GOLPE NAS REDES

Aluna de direito que ensina a evitar golpes é presa por dar golpe

Por Redação/JP1 |
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
A prisão ocorreu nesta sexta-feira (14), durante a Operação Reflexo, conduzida pela 8ª Delegacia de Polícia (Estrutural).
A prisão ocorreu nesta sexta-feira (14), durante a Operação Reflexo, conduzida pela 8ª Delegacia de Polícia (Estrutural).

Uma estudante de direito de 22 anos, que mantinha nas redes sociais conteúdos com orientações para evitar fraudes virtuais, foi presa preventivamente pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) sob suspeita de integrar um esquema de estelionato eletrônico.

A prisão ocorreu nesta sexta-feira (14), durante a Operação Reflexo, conduzida pela 8ª Delegacia de Polícia (Estrutural). De acordo com as investigações, a jovem e o companheiro vendiam celulares pela internet que, na realidade, não existiam.

A suspeita, identificada como Micaelli Araújo, cursa o 7º semestre de direito e também trabalhava como estagiária em um escritório de advocacia. Nas redes sociais, ela publicava vídeos com supostas orientações para consumidores se protegerem de golpes e até ensinava maneiras de recuperar contas bancárias bloqueadas por suspeitas de fraude.

Para a polícia, a imagem transmitida na internet ajudava a construir uma aparência de credibilidade enquanto o casal colocava em prática o esquema investigado.

Falsa loja servia como cenário

Segundo a PCDF, Micaelli e o companheiro, Rafael dos Santos Damasceno, de 25 anos, criaram uma estrutura para fazer com que os consumidores acreditassem estar negociando com uma empresa legítima.

Os dois teriam utilizado perfis que reproduziam a identidade visual de uma conhecida loja especializada em produtos de telefonia. A estratégia incluía ainda uma espécie de loja falsa montada dentro de um cômodo da residência do casal, em São Paulo.

O espaço foi preparado com caixas vazias de smartphones, embalagens, etiquetas e materiais utilizados para simular o envio das mercadorias.

Os investigadores afirmam que o casal produzia fotos e vídeos dos supostos aparelhos embalados e prontos para entrega. O material era utilizado durante as negociações para convencer os interessados de que os produtos realmente estavam disponíveis.


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Como funcionava a fraude

De acordo com as investigações, o golpe seguia uma sequência planejada para transmitir confiança às vítimas.

Perfis falsos: os suspeitos reproduziam páginas de lojas conhecidas;
Cenário montado: caixas e embalagens eram utilizadas para simular um estoque;
Negociação: os compradores recebiam atendimento aparentemente profissional;
Pagamento: após o Pix, os produtos não eram enviados;
Bloqueio: as vítimas eram impedidas de continuar o contato com os vendedores.

Depois de receberem os valores, os suspeitos bloqueavam os compradores nos canais utilizados para a negociação, segundo a polícia.

Polícia apreende materiais usados no esquema

A Operação Reflexo contou com apoio da Polícia Civil de São Paulo (PCSP) e colaboração da área de inteligência de uma grande plataforma de comércio eletrônico.

A Justiça autorizou a prisão preventiva do casal e o cumprimento de quatro mandados de busca e apreensão. Durante a operação, os agentes recolheram equipamentos eletrônicos e dezenas de caixas que, segundo a investigação, eram utilizadas na montagem do cenário da falsa loja.

Também houve o bloqueio cautelar de R$ 20 mil em contas relacionadas aos investigados.

Os aparelhos eletrônicos apreendidos serão encaminhados para perícia. O objetivo é identificar novas vítimas, localizar outras possíveis fraudes e reunir provas sobre a participação de cada suspeito.

Investigados podem responder por fraude eletrônica

Micaelli, de 22 anos, não possuía registros criminais anteriores, segundo a polícia. Já Rafael responde a um processo por estelionato virtual no Rio Grande do Sul, também relacionado a uma fraude semelhante.

A investigação identificou ocorrências atribuídas ao esquema no Distrito Federal e em outros estados.

Os dois são investigados por estelionato mediante fraude eletrônica, previsto no artigo 171, § 2º-A, do Código Penal. A modalidade prevê pena de quatro a oito anos de prisão, além de multa, conforme o enquadramento apresentado pela polícia.

A investigação continua para verificar a extensão do esquema e identificar outras possíveis vítimas.

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