology analisou mais de 2 mil vocalizações de capivaras e identificou sete tipos de chamados.

Entre eles estão assobios, choros, gemidos, guinchos, latidos, estalos e o chamado “tooth-chattering”, associado ao bater dos dentes.

Existe um “alarme” contra perigos

Uma das funções mais importantes da comunicação é alertar o grupo.

Quando uma capivara identifica uma ameaça, pode emitir uma vocalização de alarme. Os demais integrantes podem reagir rapidamente, interrompendo a alimentação ou se deslocando em direção à água.

O mecanismo é especialmente importante porque as capivaras vivem em grupos e precisam coordenar o comportamento diante de predadores.

A estratégia também ajuda a explicar por que uma capivara aparentemente distraída pode reagir repentinamente a algo que humanos próximos nem perceberam.


VEJA MAIS:


  • Clique aqui e receba, gratuitamente, as principais notícias da cidade, no seu WhatsApp, em tempo real. 

Filhotes são ainda mais “falantes”

O comportamento vocal não é exclusivo dos adultos.

Segundo o Animal Diversity Web, os filhotes vocalizam com frequência, enquanto os adultos também utilizam comunicação sonora nas interações sociais.

Isso é importante para manter contato entre indivíduos, especialmente quando o grupo está se movimentando ou quando há separação momentânea.

Elas reconhecem o próprio grupo?

O estudo publicado em Ethology encontrou uma informação ainda mais curiosa.

Os pesquisadores observaram diferenças nos chamados de estalo produzidos por adultos pertencentes a diferentes grupos sociais.

A descoberta sugere que a vocalização pode ter papel importante na identificação e organização das relações dentro dos grupos.

Em outras palavras, a comunicação das capivaras não serve apenas para avisar que existe perigo.

Ela também participa da vida social.

O grupo também ajuda a identificar ameaças

Viver em grupo tem outra vantagem: mais olhos e ouvidos atentos.

Enquanto algumas capivaras se alimentam, outras podem perceber alterações no ambiente. Diante de uma ameaça, os chamados podem provocar uma reação coletiva.

A água novamente aparece como um recurso fundamental.

Ao ouvir um sinal de alerta, os animais podem correr para o corpo d'água mais próximo, onde conseguem nadar e permanecer parcialmente escondidos.

Nem todo som significa a mesma coisa

Por isso, é errado afirmar que existe apenas um “grito da capivara”.

Os estudos identificam diferentes vocalizações relacionadas a contextos distintos, como contato, alarme, estresse e interações agonísticas.

Ainda há muito a descobrir sobre o significado exato de todos esses sons.

O que já se sabe, entretanto, é suficiente para derrubar a imagem de que a capivara é simplesmente um animal quieto que passa o dia pastando.

Ela pode estar literalmente se comunicando com o grupo enquanto parece apenas estar parada às margens do rio.

Comentários

Comentários