DENGUE

Vacina suspensa: o que acontece agora?

Por Redação/JP1 |
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução/Governo de São Paulo
Segundo o governo federal, a interrupção tem caráter preventivo e permitirá uma investigação detalhada para verificar se existe relação entre os casos registrados e a aplicação da vacina.
Segundo o governo federal, a interrupção tem caráter preventivo e permitirá uma investigação detalhada para verificar se existe relação entre os casos registrados e a aplicação da vacina.

A suspensão temporária da aplicação da vacina Butantan-DV contra a dengue gerou dúvidas entre pessoas que já receberam o imunizante e aquelas que aguardavam a ampliação da campanha de vacinação. A medida foi anunciada pelo Ministério da Saúde após a identificação de eventos raros que não haviam sido observados durante os estudos clínicos realizados antes da aprovação da vacina.

Segundo o governo federal, a interrupção tem caráter preventivo e permitirá uma investigação detalhada para verificar se existe relação entre os casos registrados e a aplicação da vacina. Enquanto a análise é conduzida por especialistas, a retomada da imunização permanece sem prazo definido.

O que levou à suspensão da vacina?

A decisão foi tomada após o sistema de farmacovigilância detectar um sinal de alerta envolvendo reações incomuns em pessoas imunizadas. Ao todo, mais de 501 mil doses haviam sido aplicadas em profissionais da Atenção Primária à Saúde e em moradores de regiões selecionadas para a estratégia de vacinação.

Entre os vacinados, foram registrados 42 casos de eventos adversos raros e inesperados, o equivalente a aproximadamente 0,008% das aplicações. Também foram identificados três casos considerados graves, incluindo dois óbitos que agora passam por investigação.

O Ministério da Saúde ressalta que ainda não há comprovação de que os casos graves tenham sido causados pela vacina, mas considera necessária uma apuração aprofundada para esclarecer as circunstâncias.


VEJA MAIS:


  • Clique aqui e receba, gratuitamente, as principais notícias da cidade, no seu WhatsApp, em tempo real. 

Quem já tomou a vacina deve se preocupar?

As autoridades sanitárias reforçam que a suspensão não significa que a vacina perdeu sua eficácia ou que todos os vacinados correm risco.

A recomendação é que quem recebeu a dose observe possíveis alterações de saúde durante os 21 dias seguintes à vacinação. Em caso de sintomas como febre, vômitos persistentes, sangramentos, tontura, sonolência excessiva, dor abdominal intensa, sinais de desidratação ou piora do estado geral, a orientação é procurar atendimento médico imediatamente.

Após esse período, segundo os especialistas, não há mais componentes ativos da vacina detectáveis no organismo.

Como a vacina foi aprovada?

O desenvolvimento da Butantan-DV levou cerca de duas décadas e contou com tecnologia licenciada do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH).

Antes da autorização para comercialização, o imunizante passou pelas fases clínicas exigidas pelos órgãos reguladores. Mais de 11 mil voluntários participaram dos estudos e foram acompanhados por até cinco anos para avaliação da segurança e da eficácia.

Com base nos resultados apresentados, a Anvisa autorizou a produção e a comercialização da vacina no fim de 2025.

Eficácia continua reconhecida

Os estudos realizados apontaram eficácia geral de 65% contra a dengue e proteção de 80,5% contra casos graves da doença.

Por esse motivo, o Ministério da Saúde reforça que a investigação em andamento não invalida os resultados obtidos durante o desenvolvimento do imunizante, mas busca esclarecer ocorrências que surgiram após o início da aplicação em larga escala.

Quais reações são consideradas comuns?

Entre os efeitos adversos já previstos na bula da vacina estão:

  • Cansaço intenso
  • Dor atrás dos olhos
  • Coceira
  • Calafrios
  • Náuseas
  • Sensibilidade à luz
  • Manchas na pele
  • Dores no corpo
  • Dor de cabeça

Em situações raras, também foram observados quadros semelhantes à dengue acompanhados de febre.

O que acontecerá com as doses já distribuídas?

As vacinas que estão armazenadas em postos de saúde não serão descartadas neste momento. O Ministério da Saúde orientou que todas as doses permaneçam conservadas na rede de frio até a conclusão das investigações.

A continuidade ou não da campanha dependerá dos resultados técnicos das análises conduzidas pela Anvisa e pelos órgãos de vigilância epidemiológica.

Vacinação contra dengue continua disponível

Apesar da suspensão da Butantan-DV, o Sistema Único de Saúde (SUS) segue oferecendo a vacina Qdenga para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. O imunizante já teve milhões de doses aplicadas no país desde sua incorporação à rede pública.

Dengue segue como desafio nacional

Mesmo com a expressiva redução de casos e mortes registrada em 2026, a dengue continua sendo uma das principais preocupações de saúde pública no Brasil.

Especialistas destacam que as vacinas permanecem como uma das ferramentas mais importantes no combate à doença e que a investigação em andamento demonstra o funcionamento dos mecanismos de segurança responsáveis por monitorar os imunizantes após sua liberação para uso na população.

Comentários

Comentários