O El Niño ganhou força e tem 93% de probabilidade de atingir a categoria muito forte a partir de setembro, segundo a nova atualização da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (Noaa), divulgada nesta quinta-feira (13).
O fenômeno climático começou em junho e ocorre quando as águas da superfície do Pacífico equatorial ficam mais quentes do que a média. Na atualização anterior, divulgada no mês passado, a Noaa estimava em 81% a possibilidade de o fenômeno alcançar a intensidade muito forte entre outubro e dezembro.
A agência também calcula em 90% a chance de que as condições de forte intensidade permaneçam até janeiro. O El Niño pode continuar atuando até o início do outono de 2027, em abril.
O que caracteriza um El Niño muito forte
A classificação do fenômeno depende da temperatura das águas do Pacífico equatorial. O El Niño é considerado fraco quando a temperatura fica entre 0,5°C e 1°C acima da média.
Na categoria moderada, a elevação varia de 1°C a 1,5°C. Já o fenômeno forte ocorre quando a anomalia fica entre 1,5°C e 2°C.
Quando o aquecimento ultrapassa 2°C, o fenômeno passa a ser considerado muito forte, classificação que tem sido associada ao chamado "super El Niño".
Apesar da intensidade, a Noaa ressalta que um El Niño mais forte não significa necessariamente que os impactos serão mais severos em todas as regiões. A intensidade aumenta, porém, a possibilidade de ocorrência de efeitos característicos, como períodos de seca, tempestades e ondas de calor mais intensas.
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Como o fenômeno pode afetar o Brasil
No Brasil, o El Niño costuma alterar o regime de chuvas e temperaturas de maneira diferente entre as regiões.
A tendência é de tempo mais seco em áreas do Norte, Nordeste, Centro-Oeste e parte do Sudeste, enquanto a Região Sul pode registrar volumes maiores de chuva.
Com a possibilidade de um fenômeno mais intenso, aumenta também a preocupação com temperaturas elevadas durante o verão em grande parte do território brasileiro.
A combinação de calor e estiagem pode favorecer ainda a ocorrência de incêndios florestais. Diante desse cenário, o Ministério do Meio Ambiente e da Mudança do Clima viabilizou o repasse de mais de R$ 300 milhões para órgãos responsáveis pelo combate aos incêndios.
Estados e municípios também vêm adotando medidas preventivas diante da possibilidade de condições climáticas mais adversas.
Fenômeno está ganhando força
De acordo com a Noaa, o El Niño se intensificou durante o último mês. A agência identificou aumento na formação de nuvens e nas chuvas sobre o Pacífico central e oriental.
Ao mesmo tempo, a Indonésia enfrenta condições mais secas do que o habitual, com redução das precipitações.
A Noaa avalia que o episódio registrado neste ano pode estar entre os mais intensos desde o início da série histórica da agência, em 1950.
O que é o El Niño
O El Niño é um fenômeno natural que ocorre de forma periódica e está relacionado principalmente ao aquecimento anormal das águas do Pacífico equatorial.
O fenômeno está associado ao comportamento dos ventos alísios, que normalmente transportam águas quentes em direção à Ásia. Em determinados períodos, esses ventos perdem força, alterando a circulação atmosférica e os padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do planeta.
A situação atual ocorre em um contexto de mudanças climáticas, que pode contribuir para intensificar alguns dos efeitos associados aos fenômenos extremos.
Segundo a atualização mais recente da Noaa, a região Niño-3.4, principal área utilizada para acompanhar o fenômeno, apresenta temperatura 1,4°C acima da média, o que atualmente coloca o El Niño na categoria forte.