O candidato à Presidência da República Renan Santos (Missão) voltou a defender uma postura de confronto com o Supremo Tribunal Federal (STF) caso seja eleito nas eleições de 2026. Em entrevista à rádio BRADO, o presidenciável afirmou que um eventual governo deveria adotar medidas contra decisões de ministros da Corte que ele considere ilegais.
Durante a entrevista, Renan também criticou o ministro Dias Toffoli, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), após uma decisão que havia restringido sua campanha digital e posteriormente foi revertida. Para o candidato, a medida teria sido motivada por uma suposta “vingança” em razão de manifestações promovidas por seu grupo político.
A declaração ocorre em meio às discussões envolvendo o Banco Master e às suspeitas de relações entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e integrantes do Judiciário. Os ministros citados negam irregularidades.
Candidato fala em “guerra” contra o Supremo
Ao comentar uma eventual vitória nas urnas, Renan Santos afirmou que o próximo presidente deveria “interditar o Brasil” até que Toffoli e Alexandre de Moraes deixassem o STF.
O candidato também declarou que, em sua avaliação, o país teria de escolher entre um enfrentamento direto com o Supremo ou, nas palavras dele, o fim da própria República.
Renan, entretanto, não apresentou durante a entrevista detalhes sobre como uma medida desse tipo poderia ser executada nem indicou qual seria a fundamentação jurídica para uma eventual “interdição” do país.
O presidenciável ainda afirmou que decisões de Alexandre de Moraes não deveriam ser reconhecidas pelo Estado brasileiro até que o ministro fosse retirado da Corte.
Ele voltou a sustentar que, se eleito, não cumpriria decisões do STF que classificasse como ilegais. O candidato, porém, não especificou quais decisões poderiam ser enquadradas nessa categoria.
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MBL já fez protestos contra Toffoli
A relação de Renan Santos com críticas ao ministro Dias Toffoli não é recente.
Em janeiro deste ano, o Movimento Brasil Livre (MBL), organização criada por Renan, realizou manifestações em frente à sede do Banco Master, em São Paulo. Os atos pediam o impeachment do ministro após a divulgação de informações sobre uma suposta relação entre Toffoli e Daniel Vorcaro.
Naquele período, Toffoli era o relator do caso envolvendo o Banco Master no STF.
O ministro nega qualquer irregularidade relacionada ao episódio.
As manifestações passaram a integrar o histórico de embates entre o grupo político liderado por Renan e integrantes do Supremo.
Campanha digital chegou a ser suspensa
Durante a entrevista, Renan também comentou a decisão que havia interrompido sua campanha digital.
Dois dias antes, o ministro Dias Toffoli havia voltado atrás e autorizado novamente a campanha digital do candidato, além de permitir repasses e sua participação em debates.
Renan afirmou que a suspensão teria ocorrido em razão de problemas no sistema de registro de candidaturas do Tribunal Superior Eleitoral.
Segundo o candidato, as regras utilizadas pelo TSE não deixariam suficientemente clara a diferença entre informações referentes ao site oficial de uma candidatura e perfis utilizados nas redes sociais.
Ele também afirmou acreditar que o recuo de Toffoli ocorreu depois que o tribunal identificou que milhares de outras candidaturas poderiam ser afetadas por problemas semelhantes.
Candidato questiona regras do TSE
Renan Santos disse ainda que eventuais inconsistências no registro de informações não deveriam resultar na suspensão das campanhas.
Na avaliação apresentada pelo candidato, o próprio sistema eleitoral teria contribuído para a confusão ao não apresentar explicações suficientemente claras sobre os procedimentos.
Ele defendeu que o tribunal corrija eventuais problemas antes de aplicar medidas que possam atingir candidatos de diferentes correntes políticas.
A discussão sobre a campanha digital ocorre paralelamente ao posicionamento de Renan sobre o STF, que tem sido marcado por críticas aos ministros da Corte e pela defesa de uma postura mais confrontadora do Poder Executivo em relação ao Judiciário.
As declarações dadas na entrevista representam a posição do candidato e não alteram, por si só, as competências constitucionais do presidente da República, do Supremo Tribunal Federal ou do Tribunal Superior Eleitoral.