ERRO NO SISTEMA

Menina morta por escorpião é chamada para exame em Piracicaba

Por Redação/JP1 |
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
Foi convocada duas vezes para comparecer pessoalmente a exames médicos do Instituto de Medicina Social e de Criminologia de São Paulo (Imesc).
Foi convocada duas vezes para comparecer pessoalmente a exames médicos do Instituto de Medicina Social e de Criminologia de São Paulo (Imesc).

Jamily Vitória Duarte, criança que morreu aos 5 anos após ser picada por um escorpião em Piracicaba foi convocada duas vezes para comparecer pessoalmente a exames médicos do Instituto de Medicina Social e de Criminologia de São Paulo (Imesc). O problema é que uma decisão judicial já havia determinado que a perícia fosse realizada exclusivamente de forma indireta, com análise de documentos.

O procedimento integra uma ação judicial movida pela família, que busca responsabilização e indenização pela morte da menina. A perícia tem como objetivo avaliar prontuários, documentos médicos e demais registros relacionados ao atendimento recebido por Jamily na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Vila Cristina.

Mesmo com a determinação judicial, o sistema do Imesc registrou dois agendamentos presenciais. Em um dos registros, chegou a constar que a perícia não havia sido realizada porque a "pericianda" não teria comparecido.

O instituto reconheceu que houve uma falha no sistema responsável pelo agendamento e informou que pretende investigar internamente o episódio.

Relembre a morte de Jamily

Jamily foi picada por um escorpião na noite de 11 de agosto de 2023. Após ser levada à UPA Vila Cristina, a criança morreu na manhã do dia seguinte.

A família afirma que houve demora para a aplicação do soro antiescorpiônico e questiona a condução do atendimento médico prestado à menina.

Na época, a unidade era administrada pela Organização Social de Saúde Hospital Mahatma Gandhi. Atualmente, a UPA está sob administração da Prefeitura de Piracicaba.

O caso também foi alvo de investigação criminal. Segundo informações divulgadas pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, o inquérito terminou com o indiciamento de uma médica por homicídio culposo, fraude processual e falsificação de documento público. O procedimento foi encaminhado ao Poder Judiciário.


VEJA MAIS:


  • Clique aqui e receba, gratuitamente, as principais notícias da cidade, no seu WhatsApp, em tempo real. 

Justiça havia determinado perícia documental

A defesa da família afirma que, em 17 de janeiro de 2025, a Justiça de Piracicaba determinou que a avaliação médica fosse feita de maneira indireta, utilizando exclusivamente os documentos disponíveis no processo.

A decisão estabeleceu ainda prazo para a elaboração do laudo.

Apesar disso, o Imesc agendou uma perícia presencial para 16 de outubro de 2025, quando Jamily já havia morrido havia mais de dois anos.

O advogado João Mazzi, representante da família, afirma que a sucessão de agendamentos e tentativas frustradas tem contribuído para atrasar o andamento da ação.

De acordo com a defesa, uma nova determinação judicial foi emitida em 11 de maio de 2026. Na ocasião, o juiz teria reforçado que a perícia deveria ser indireta e documental, sem necessidade de comparecimento da criança.

Mesmo após essa advertência, um novo exame presencial foi programado para 13 de agosto de 2026.

A repetição do agendamento provocou questionamentos da família e da defesa sobre o funcionamento do sistema utilizado pelo instituto.

Imesc admite falha e promete investigação

Procurado sobre os agendamentos, o Imesc informou que identificou uma inconsistência administrativa no sistema de automação utilizado para marcar perícias documentais indiretas.

Segundo o órgão, a plataforma passa por um processo de atualização tecnológica, e o problema deverá ser analisado internamente para identificar a origem da falha e corrigir os registros.

O instituto também afirmou que o laudo referente ao caso de Jamily está sendo produzido por um médico perito a partir da análise dos documentos que integram o processo.

A previsão informada pelo órgão é de que o documento seja concluído na semana seguinte à manifestação.

O que é o Imesc

O Instituto de Medicina Social e de Criminologia de São Paulo é uma autarquia vinculada à Secretaria da Justiça e Cidadania do Estado de São Paulo. O órgão atua na elaboração de laudos e perícias utilizados em processos judiciais e administrativos.

Entre as atividades realizadas estão avaliações relacionadas à área da saúde e exames destinados à investigação de vínculo genético, como testes de DNA.

O instituto também presta atendimento gratuito em determinadas situações, especialmente para pessoas que não têm condições financeiras de contratar uma perícia particular.

Comentários

Comentários