O uso de armadilhas adesivas para o controle de roedores, popularmente conhecidas como "cola rato", tem gerado um debate intenso que divide opiniões entre a eficácia doméstica e os impactos éticos e ambientais. Embora vendidas livremente em supermercados como uma solução rápida, especialistas alertam que o dispositivo pode representar um risco grave não apenas para os alvos, mas para animais domésticos e a fauna silvestre.
O funcionamento da armadilha é simples e, para muitos, cruel: uma superfície de alta aderência prende o animal, que acaba morrendo por exaustão, fome ou ferimentos graves ao tentar se libertar.
No entanto, o maior problema reside na falta de seletividade do método. Pássaros, filhotes de gatos e pequenos animais silvestres frequentemente acabam vítimas dessas placas, o que pode levar a ferimentos irreversíveis ou à morte em casos de pets de pequeno porte.
Risco à saúde pública e aos pets
Diferente do que muitos usuários acreditam, a armadilha pode agravar problemas sanitários. De acordo com a deputada Duda Salabert, o método é ineficiente no controle real de pragas. “Além da crueldade, vira também um foco de contaminação de doença”, afirma a parlamentar, ressaltando que o rato, ao ficar preso, continua urinando e defecando no local, expondo o ambiente a patógenos.
Para quem tem animais de estimação em casa, o risco é dobrado. Filhotes de cães e gatos, curiosos por natureza, podem ficar presos à cola. Veterinários alertam que a tentativa de remover a cola com solventes inadequados pode causar intoxicação, enquanto o estresse do animal preso pode levar a paradas cardiorrespiratórias.
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Debate legislativo
A polêmica chegou ao Congresso Nacional. Um projeto de lei visa proibir a comercialização dessas fitas no Brasil, sob o argumento de que a resposta ao problema dos roedores deve vir de políticas de saneamento e não de métodos considerados arcaicos. “Não dá para aceitar que a resposta à incompetência do poder público seja torturar animais e colocar a saúde pública em risco”, defende Salabert.
A parlamentar ainda pontua que o excesso de ratos em áreas urbanas é um sintoma de falhas na gestão de resíduos e drenagem urbana. Para ela, “esse método é ultrapassado, violento e perigoso”, e não resolve o problema sanitário de forma estrutural.
Enquanto o projeto tramita, a recomendação de órgãos de proteção animal é que a população busque alternativas menos agressivas e mais seletivas para o controle de pragas, visando proteger a biodiversidade local e a segurança dos animais de companhia.