EM PIRACICABA

'Sabiam até o nome do gerente!': aposentado perde 16 mil em golpe

Por Alyson Rodrigues/JP |
| Tempo de leitura: 6 min
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Uma ligação aparentemente comum pode terminar em um grande prejuízo financeiro.
Uma ligação aparentemente comum pode terminar em um grande prejuízo financeiro.

Uma ligação aparentemente comum pode terminar em um grande prejuízo financeiro. O golpe da falsa central bancária utiliza telefonemas e mensagens que imitam o atendimento de instituições financeiras para convencer vítimas de que existe algum problema urgente em suas contas.

Os criminosos podem afirmar que identificaram uma compra suspeita, uma tentativa de acesso à conta ou uma movimentação fora do padrão. A partir daí, conduzem a vítima durante a conversa para conseguir informações, realizar operações ou contratar serviços financeiros em seu nome.

Em alguns casos, a abordagem começa antes mesmo da ligação, por meio de mensagens no WhatsApp, SMS ou outros aplicativos.

Como o golpe funciona

A fraude geralmente começa com um contato inesperado. O criminoso se apresenta como funcionário do banco e utiliza uma linguagem semelhante à empregada pelos atendentes das instituições financeiras.

Para aumentar a credibilidade, os golpistas podem demonstrar conhecimento sobre a vítima e mencionar informações verdadeiras, como nome, banco utilizado, agência ou até mesmo o nome de funcionários da instituição.

Depois, apresentam um suposto problema e afirmam que é necessário realizar algum procedimento para proteger a conta.

O pedido pode envolver senhas, códigos recebidos por SMS, informações pessoais, instalação de aplicativos ou transferências de dinheiro.

Uma das estratégias utilizadas é convencer a vítima de que o dinheiro precisa ser enviado para uma suposta "conta segura" enquanto o problema é resolvido.

Na realidade, a transferência pode ser direcionada diretamente para os criminosos.

Caso real: aposentado de Piracicaba perde R$ 16 mil em golpe

O perigo desse tipo de fraude pode ser percebido no caso de Walter José, de 73 anos, morador da Vila Rezende, em Piracicaba.

O aposentado foi alvo de uma abordagem que começou pelo WhatsApp e terminou com a contratação de um empréstimo consignado de R$ 16 mil em seu nome, utilizando como referência sua aposentadoria.

Segundo o relato de Walter, os criminosos inicialmente entraram em contato pelo WhatsApp utilizando o nome e a foto do banco que ele utiliza. A estratégia fez com que a conversa parecesse uma comunicação oficial da instituição.

Depois de algum tempo, os golpistas telefonaram para o aposentado. Durante a ligação, um dos criminosos teria se apresentado utilizando o nome verdadeiro do gerente do banco de Walter.

A utilização de informações reais fez com que a abordagem parecesse legítima.

"Eles sabiam até o nome do meu gerente. Como eu ia imaginar que não era o banco?"

A partir da conversa, os criminosos conseguiram convencer o aposentado de que a situação exigia algum tipo de procedimento. O resultado foi a realização de um empréstimo consignado de R$ 16 mil em nome de Walter.

"Primeiro falaram comigo pelo WhatsApp, usando a foto e o nome do banco. Depois me ligaram e falaram o nome do meu gerente. Tudo parecia verdadeiro."

O caso também demonstra como informações verdadeiras podem ser utilizadas pelos criminosos para construir uma fraude convincente.

"Eles tinham informações que eu achava que somente o banco poderia ter. Por isso, eu não desconfiei que estava falando com golpistas."

O aposentado só percebeu a dimensão do problema depois que descobriu que havia uma operação financeira realizada em seu nome.

"Quando percebi que tinham feito um empréstimo no meu nome, de R$ 16 mil, foi um desespero. O dinheiro estava ligado à minha aposentadoria."


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Reconhecimento facial também pode ser usado na fraude

O pedido para fotografar o rosto merece atenção especial.

Criminosos podem apresentar o reconhecimento facial como uma etapa necessária para "cancelar uma compra", "bloquear uma conta", "confirmar a identidade" ou "impedir um empréstimo". A vítima, acreditando estar protegendo o próprio dinheiro, acaba seguindo as instruções.

O problema é que uma imagem facial é um dado biométrico e pode ter consequências diferentes de uma senha: enquanto uma senha pode ser alterada, o rosto de uma pessoa não pode simplesmente ser trocado.

Por isso, o consumidor deve ter cuidado redobrado antes de realizar qualquer procedimento de reconhecimento facial iniciado a partir de uma ligação ou conversa inesperada.

Os principais sinais de alerta

Apesar de os golpes estarem cada vez mais sofisticados, algumas características podem ajudar a identificar uma tentativa de fraude.

Entre os principais sinais estão:

  • pedido de senha, código ou informações bancárias;
  • solicitação para instalar aplicativos;
  • orientação para realizar transferências;
  • pedido de acesso remoto ao celular ou computador;
  • ameaça de bloqueio imediato da conta;
  • pressão para tomar uma decisão rapidamente;
  • ligação inesperada sobre uma suposta movimentação financeira.

A existência de informações verdadeiras também não significa que o contato seja legítimo. Como mostra o caso de Walter, criminosos podem utilizar dados da vítima para tornar a história mais convincente.

Como evitar o golpe

1. Nunca informe senhas ou códigos

Instituições financeiras não devem solicitar que o cliente revele senhas ou códigos de segurança durante uma ligação inesperada.

2. Não instale aplicativos indicados pelo suposto funcionário

Um criminoso pode tentar convencer a vítima a instalar um aplicativo para supostamente "proteger" a conta ou permitir que o atendente faça uma verificação.

A instalação pode permitir o acesso indevido ao aparelho ou facilitar novas fraudes.

3. Desconfie de pedidos urgentes

Frases como "faça agora", "sua conta será bloqueada" ou "precisamos resolver imediatamente" são utilizadas para impedir que a vítima tenha tempo de verificar a informação.

4. Não transfira dinheiro para uma conta de segurança

Se alguém disser que você precisa transferir seu dinheiro para protegê-lo, encerre o contato e procure o banco diretamente.

5. Não confie apenas no número que aparece no celular

O número exibido durante uma ligação não é garantia de que a chamada realmente partiu da instituição.

6. Procure o banco por conta própria

Se receber uma ligação ou mensagem suspeita, desligue e abra o aplicativo oficial do banco ou procure o telefone presente no cartão ou no site oficial da instituição.

Nunca utilize um número fornecido pelo próprio suspeito para confirmar a história.

E se você caiu no golpe?

Quem percebe que foi vítima de uma fraude deve agir rapidamente.

O primeiro passo é entrar em contato com o banco pelos canais oficiais e informar o ocorrido. Caso tenha ocorrido uma transferência ou contratação indevida, solicite as providências cabíveis e registre uma reclamação formal.

Também é importante guardar:

  • prints das conversas;
  • números de telefone;
  • comprovantes de transações;
  • documentos recebidos;
  • horários das ligações;
  • nomes utilizados pelos criminosos;
  • links enviados;
  • demais informações relacionadas ao contato.

O registro de um boletim de ocorrência também pode ajudar na documentação do caso.

No caso de empréstimos consignados não reconhecidos, a vítima deve comunicar imediatamente a instituição financeira responsável e contestar a operação.

O caso de Walter serve de alerta para uma situação que pode atingir qualquer pessoa: uma ligação convincente, uma foto de banco no WhatsApp e até o nome verdadeiro de um gerente não são suficientes para comprovar que o contato é legítimo.

Antes de fornecer qualquer informação ou realizar uma operação financeira, a recomendação é simples: pare, desligue e procure o banco por um canal oficial.

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