O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reafirmou na quinta-feira (10) sua confiança no diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, em meio à crise envolvendo o comando da corporação e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Em entrevista ao SBT, Lula defendeu a permanência do delegado e afirmou que eventuais erros devem ser apurados e julgados pelas autoridades competentes.
A manifestação ocorreu dois dias após o ministro André Mendonça determinar o afastamento cautelar de Rodrigues e do diretor de Inteligência Policial da PF, Leandro Almada da Costa. A decisão foi tomada no contexto de uma investigação relacionada ao Banco Master e após Mendonça apontar que teria sido alvo de monitoramento pela inteligência da Polícia Federal.
O afastamento, porém, durou pouco. Na quarta-feira (9), o ministro Flávio Dino determinou a reintegração de Rodrigues ao cargo, além do retorno de Almada. A decisão de Dino mencionou questões processuais relacionadas à medida de Mendonça, enquanto a análise do afastamento pela Segunda Turma do STF havia sido interrompida após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.
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Relatórios de inteligência estão no centro da crise

A controvérsia teve origem na produção de relatórios de inteligência da PF que, segundo Mendonça, analisaram sua atuação e sua relação com o então advogado-geral da União, Jorge Messias. O ministro afirmou que pelo menos seis documentos foram produzidos entre 3 e 31 de agosto e considerou que a situação justificava o afastamento preventivo dos integrantes da cúpula da corporação.
Na entrevista, Lula também destacou a trajetória profissional de Andrei Rodrigues e atribuiu ao diretor-geral experiência de mais de três décadas na Polícia Federal. O presidente citou ainda operações conduzidas durante sua gestão à frente da corporação e relacionou sua atuação a investigações envolvendo o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro.
A defesa pública de Lula ocorre em um momento de forte tensão entre integrantes do STF, a Polícia Federal e o governo federal. A sequência de decisões sobre Rodrigues, somada aos desdobramentos do caso Master, ampliou a crise institucional que envolve diferentes ministros da Corte e deve continuar sendo analisada pelo Supremo nos próximos dias.