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Nova regra muda segurança do Wi-Fi no Brasil; VEJA

Por Redação/JP1 |
| Tempo de leitura: 4 min
Imagem gereda por iA
Uma senha aparentemente inofensiva pode ser a porta de entrada para invasões em dispositivos conectados à internet.
Uma senha aparentemente inofensiva pode ser a porta de entrada para invasões em dispositivos conectados à internet.

Uma senha aparentemente inofensiva pode ser a porta de entrada para invasões em dispositivos conectados à internet. Para reduzir esse risco, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) estabeleceu regras que mudaram a forma como fabricantes devem configurar roteadores e outros equipamentos de telecomunicações vendidos no Brasil.

Em vigor para novos produtos homologados desde 2021, o Ato nº 77 impede práticas como a utilização de uma mesma senha inicial em todos os aparelhos de determinado modelo. Combinações previsíveis, como “admin” e “123456”, estão entre os exemplos do tipo de vulnerabilidade que a regulamentação busca combater.

A medida, porém, não se limita aos roteadores. Equipamentos como câmeras conectadas à internet, celulares, televisores inteligentes e outros dispositivos também estão sujeitos a requisitos de segurança.

Por que a senha “admin” virou um problema?

Durante anos, muitos equipamentos chegavam ao consumidor com credenciais praticamente idênticas. Bastava descobrir o modelo do aparelho para que um invasor pudesse tentar combinações conhecidas e acessar o painel de configuração.

O problema se torna ainda maior quando o proprietário mantém a senha original por meses ou anos. Ataques automatizados podem testar milhares de combinações contra dispositivos expostos na internet, transformando credenciais de fábrica em um dos caminhos mais simples para uma invasão.

A regulamentação da Anatel procura justamente dificultar esse tipo de ataque.


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O que os fabricantes precisam fazer?

Entre as principais exigências estão a proibição de senhas iniciais iguais para todos os equipamentos de um mesmo modelo e a vedação ao uso de credenciais fixas incorporadas diretamente ao software.

Na prática, isso significa que o fabricante não pode simplesmente colocar uma combinação universal de usuário e senha em toda a linha de aparelhos.

Outra exigência importante é que o equipamento obrigue o consumidor a alterar a senha inicial durante a primeira configuração, antes de permitir acesso completo às funções administrativas.

A ideia é eliminar uma vulnerabilidade que, no passado, dependia apenas de o usuário esquecer ou não saber que deveria alterar a senha.

Quais aparelhos precisam seguir as exigências?

A regra alcança uma variedade de equipamentos conectados a redes de telecomunicações, e não apenas os roteadores domésticos.

Entre os principais exemplos estão:

  • Celulares, smart TVs e assistentes virtuais, que também possuem conexão com a internet e podem armazenar informações do usuário.
  • Câmeras IP e babás eletrônicas, que podem apresentar riscos adicionais quando permanecem protegidas por credenciais previsíveis.
  • Modems e roteadores, responsáveis por conectar residências e empresas à internet e frequentemente procurados por ataques automatizados.

O alcance da norma mostra que a preocupação não está apenas na rede Wi-Fi, mas no conjunto de dispositivos que permanece conectado a ela.

Como descobrir se o seu roteador está protegido?

Quem possui um aparelho antigo não deve presumir que ele esteja automaticamente enquadrado nas mesmas exigências dos modelos novos.

Uma das primeiras medidas é verificar como foi feita a configuração inicial do equipamento. Se o roteador exigiu a criação de uma senha exclusiva antes de liberar o acesso às configurações, isso é um indicativo positivo.

Também é possível conferir o modelo e a data de fabricação na etiqueta do aparelho e consultar as informações fornecidas pelo fabricante.

Outro ponto importante é verificar se existem atualizações de firmware disponíveis. Um equipamento que deixou de receber correções de segurança há vários anos pode representar um risco maior, independentemente da senha utilizada.

A regra também exige atualizações de segurança

O Ato nº 77 não trata apenas das credenciais de acesso. A regulamentação estabelece requisitos relacionados à manutenção da segurança dos produtos após sua chegada ao mercado.

Entre eles está a obrigação de disponibilizar atualizações de segurança por pelo menos dois anos após o lançamento do produto ou enquanto ele permanecer comercializado, considerando o período que for maior.

O texto também prevê mecanismos relacionados à atualização automática, à verificação da integridade do software durante a inicialização e à existência de um canal público de suporte em português para comunicação de vulnerabilidades.

Caso falhas de segurança identificadas não sejam devidamente corrigidas, o fabricante pode sofrer consequências relacionadas à homologação do equipamento.

Preciso trocar meu roteador antigo?

Não necessariamente. A existência da regulamentação não significa que roteadores antigos tenham se tornado proibidos ou precisem ser imediatamente substituídos. O principal problema é que aparelhos mais antigos podem não contar com as mesmas garantias de suporte e atualização exigidas para produtos novos.

A troca passa a ser especialmente interessante quando o equipamento já tem vários anos de uso, deixou de receber atualizações ou apresenta limitações de segurança.

Enquanto um novo aparelho não é adquirido, alterar a senha administrativa do roteador para uma combinação forte e exclusiva é uma medida importante para reduzir os riscos.

Seu Wi-Fi pode estar vulnerável sem você perceber

A regra da Anatel representa uma mudança importante na segurança dos equipamentos conectados, mas ela não elimina a responsabilidade do usuário.

Uma senha forte, atualizações instaladas e a substituição de equipamentos que ficaram sem suporte continuam sendo medidas essenciais.

Por isso, vale conferir hoje mesmo as configurações do roteador. Se a administração do aparelho ainda puder ser acessada com uma senha genérica ou previsível, é recomendável alterá-la imediatamente.

A diferença entre uma rede mais protegida e uma vulnerabilidade pode estar justamente em uma senha que nunca foi modificada.

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