Uma ligação aparentemente comum pode terminar em um grande prejuízo financeiro. O golpe da falsa central bancária utiliza telefonemas e mensagens que imitam o atendimento de instituições financeiras para convencer vítimas de que existe algum problema urgente em suas contas.
Os criminosos podem afirmar que identificaram uma compra suspeita, uma tentativa de acesso à conta ou uma movimentação fora do padrão. A partir daí, conduzem a vítima durante a conversa para conseguir informações, realizar operações ou contratar serviços financeiros em seu nome.
Em alguns casos, a abordagem começa antes mesmo da ligação, por meio de mensagens no WhatsApp, SMS ou outros aplicativos.
Como o golpe funciona
A fraude geralmente começa com um contato inesperado. O criminoso se apresenta como funcionário do banco e utiliza uma linguagem semelhante à empregada pelos atendentes das instituições financeiras.
Para aumentar a credibilidade, os golpistas podem demonstrar conhecimento sobre a vítima e mencionar informações verdadeiras, como nome, banco utilizado, agência ou até mesmo o nome de funcionários da instituição.
Depois, apresentam um suposto problema e afirmam que é necessário realizar algum procedimento para proteger a conta.
O pedido pode envolver senhas, códigos recebidos por SMS, informações pessoais, instalação de aplicativos ou transferências de dinheiro.
Uma das estratégias utilizadas é convencer a vítima de que o dinheiro precisa ser enviado para uma suposta "conta segura" enquanto o problema é resolvido.
Na realidade, a transferência pode ser direcionada diretamente para os criminosos.
Caso real: aposentado de Piracicaba perde R$ 16 mil em golpe
O perigo desse tipo de fraude pode ser percebido no caso de Walter José, de 73 anos, morador da Vila Rezende, em Piracicaba.
O aposentado foi alvo de uma abordagem que começou pelo WhatsApp e terminou com a contratação de um empréstimo consignado de R$ 16 mil em seu nome, utilizando como referência sua aposentadoria.
Segundo o relato de Walter, os criminosos inicialmente entraram em contato pelo WhatsApp utilizando o nome e a foto do banco que ele utiliza. A estratégia fez com que a conversa parecesse uma comunicação oficial da instituição.
Depois de algum tempo, os golpistas telefonaram para o aposentado. Durante a ligação, um dos criminosos teria se apresentado utilizando o nome verdadeiro do gerente do banco de Walter.
A utilização de informações reais fez com que a abordagem parecesse legítima.
"Eles sabiam até o nome do meu gerente. Como eu ia imaginar que não era o banco?"
A partir da conversa, os criminosos conseguiram convencer o aposentado de que a situação exigia algum tipo de procedimento. O resultado foi a realização de um empréstimo consignado de R$ 16 mil em nome de Walter.
"Primeiro falaram comigo pelo WhatsApp, usando a foto e o nome do banco. Depois me ligaram e falaram o nome do meu gerente. Tudo parecia verdadeiro."
O caso também demonstra como informações verdadeiras podem ser utilizadas pelos criminosos para construir uma fraude convincente.
"Eles tinham informações que eu achava que somente o banco poderia ter. Por isso, eu não desconfiei que estava falando com golpistas."
O aposentado só percebeu a dimensão do problema depois que descobriu que havia uma operação financeira realizada em seu nome.
"Quando percebi que tinham feito um empréstimo no meu nome, de R$ 16 mil, foi um desespero. O dinheiro estava ligado à minha aposentadoria."
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Reconhecimento facial também pode ser usado na fraude
O pedido para fotografar o rosto merece atenção especial.
Criminosos podem apresentar o reconhecimento facial como uma etapa necessária para "cancelar uma compra", "bloquear uma conta", "confirmar a identidade" ou "impedir um empréstimo". A vítima, acreditando estar protegendo o próprio dinheiro, acaba seguindo as instruções.
O problema é que uma imagem facial é um dado biométrico e pode ter consequências diferentes de uma senha: enquanto uma senha pode ser alterada, o rosto de uma pessoa não pode simplesmente ser trocado.
Por isso, o consumidor deve ter cuidado redobrado antes de realizar qualquer procedimento de reconhecimento facial iniciado a partir de uma ligação ou conversa inesperada.
Os principais sinais de alerta
Apesar de os golpes estarem cada vez mais sofisticados, algumas características podem ajudar a identificar uma tentativa de fraude.
Entre os principais sinais estão:
- pedido de senha, código ou informações bancárias;
- solicitação para instalar aplicativos;
- orientação para realizar transferências;
- pedido de acesso remoto ao celular ou computador;
- ameaça de bloqueio imediato da conta;
- pressão para tomar uma decisão rapidamente;
- ligação inesperada sobre uma suposta movimentação financeira.
A existência de informações verdadeiras também não significa que o contato seja legítimo. Como mostra o caso de Walter, criminosos podem utilizar dados da vítima para tornar a história mais convincente.
Como evitar o golpe
1. Nunca informe senhas ou códigos
Instituições financeiras não devem solicitar que o cliente revele senhas ou códigos de segurança durante uma ligação inesperada.
2. Não instale aplicativos indicados pelo suposto funcionário
Um criminoso pode tentar convencer a vítima a instalar um aplicativo para supostamente "proteger" a conta ou permitir que o atendente faça uma verificação.
A instalação pode permitir o acesso indevido ao aparelho ou facilitar novas fraudes.
3. Desconfie de pedidos urgentes
Frases como "faça agora", "sua conta será bloqueada" ou "precisamos resolver imediatamente" são utilizadas para impedir que a vítima tenha tempo de verificar a informação.
4. Não transfira dinheiro para uma conta de segurança
Se alguém disser que você precisa transferir seu dinheiro para protegê-lo, encerre o contato e procure o banco diretamente.
5. Não confie apenas no número que aparece no celular
O número exibido durante uma ligação não é garantia de que a chamada realmente partiu da instituição.
6. Procure o banco por conta própria
Se receber uma ligação ou mensagem suspeita, desligue e abra o aplicativo oficial do banco ou procure o telefone presente no cartão ou no site oficial da instituição.
Nunca utilize um número fornecido pelo próprio suspeito para confirmar a história.
E se você caiu no golpe?
Quem percebe que foi vítima de uma fraude deve agir rapidamente.
O primeiro passo é entrar em contato com o banco pelos canais oficiais e informar o ocorrido. Caso tenha ocorrido uma transferência ou contratação indevida, solicite as providências cabíveis e registre uma reclamação formal.
Também é importante guardar:
- prints das conversas;
- números de telefone;
- comprovantes de transações;
- documentos recebidos;
- horários das ligações;
- nomes utilizados pelos criminosos;
- links enviados;
- demais informações relacionadas ao contato.
O registro de um boletim de ocorrência também pode ajudar na documentação do caso.
No caso de empréstimos consignados não reconhecidos, a vítima deve comunicar imediatamente a instituição financeira responsável e contestar a operação.
O caso de Walter serve de alerta para uma situação que pode atingir qualquer pessoa: uma ligação convincente, uma foto de banco no WhatsApp e até o nome verdadeiro de um gerente não são suficientes para comprovar que o contato é legítimo.
Antes de fornecer qualquer informação ou realizar uma operação financeira, a recomendação é simples: pare, desligue e procure o banco por um canal oficial.