A Câmara Municipal de Piracicaba aprovou uma moção de aplausos em reconhecimento à atuação do piracicabano Rafael Ferraz de Toledo, de 36 anos, que lutou como voluntário na guerra na Ucrânia.
Morador de Piracicaba, Rafael levava uma rotina comum antes do conflito, trabalhando como motorista de aplicativo e praticando airsoft nos fins de semana — atividade esportiva que simula operações táticas e de combate com armas de pressão não letais, e que despertou e fortaleceu seu interesse pela área tática e operacional. Nas redes sociais, é conhecido como “Ragnar Ukraine” (@ragnar_ukraine), onde compartilha parte de sua trajetória.

Da rotina comum ao campo de batalha
Movido pela decisão de seguir esse caminho, ele se deslocou até a Ucrânia para atuar em um dos cenários de guerra mais exigentes da atualidade.
Em entrevista ao JP, explicou o que motivou a escolha.
“Decidi ir por convicção. Vi a necessidade de atuar em um cenário real, colocar em prática minha formação e contribuir de forma concreta em um conflito ativo”, afirmou.
Alistamento pelas redes sociais
O ingresso no conflito começou a partir de informações encontradas na internet.
“Me alistei através de informações que encontrei em publicações no Instagram. A partir disso, entrei em grupos no WhatsApp, onde recebi todas as orientações necessárias sobre o processo. Com base nessas instruções, realizei o alistamento e dei entrada formal para integrar as forças na Ucrânia”, explicou.
Treinamento intensivo em base militar
Ao chegar ao país, ingressou inicialmente como soldado e passou por cerca de dois meses de treinamento intensivo em uma base militar, em regime confinado, com foco em infantaria.
“Passei aproximadamente dois meses em uma base militar na Ucrânia, em regime confinado, com foco integral na preparação operacional”, relatou.
Segundo ele, a formação foi direcionada para situações reais de combate.
“O treinamento foi voltado para cenários reais, com ênfase em técnicas de defesa contra infantaria russa, posicionamento tático, movimentação sob ameaça e resposta a contato. Também fui treinado em defesa contra drones, uma das principais ameaças no ambiente operacional atual”, explicou.
O período exigiu alto desempenho físico e mental.
“Foi um período de alta exigência física e mental, no qual obtive um desempenho sólido, dentro dos padrões operacionais exigidos”, disse.
Atuação em áreas de combate ativo
Após a preparação, Rafael foi incorporado a operações em regiões de combate ativo, atuando principalmente nas áreas de Pokrovsk e Zaporizhzhia, zonas estratégicas do conflito.
Durante sua trajetória, também teve atuação em unidades ligadas à inteligência e forças especiais, participando de operações de alto risco.

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Rotina e pressão no front
A vivência no front foi marcada por decisões rápidas e constante exposição ao risco.
“É uma realidade completamente diferente. Ambiente de alto risco, decisões rápidas e constantes. Exige preparo mental, disciplina e foco o tempo todo”, afirmou.
“É uma mistura de responsabilidade, foco e controle emocional. Você aprende a operar sob pressão e a manter a mente no objetivo”, completou.
Comunicação e rotina no exterior
Mesmo atuando fora do país, o idioma não foi uma grande barreira.
“Não cheguei a aprender o idioma de forma fluente. Sei apenas o básico, pois no ambiente em que atuo cerca de 90% são brasileiros, o que facilita muito a comunicação no dia a dia”, explicou.
Ele também descreve a diversidade dos cenários de atuação.
“Minha atuação acontece tanto em regiões urbanas quanto rurais, dependendo da necessidade operacional. São ambientes de contexto de conflito, onde a dinâmica muda bastante, exigindo adaptação constante, leitura de terreno e disciplina para atuar com segurança e eficiência”, afirmou.
Sobre a função, ele resumiu:
“Essa aí não posso detalhar mais… sou de infantaria.”
Visão sobre a guerra e carreira
Segundo o voluntário, o interesse pela área sempre existiu, mas o conflito foi consequência desse caminho.
“Sempre tive interesse na área tática e operacional. Estar em guerra não é o objetivo em si, mas foi uma consequência do caminho que escolhi dentro dessa área”, explicou.
Questionado sobre atuar em outros cenários, ele ponderou.
“Hoje, minha experiência está ligada à Ucrânia. Qualquer outra decisão dependeria do contexto, da legalidade e do propósito da missão.”
Planos futuros
Após cerca de um ano de atuação, Rafael encerrou seu ciclo direto no conflito, mas segue na Europa atuando na área de segurança e operações táticas.
“Sim, faz parte dos meus planos [voltar para Piracicaba]. No entanto, sigo atuando na Europa na área de segurança e operações táticas, com foco em consultoria e treinamento. Meu retorno será alinhado ao momento certo dentro da minha trajetória profissional”, destacou.
Reconhecimento oficial
A moção aprovada pela Câmara ressalta o reconhecimento público ao gesto do cidadão, destacando sua atuação como exemplo de coragem e dedicação a valores universais.