GUERRA COMERCIAL

Déficit dos EUA dispara mesmo após tarifaço de Trump

Por Redação/JP1 |
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução/Reuters/Carlos Barria
Dados divulgados pelo Departamento de Comércio mostram que o desequilíbrio entre compras e vendas ao exterior avançou 42,2% em relação a abril, alcançando US$ 77,6 bilhões.
Dados divulgados pelo Departamento de Comércio mostram que o desequilíbrio entre compras e vendas ao exterior avançou 42,2% em relação a abril, alcançando US$ 77,6 bilhões.

Os Estados Unidos registraram um forte aumento no déficit da balança comercial em maio, contrariando a expectativa de que a política tarifária adotada pelo governo de Donald Trump reduziria a dependência de produtos importados. Dados divulgados pelo Departamento de Comércio mostram que o desequilíbrio entre compras e vendas ao exterior avançou 42,2% em relação a abril, alcançando US$ 77,6 bilhões.

O resultado ocorreu em um cenário marcado pelo crescimento das importações e pela retração das exportações, indicando que as tarifas impostas pelo governo americano ainda não produziram o efeito esperado sobre o comércio exterior.

Importações seguem em alta

As compras externas dos Estados Unidos aumentaram 3,3% no período, chegando a US$ 395,3 bilhões. Entre os itens que mais impulsionaram esse avanço estão equipamentos de tecnologia, petróleo bruto, automóveis, autopeças, bens de consumo e insumos utilizados pela indústria.

Segundo analistas, parte desse movimento pode estar relacionada à antecipação de importações por empresas preocupadas com a possibilidade de novas tarifas entrarem em vigor nos próximos meses.

Já as exportações recuaram 3,2%, totalizando US$ 317,7 bilhões. Apesar do aumento nas vendas de petróleo e derivados, impulsionado pelo cenário de tensão no Oriente Médio, outros segmentos, como o farmacêutico, apresentaram queda nas remessas ao exterior.


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Tarifaço ainda não reduz dependência externa

O crescimento do déficit acontece enquanto a administração Trump mantém a estratégia de elevar tarifas sobre produtos estrangeiros para fortalecer a indústria nacional e reduzir a dependência das importações.

Na prática, porém, os números mostram que empresas americanas continuaram recorrendo ao mercado internacional para adquirir produtos considerados estratégicos, especialmente ligados aos setores de energia, tecnologia e produção industrial.

Economistas também apontam que eventuais medidas de retaliação adotadas por parceiros comerciais podem dificultar o crescimento das exportações americanas, contribuindo para o aumento do déficit.

Brasil também está na mira

Atualmente, permanece em vigor uma tarifa mínima de 10% sobre a maior parte dos produtos importados pelos Estados Unidos, além de sobretaxas específicas para setores como aço, alumínio, automóveis e autopeças.

O governo americano também conduz investigações comerciais que podem resultar em novas tarifas para diversos países, entre eles o Brasil. As discussões ocorrem com base na Seção 301 da legislação comercial dos EUA.

Enquanto representantes do setor privado participam das audiências promovidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o governo brasileiro optou por concentrar esforços nas negociações diplomáticas bilaterais.

Cenário segue cercado de incertezas

A política tarifária dos Estados Unidos sofreu mudanças após decisões judiciais que alteraram parte das medidas anteriormente adotadas. Como solução temporária, foi mantida uma tarifa geral de 10% para diversos parceiros comerciais, regra que deve ser reavaliada ainda neste mês.

Além das disputas comerciais, fatores como o avanço dos investimentos em inteligência artificial, a demanda por equipamentos para centros de dados e as tensões geopolíticas continuam influenciando o comportamento das importações e exportações da maior economia do mundo.

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