A morte da maquiadora Roseli Fernandes de Oliveira Romeiro Vieira, de 48 anos, após um procedimento estético realizado em São Paulo, voltou a levantar discussões sobre os riscos do uso de PMMA em intervenções corporais. Moradora de Jardim, em Mato Grosso do Sul, ela morreu menos de 24 horas depois de passar por aplicações da substância em uma clínica localizada no bairro Brooklin, na zona sul da capital paulista.
Segundo informações registradas no boletim de ocorrência, Roseli havia viajado até São Paulo para realizar procedimentos de remodelação corporal que somavam mais de R$ 54 mil.
Procedimentos ultrapassavam R$ 54 mil
De acordo com a investigação, a maquiadora realizou aplicações nos glúteos e na parte posterior das coxas. Um terceiro procedimento ainda estava agendado para acontecer no dia em que ela morreu.
Os valores pagos antecipadamente via Pix teriam sido:
- R$ 26.455 pela aplicação nos glúteos
- R$ 14.955 na região posterior das coxas
- R$ 13 mil para aplicação nos quadríceps
Ao todo, os procedimentos somavam R$ 54.410.
Paciente passou mal após deixar clínica
Conforme relato da filha da vítima, Roseli deixou a clínica consciente e reclamando apenas de dores na região onde houve aplicação da substância.
Na manhã seguinte, porém, começou a apresentar sintomas como falta de ar, chiado no peito e aceleração cardíaca. Após relatar que acreditava que poderia morrer, ela foi orientada a retornar à clínica para uma nova avaliação.
Durante o trajeto em um carro por aplicativo, Roseli perdeu a consciência.
Ela chegou desacordada ao hall do prédio comercial onde funciona o consultório e sofreu uma parada cardiorrespiratória no local. Equipes do Samu foram acionadas, mas a morte foi confirmada ainda no prédio.
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Médica afirma que exames estavam normais
Segundo depoimento prestado à polícia, a médica responsável pelo procedimento informou que os exames pré-operatórios não apontavam alterações e afirmou que a aplicação ocorreu sem intercorrências.
Ainda conforme o boletim, foram utilizados 120 ml de PMMA em cada glúteo e outros 30 ml na parte posterior das coxas.
A profissional possui pós-graduação em dermatologia, mas não residência médica na especialidade.
O caso segue sob investigação.
Anvisa não recomenda PMMA para fins estéticos
O polimetilmetacrilato, conhecido como PMMA, é uma substância sintética derivada do petróleo utilizada em alguns procedimentos médicos específicos.
A Anvisa autoriza o uso apenas em situações reparadoras, como casos de lipodistrofia em pacientes com HIV/Aids e correções de sequelas com perda de volume corporal.
O uso exclusivamente estético, no entanto, não é recomendado pela agência reguladora.
Conselho alerta para riscos graves
No ano passado, o Conselho Federal de Biomedicina encaminhou documento à Anvisa alertando para os riscos associados ao PMMA.
Entre as possíveis complicações citadas estão:
- Reações alérgicas
- Inflamações
- Granulomas
- Edemas
- Cicatrizes
- Complicações tardias
O órgão também destacou que atualmente existem alternativas consideradas mais modernas e seguras para procedimentos de preenchimento corporal.
Caso gera repercussão nas redes
A morte da maquiadora repercutiu nas redes sociais e reacendeu debates sobre os limites dos procedimentos estéticos e a segurança no uso de substâncias de preenchimento.
Especialistas alertam para a importância de verificar a qualificação dos profissionais, a regularização das clínicas e os produtos utilizados antes de realizar qualquer intervenção estética.