O relato de uma influenciadora que afirma ter ficado com uma grande falha no couro cabeludo após realizar um exame toxicológico para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) ganhou repercussão nas redes sociais e levantou dúvidas sobre como é feita a coleta dos fios. Especialistas esclarecem que o procedimento segue critérios técnicos e que a quantidade retirada costuma ser pequena quando executada corretamente.
O caso envolve Ana Karolina, que denunciou ter perdido uma quantidade significativa de cabelo durante a coleta realizada em um laboratório de Sapé, na Paraíba. Após a repercussão, diversos internautas relataram experiências semelhantes.
Laboratório admite falha no procedimento
Em nota, o laboratório responsável informou que abriu uma investigação interna e reconheceu que houve uma falha durante o atendimento. A empresa afirmou lamentar o ocorrido, disse estar prestando suporte à cliente e destacou que o episódio não representa os padrões adotados pela instituição.
Segundo a influenciadora, a primeira amostra coletada não teria atendido aos requisitos técnicos do exame e precisou ser descartada. Na segunda tentativa, ela afirma que uma quantidade muito maior de fios foi retirada, deixando uma área visível sem cabelo.
Ela contou que só percebeu o tamanho da falha ao deixar o laboratório.
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Quanto de cabelo é retirado no exame?
De acordo com Andressa Benedetti Martins, coordenadora do laboratório de Toxicologia da Pardini, a amostra necessária para o exame corresponde, em média, à espessura de uma caneta.
Após a coleta, o material é pesado para garantir que atenda aos parâmetros exigidos para a realização da análise e a confiabilidade do resultado.
Os fios da cabeça são priorizados porque a legislação exige uma janela mínima de detecção de 90 dias. Além disso, o cabelo permite que o laboratório identifique em qual período do trimestre houve eventual consumo de substâncias, algo que não é possível quando são utilizados pelos corporais.
Quando a coleta pode ser feita em pelos ou unhas?
Caso a pessoa não possua cabelo com comprimento suficiente, a legislação permite que a coleta seja realizada em pelos do corpo.
Nessa situação, a janela de detecção aumenta para até 180 dias, em razão das diferenças no ciclo de crescimento dos pelos em relação aos cabelos.
A ordem de preferência é a seguinte:
- cabelos com, no mínimo, três centímetros;
- pelos corporais, quando não houver fios suficientes na cabeça;
- unhas, apenas em casos comprovados de alopecia universal, mediante apresentação de laudo médico.
Segundo a especialista, independentemente da amostra utilizada, a precisão do exame permanece a mesma.
Tintura interfere no resultado?
Outra dúvida comum é se procedimentos como tintura, descoloração ou alisamento podem alterar o resultado do exame toxicológico.
Segundo a especialista, esses tratamentos estéticos não provocam resultados falsos positivos nem falsos negativos, pois as substâncias pesquisadas ficam armazenadas no interior das células dos fios.
Em alguns casos, entretanto, alterações químicas podem impedir que o laboratório reproduza adequadamente a análise, tornando necessária uma nova coleta.
Quais drogas são detectadas?
O exame toxicológico utilizado para emissão ou renovação da CNH pesquisa o consumo de diferentes substâncias psicoativas, entre elas:
- cocaína;
- maconha;
- anfetaminas;
- metanfetaminas;
- opiáceos e opioides, como morfina e codeína.
De acordo com especialistas, caso haja consumo dessas substâncias dentro da janela de detecção prevista, elas serão identificadas independentemente do tipo de amostra utilizada.