El NIÑO

Super El Niño pode intensificar calor e estiagem em São Paulo

Por Vitória Duarte | JP1 |
| Tempo de leitura: 4 min
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Possível Super El Niño pode elevar as temperaturas e agravar períodos de estiagem em São Paulo entre o fim de 2026 e o início de 2027.
Possível Super El Niño pode elevar as temperaturas e agravar períodos de estiagem em São Paulo entre o fim de 2026 e o início de 2027.

O possível fortalecimento do El Niño em 2026, com previsão de um evento de intensidade elevada, acende um alerta para os impactos sobre as temperaturas, as chuvas, a agricultura e o meio ambiente. Modelos científicos indicam que o fenômeno pode atingir sua força máxima entre o fim deste ano e o início de 2027.

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O El Niño é um fenômeno natural de variabilidade climática caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico. A alteração não fica restrita ao oceano: ela modifica padrões da circulação atmosférica e pode influenciar a distribuição das chuvas e das temperaturas em diferentes partes do planeta.

Durante sua atuação, algumas regiões podem registrar temperaturas acima da média e períodos de chuva mais intensa, enquanto outras enfrentam estiagens e temperaturas elevadas. Após o ciclo do fenômeno, as condições tendem a retornar à neutralidade.

Impactos para São Paulo

No Estado de São Paulo, um dos principais efeitos esperados está relacionado às temperaturas. A atuação de um El Niño forte pode favorecer temperaturas acima da média, ondas de calor e períodos de estiagem, especialmente entre a primavera e o verão.

A previsão indica possibilidade de temperaturas acima da média em outubro e novembro, período que também marca a transição para a estação chuvosa.

Sob influência do El Niño, temperaturas mais elevadas podem aumentar a demanda evaporativa e contribuir para a perda de umidade do solo. Caso a próxima estação chuvosa atrase ou registre volumes de chuva abaixo do esperado, a situação pode se agravar rapidamente entre a primavera e o verão.

Chuvas podem ficar mais concentradas

De acordo com Germano Chagas, coordenador técnico do projeto ambiental Corredor Caipira, a tendência durante eventos fortes é de mudanças na distribuição das precipitações.

“De modo geral, a tendência é que as chuvas fiquem menos frequentes e mais intensas”, explica.

Segundo Chagas, esse cenário pode provocar consequências para diferentes setores. Na agricultura, a irregularidade das precipitações pode prejudicar o desenvolvimento das culturas. Nas cidades, episódios de chuva intensa podem aumentar o risco de alagamentos.

O especialista também cita a possibilidade de impactos no abastecimento público de água em regiões afetadas por períodos prolongados de estiagem.

Reflexos na agricultura

As mudanças no regime de chuvas e o aumento das temperaturas podem afetar diretamente a produção agrícola. Períodos mais secos, combinados com temperaturas elevadas, aumentam a perda de água do solo e podem dificultar o desenvolvimento das plantações.

Ao mesmo tempo, quando a chuva ocorre de maneira concentrada e intensa, parte da água pode não ser aproveitada adequadamente pelo solo, além de aumentar o risco de erosão e alagamentos.

Para Chagas, o cenário reforça a necessidade de estratégias de adaptação diante da intensificação dos eventos climáticos extremos.

Vegetação nativa ajuda na proteção ambiental

Em um cenário de mudanças climáticas, a recuperação e a conservação da vegetação nativa ganham importância. Segundo o coordenador do Corredor Caipira, a restauração ambiental contribui para a biodiversidade, a proteção dos recursos hídricos e a conservação do solo.

O próprio trabalho de restauração, porém, pode ser prejudicado por eventos climáticos extremos. Mudas plantadas para recuperar áreas degradadas podem apresentar maior mortalidade e dificuldade de desenvolvimento em períodos de calor intenso e falta de chuva.

“O processo de recuperação da vegetação é uma das principais estratégias para conter o avanço das mudanças climáticas”, afirma Chagas.

Projeto atua na região de Piracicaba

O Corredor Caipira: Conectando Paisagens e Pessoas atua na restauração de paisagens e na recuperação de serviços ecossistêmicos, além de desenvolver ações para proteção dos recursos hídricos e favorecer a circulação da fauna entre áreas naturais.

O projeto é realizado pela Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz (Fealq) e pelo Núcleo de Apoio à Cultura e Extensão Universitária em Educação e Conservação Ambiental (Nace-Pteca), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), com patrocínio da Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental.

As ações abrangem os municípios de Piracicaba, São Pedro, Santa Maria da Serra, Águas de São Pedro, Anhembi e Paulínia.

Além do plantio de árvores nativas, o projeto desenvolve iniciativas de comunicação, educação ambiental e políticas públicas voltadas à recuperação e conservação das paisagens.

Efeitos também podem chegar à saúde e ao consumo de energia

Segundo Bruno Bainy, meteorologista do Cepagri/Unicamp, a combinação de temperaturas elevadas e períodos prolongados de calor também pode aumentar a demanda por equipamentos de refrigeração, como aparelhos de ar-condicionado, elevando o consumo de energia elétrica.

"Na saúde, ondas de calor e condições de ar mais seco podem favorecer o agravamento de problemas respiratórios e outros efeitos relacionados à exposição prolongada a temperaturas elevadas. Períodos de estiagem também podem contribuir para o aumento do risco de queimada", disse Bainy.

O cenário reforça a importância do acompanhamento das previsões meteorológicas e climáticas nos próximos meses, especialmente durante a primavera e o verão, quando os efeitos do fenômeno poderão se tornar mais evidentes.

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