RISCO NO PARQUE

Capivaras na Rua do Porto: especialistas alertam para riscos

Por Alyson Rodrigues/JP |
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Alyson Rodrigues/JP
A presença de capivaras no Parque da Rua do Porto, em Piracicaba, exige atenção da população, principalmente em relação ao risco de febre maculosa.
A presença de capivaras no Parque da Rua do Porto, em Piracicaba, exige atenção da população, principalmente em relação ao risco de febre maculosa.

A presença de capivaras no Parque da Rua do Porto, em Piracicaba, exige atenção da população, principalmente em relação ao risco de febre maculosa. Segundo Carlos Perez, pesquisador e integrante da Comissão de Combate à Febre Maculosa do campus da USP em Piracicaba (Esalq), o risco está relacionado à interação entre as capivaras, o carrapato-estrela e a bactéria Rickettsia rickettsii, causadora da doença.

Para o pesquisador, a presença das capivaras, por si só, está inserida em uma dinâmica epidemiológica que pode favorecer a transmissão da febre maculosa. O carrapato-estrela pode se infectar ao parasitar animais contaminados e, posteriormente, transmitir a bactéria ao picar seres humanos.

Como funciona o ciclo da febre maculosa

De acordo com Perez, a capivara pode atuar como hospedeiro amplificador da bactéria. Quando um animal é picado por um carrapato-estrela infectado, a bactéria se multiplica em seu organismo e pode ser adquirida por outros carrapatos durante a alimentação.

O pesquisador destaca ainda a alta capacidade de reprodução do carrapato-estrela. Segundo ele, uma fêmea pode produzir entre 7 mil e 10 mil ovos, dos quais praticamente todos podem evoluir para larvas, conhecidas popularmente como "micuins".

A circulação das capivaras também contribui para a dispersão dos carrapatos pelo ambiente. Como os animais costumam frequentar áreas de gramado, esses espaços podem coincidir com locais utilizados pela população para lazer.

"Piracicaba é uma região endêmica para a presença dos organismos mencionados e que participam da dinâmica da doença", explicou Perez.

Quem corre risco?

O risco não está restrito a um determinado grupo da população. Segundo o pesquisador, pessoas de diferentes idades podem ser parasitadas pelo carrapato-estrela, assim como animais domésticos.

Por isso, crianças, idosos e tutores que levam cães para passear em áreas frequentadas por capivaras também devem estar atentos. O contato direto com os animais não é necessário para que exista exposição ao carrapato.

Perez recomenda que a população evite áreas onde há presença de capivaras, principalmente entre abril e outubro. Segundo ele, esse período concentra a fase jovem do carrapato-estrela e apresenta maior risco de transmissão da febre maculosa no Sudeste.

O especialista também orienta que as pessoas não se aproximem das capivaras nem frequentem locais por onde esses animais costumam transitar.

E os animais de estimação?

Cães e gatos também podem ser expostos aos carrapatos presentes em áreas frequentadas por capivaras. Segundo a Dra. Julia, médica-veterinária ouvida pelo Jornal de Piracicaba, o principal risco para os pets está no contato com o ambiente, e não diretamente com as capivaras.

De acordo com a veterinária, áreas de vegetação e locais próximos a rios podem apresentar maior quantidade de carrapatos, incluindo os do gênero Amblyomma, que podem parasitar cães e também ser transportados por eles. Esses carrapatos podem estar envolvidos na transmissão de agentes infecciosos, entre eles a bactéria Rickettsia rickettsii, responsável pela febre maculosa brasileira.

O risco também existe para gatos que têm acesso à rua. Por isso, a recomendação é manter o controle de ectoparasitas de forma contínua, utilizando produtos adequados à espécie, idade, peso e condição clínica do animal, sempre com orientação veterinária.

Após passeios em áreas de risco, a Dra. Julia orienta que os tutores façam uma inspeção cuidadosa nos animais, principalmente nas orelhas, pescoço, entre os dedos, axilas, região inguinal e ao redor da cabeça. Caso um carrapato seja encontrado, ele deve ser retirado cuidadosamente, de preferência com uma pinça apropriada, evitando esmagá-lo.

A veterinária também faz um alerta específico para os gatos: produtos antiparasitários destinados a cães não devem ser utilizados em felinos sem orientação profissional, já que algumas substâncias, como a permetrina, podem ser extremamente tóxicas para os gatos.


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Entre as medidas preventivas, estão evitar que cães circulem por áreas com vegetação alta ou reconhecidamente infestadas, mantê-los na guia durante os passeios e impedir o contato direto com animais silvestres. Para gatos com acesso à rua, a orientação é conversar com um veterinário sobre um protocolo adequado de controle de ectoparasitas e, sempre que possível, reduzir a circulação em locais de maior risco.

Depois de uma possível exposição, os tutores devem observar sinais como febre, apatia, falta de apetite, fraqueza, vômitos, alterações respiratórias, manchas ou sangramentos, alterações neurológicas e dificuldade para caminhar. Caso o animal apresente febre ou mudança de comportamento após contato com uma área de risco, a recomendação é procurar atendimento veterinário.

Segundo a Dra. Julia, a prevenção também é importante para a família, já que alguns carrapatos que parasitam os animais podem ser transportados para dentro de casa e também picar seres humanos.

Manejo pode ajudar no controle da população

Questionado sobre o manejo das capivaras, Perez afirmou que o controle reprodutivo pode ser uma das ferramentas utilizadas para reduzir a densidade populacional desses animais.

No entanto, segundo o pesquisador, a execução desse tipo de trabalho depende de licenças ambientais e deve ser realizada por profissionais habilitados.

Para o Parque da Rua do Porto, ele defende uma estratégia que vá além do controle reprodutivo. Entre as medidas citadas estão o monitoramento periódico da área, ações de controle do carrapato-estrela de vida livre e a instalação de alambrados para impedir que as capivaras tenham acesso a espaços destinados ao lazer da população.

Prefeitura atualiza manejo das capivaras

Enquanto especialistas alertam para os cuidados com a população, a Prefeitura de Piracicaba informou que o projeto de manejo das capivaras do Parque da Rua do Porto avançou nesta semana.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, a empresa Zoovet Clínica e Consultoria, vencedora da licitação, realizou uma visita técnica ao parque. Durante a atividade, foram avaliados os espaços disponíveis e as condições do local para definir como serão executadas as etapas de captura, esterilização, identificação e acompanhamento dos animais.

Após a avaliação, a empresa deverá finalizar a estratégia operacional para o manejo, seguindo as normas da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil).

O contrato, conforme a Prefeitura, está na fase final de formalização e terá duração de 12 meses.

Os procedimentos ainda não começaram. A administração municipal informou que o início ocorrerá depois da conclusão das etapas administrativas e operacionais necessárias.

Número de capivaras permanece em cerca de 50

A estimativa oficial da Prefeitura também não mudou. Atualmente, o município calcula que aproximadamente 50 capivaras estejam no Parque da Rua do Porto.

Até o momento, portanto, não houve alteração informada na estimativa populacional desde o anúncio do projeto.

A estratégia definida pelo município prevê que os animais sejam capturados no próprio parque, submetidos à esterilização e identificados individualmente. Após a estabilização clínica, as capivaras deverão ser devolvidas ao ambiente.

De acordo com a Prefeitura, o objetivo é controlar a reprodução, evitar novas recolonizações, reduzir disputas territoriais e contribuir para a diminuição do risco de transmissão da febre maculosa.

Alerta para quem frequenta a Rua do Porto

A situação coloca em discussão não apenas a quantidade de capivaras no parque, mas também a forma como a população utiliza os espaços próximos aos animais.

A orientação do pesquisador da Esalq é evitar áreas onde as capivaras circulam, especialmente durante o período de maior risco relacionado às formas jovens do carrapato-estrela. A recomendação ganha importância porque a exposição pode ocorrer sem contato direto com os animais.

Enquanto isso, o município trabalha na implantação do manejo populacional e deverá acompanhar os animais ao longo dos próximos 12 meses. A combinação entre monitoramento, controle da população, manejo ambiental e orientação aos frequentadores será determinante para avaliar a evolução do cenário no Parque da Rua do Porto.

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