A prisão de Amanda Maria Souza de Oliveira, de 38 anos, em Joinville (SC), continua revelando novos desdobramentos. Após ser acusada de se passar por uma menina de 12 anos durante mais de um ano para conquistar a confiança de uma família, a mulher agora é apontada como possível autora de episódios semelhantes registrados no Paraná e em outros estados brasileiros.
As investigações ganharam novo impulso depois que supostas vítimas reconheceram Amanda em reportagens divulgadas após sua prisão. A Polícia Civil do Paraná decidiu reabrir apurações e convocar testemunhas para procedimentos de reconhecimento.
Histórias de doenças, abusos e falsas identidades
Segundo relatos reunidos pelas autoridades, Amanda costumava criar narrativas dramáticas para sensibilizar as pessoas. Em diferentes ocasiões, teria afirmado ser uma adolescente vítima de abusos, filha de um homem envolvido com exploração sexual, além de alegar doenças graves, como leucemia em estágio terminal.
Em Campina Grande do Sul (PR), ela teria procurado ajuda em uma igreja evangélica em 2020 usando o nome de "Júlia". Na ocasião, contou que fugia do pai após anos de violência e exploração. Encaminhada pelo Conselho Tutelar para um abrigo, permaneceu acolhida por cerca de uma semana.
Funcionários da instituição relataram que a suposta adolescente apresentava marcas no corpo e explicava sua aparência adulta afirmando ter recebido hormônios durante a infância. A versão é semelhante à utilizada no caso mais recente registrado em Santa Catarina.
VEJA MAIS:
- VÍDEO: Motociclista morre esmagado por ônibus em Piracicaba
- Apoio de credores ao plano da Raízen sobe para 80,15%
- Quem era o motociclista que morreu na SP 304 em Piracicaba
- Clique aqui e receba, gratuitamente, as principais notícias da cidade, no seu WhatsApp, em tempo real.
Abrigo e hospital levantaram suspeitas
De acordo com responsáveis pela casa de acolhimento, as primeiras desconfianças surgiram poucos dias após a chegada da mulher. Ela evitava contato com adolescentes e demonstrava preferência pela convivência com crianças menores.
Posteriormente, Amanda foi encaminhada a um hospital devido à presença de agulhas sob a pele. Durante a internação, a falsa identidade teria sido descoberta. Antes da chegada da polícia, porém, ela deixou o local.
Grupo de oração também teria sido alvo
Outro episódio investigado ocorreu em Colombo (PR), em 2021. Nesse caso, o contato foi feito pela internet. Utilizando o nome de "Emily", Amanda teria ingressado em um grupo de oração alegando enfrentar uma leucemia avançada.
Uma professora da região afirma que a mulher participava de videochamadas diárias, utilizava filtros de imagem, máscaras e toucas para aparentar menos idade e compartilhava histórias envolvendo abandono familiar, tratamentos médicos e sofrimento constante.
A ligação emocional com os participantes se intensificou ao longo dos meses. Segundo relatos, integrantes do grupo fizeram promessas religiosas, criaram campanhas de apoio e passaram a acompanhar supostas etapas do tratamento.
A fraude começou a ser questionada após contradições em suas histórias e um pedido de transferência via Pix. A partir daí, integrantes decidiram investigar a situação e descobriram inconsistências que levaram à denúncia.
Polícia retoma investigações
A advogada que representa algumas das supostas vítimas solicitou oficialmente a retomada do inquérito que investigava o caso em Colombo. A Polícia Civil do Paraná confirmou que novas diligências serão realizadas após a repercussão da prisão em Santa Catarina.
Segundo a corporação, um procedimento já havia sido instaurado anteriormente, mas acabou sem identificação da autoria. Com os novos elementos, vítimas serão chamadas para reconhecer formalmente a suspeita.
Caso em Joinville pode não ser isolado
Em Santa Catarina, Amanda responde por acusações de estelionato e falsa identidade. De acordo com o Ministério Público, ela teria utilizado a imagem de uma criança para conquistar apoio emocional e material de pessoas que passaram a custear moradia, alimentação, transporte, medicamentos e outras despesas.
As investigações também apontam possíveis ocorrências semelhantes em estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Rio Grande do Sul e em outras cidades catarinenses.
Defesa pede avaliação psicológica
A defesa de Amanda informou que pretende solicitar um exame de sanidade mental. Segundo o advogado Rafael Siewert, existem elementos que justificam uma avaliação especializada para analisar a condição psíquica da acusada.
Presa preventivamente, ela deverá passar por perícia ainda neste mês. O resultado poderá auxiliar na definição dos próximos passos do processo judicial.