Quem passa pelas margens do Rio Piracicaba, especialmente por regiões como a Avenida Cruzeiro do Sul e o Parque da Rua do Porto, já está acostumado a encontrar uma cena que virou parte da paisagem da cidade: grupos de capivaras descansando na grama, próximas à água ou circulando pelas áreas verdes.
No Parque da Rua do Porto, a Prefeitura estima atualmente a presença de cerca de 50 animais. Núcleos de capivaras também são monitorados nas proximidades da Avenida Cruzeiro do Sul.
Mas, por trás da aparência pacata, o maior roedor do mundo possui hábitos bastante particulares para sobreviver. E algumas das características desses animais que podem ser observados em Piracicaba são pouco conhecidas pela população.
A espécie Hydrochoerus hydrochaeris é semiaquática e depende da proximidade com a água para diversas atividades. O ambiente aquático ajuda o animal a controlar a temperatura corporal, escapar de predadores e se deslocar.
As capivaras também são excelentes nadadoras. Quando percebem uma ameaça, podem correr em direção à água e permanecer parcialmente escondidas, deixando apenas os olhos e as narinas acima da superfície. Segundo o Brasília Ambiental, elas conseguem ficar completamente submersas por até cinco minutos.
Isso ajuda a explicar por que rios, lagoas e áreas alagadas são tão importantes para a espécie — e também por que as margens do Rio Piracicaba oferecem condições favoráveis para a presença desses animais.

O que uma capivara come?
Apesar do tamanho impressionante, o cardápio das capivaras é composto principalmente por vegetais. Gramíneas, capim, plantas rasteiras e vegetação aquática fazem parte da alimentação.
Em períodos de seca, elas podem se tornar menos seletivas e consumir plantas que apresentam menor valor nutritivo.
Mas existe uma curiosidade que costuma surpreender quem observa esses animais: capivaras também comem as próprias fezes.
O comportamento, chamado de coprofagia, faz parte da estratégia digestiva do animal. Ao reingerir determinadas fezes, a capivara consegue aproveitar melhor nutrientes e microrganismos produzidos durante o processo de digestão.
Não é, portanto, um comportamento relacionado à falta de alimento, mas uma adaptação do sistema digestivo.
A capivara realmente dorme na água?
A resposta exige cuidado. As capivaras passam bastante tempo dentro da água, principalmente durante os períodos mais quentes, mas não significa que tenham o hábito de passar a noite dormindo completamente submersas.
O que ocorre é que podem permanecer na água para reduzir o calor corporal e se proteger. Em situações de ameaça, também conseguem submergir durante alguns minutos.
Durante as horas mais quentes, esse comportamento se torna especialmente importante porque o corpo robusto da capivara favorece o ganho de calor.
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E onde elas ficam quando não estão na água?
As capivaras utilizam áreas próximas aos corpos d'água para descansar, se alimentar e circular. O comportamento varia conforme o ambiente, a presença de predadores e a interferência humana.
A espécie pode apresentar atividade durante diferentes horários, mas é comum maior movimentação no crepúsculo e à noite, especialmente em locais onde sofre pressão ou perturbação.
Em Piracicaba, a proximidade entre áreas verdes e o Rio Piracicaba permite que os animais encontrem diferentes espaços para essas atividades. A presença de capivaras é registrada em diferentes pontos do município, e a Prefeitura mantém monitoramento de alguns desses núcleos.
Uma família que vive em grupo
Outra característica marcante é o comportamento social.
Capivaras não costumam viver isoladas. Os grupos podem reunir vários indivíduos, incluindo adultos e filhotes, e apresentam organização social.
A vida em grupo oferece vantagens para a espécie, principalmente na identificação de ameaças. Enquanto alguns animais se alimentam, outros podem permanecer atentos ao ambiente.
Quando um perigo é percebido, a capivara pode emitir vocalizações de alerta e fazer com que outros integrantes do grupo reajam.
É uma das razões pelas quais uma cena aparentemente tranquila de várias capivaras pastando pode mudar rapidamente quando surge um predador ou outra ameaça.

Um animal muito maior do que parece
A fama de “fofa” não diminui o tamanho impressionante da espécie.
Uma capivara adulta pode atingir cerca de 1,3 metro de comprimento e pesar dezenas de quilos. Dados indicam uma faixa de 20 a 80 quilos, com possibilidade de indivíduos ainda mais pesados.
É justamente esse tamanho que garante à capivara o título de maior roedor vivente do planeta.
E, apesar da aparência tranquila, ela está longe de ser um animal indefeso. Sua estratégia de sobrevivência combina tamanho, velocidade, vida em grupo e, principalmente, a capacidade de utilizar a água como refúgio.
Em uma cidade como Piracicaba, onde o rio faz parte da paisagem e da rotina da população, observar uma capivara descansando à margem pode parecer uma cena simples. Mas aquele animal carrega uma série de adaptações que explicam como conseguiu transformar ambientes próximos à água em seu território.
É justamente por isso que, por trás da imagem tranquila das capivaras que circulam pela Cruzeiro do Sul, pelo Parque da Rua do Porto e por outras áreas próximas ao rio, existe uma vida muito mais complexa do que parece.