A Polícia Civil de Roraima concluiu um inquérito que aponta que um casal de pastores teria utilizado uma igreja evangélica em Boa Vista para cometer abusos sexuais contra adolescentes. Ao todo, 11 vítimas, com idades entre 12 e 17 anos, foram identificadas durante a investigação, que agora será analisada pelo Ministério Público de Roraima.
Os investigados são Wenderson Lima de Souza, de 32 anos, e Arielly Kamila Moraes de Souza, de 24 anos. Eles negam todas as acusações por meio da defesa. A representação pela prisão do casal tramita sob sigilo judicial, e a igreja onde os fatos teriam ocorrido foi fechada.
Polícia aponta uso da religião para manipular vítimas
Segundo a investigação, o casal se aproveitava da posição de liderança religiosa para conquistar a confiança de adolescentes em situação de vulnerabilidade emocional e econômica.
De acordo com a delegada Kamilla Basto, responsável pelo caso, a fé era utilizada como instrumento de manipulação psicológica para controlar as vítimas e impedir que elas denunciassem os abusos.
As investigações indicam ainda que os suspeitos justificavam os crimes com interpretações religiosas da Bíblia, afirmando que os atos faziam parte de uma suposta prática espiritual.
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Inquérito reúne depoimentos de dezenas de pessoas
A apuração começou em abril, quando duas adolescentes procuraram espontaneamente a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA).
Em cerca de 50 dias, a Polícia Civil ouviu 41 pessoas e localizou outras possíveis vítimas. Cinco delas, apesar de apresentarem indícios de terem sofrido abusos, optaram por não prestar depoimento.
O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público e ao Poder Judiciário, que decidirão sobre o eventual oferecimento de denúncia criminal contra o casal.
Investigação aponta crimes praticados durante anos
Segundo os investigadores, algumas vítimas relataram que os abusos ocorreram durante anos, enquanto permaneciam frequentando a igreja.
Em um dos episódios registrados no boletim de ocorrência, uma adolescente de 14 anos relatou que o pastor a levou para um local isolado, onde teria praticado atos de conotação sexual após ela se recusar a retirar parte da roupa.
A Polícia Civil também afirma que algumas vítimas eram recompensadas com cargos dentro da igreja, como diaconisa e pastora, estratégia que, segundo a investigação, reforçava o controle exercido sobre elas.
Polícia apura participação de outras pessoas
As investigações apontam ainda que, em pelo menos um dos casos, os abusos teriam evoluído para violência sexual praticada também por outros homens.
Conforme a Polícia Civil, as vítimas permaneciam vendadas durante os atos, o que teria impedido a identificação dos demais envolvidos.
A igreja investigada possuía cinco congregações distribuídas entre os estados de Roraima e Amazonas. Parte das vítimas mantinha vínculo religioso com os pastores e, em alguns casos, também havia relação de parentesco.
Defesa nega acusações
O advogado Fabiano Negreiros, responsável pela defesa do casal, afirmou que seus clientes negam todas as acusações.
Segundo ele, a defesa aguarda acesso oficial ao relatório final da investigação e aos demais documentos do processo para apresentar manifestação detalhada perante a Justiça.