A Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que amplia o alcance da Lei Maria da Penha ao incluir casos de violência praticada contra filhos e pessoas próximas da mulher. A proposta segue agora para análise no Senado.
Mudança na lei ganha força após caso em Itumbiara
A discussão sobre a ampliação da legislação ganhou força após um crime que chocou o país, ocorrido em Itumbiara (GO). Na ocasião, duas crianças foram mortas pelo próprio pai, em um episódio que evidenciou o uso da violência contra familiares como forma de atingir a mãe.
O caso reforçou a necessidade de mecanismos legais mais específicos para lidar com situações em que terceiros são atacados com o objetivo de provocar sofrimento emocional à mulher.

VER MAIS
- 5 meses de angústia: mãe cobra por filho morto no trânsito
- Saidinha de Páscoa solta 31 mil presos e alerta Piracicaba
- Mulher morre e mais de 100 passam mal após comer pizza
- Clique aqui e receba, gratuitamente, as principais notícias da cidade, no seu WhatsApp, em tempo real.
O que muda na Lei Maria da Penha
O texto aprovado passa a reconhecer a violência vicária como uma forma de violência doméstica e familiar. O conceito se refere a agressões direcionadas a pessoas próximas da vítima — como filhos, dependentes ou indivíduos sob sua responsabilidade — com a intenção de atingir, punir ou controlar a mulher.
A medida busca preencher lacunas na legislação, ampliando a proteção em contextos onde a violência ocorre de forma indireta.
Homicídio vicário passa a ser crime específico
Outro ponto central do projeto é a criação do crime de homicídio vicário. A tipificação ocorre quando o assassinato é cometido com o propósito de causar sofrimento à mulher no contexto de violência doméstica.
A pena prevista varia de 20 a 40 anos de reclusão. O texto também estabelece agravantes, com aumento de pena entre um terço e metade, em situações como crime cometido na presença da mulher, contra vítimas vulneráveis ou em descumprimento de medidas protetivas.
Além disso, o homicídio vicário passa a integrar a lista de crimes hediondos, o que implica regras mais rígidas para o cumprimento da pena.
Divergências durante a votação
Apesar da aprovação, o projeto gerou debate no plenário. Parlamentares da oposição questionaram a proposta, apontando possíveis brechas e interpretações controversas, especialmente em disputas familiares envolvendo filhos.
Apesar da aprovação, o projeto enfrentou resistência no plenário, especialmente entre parlamentares da oposição. As críticas se concentraram na forma como o texto define a violência vicária e na possibilidade de aplicação desigual da lei.
Na avaliação de integrantes contrários à proposta, a medida pode abrir margem para interpretações controversas em disputas familiares, principalmente em casos envolvendo filhos. Também foi levantada a preocupação de que o projeto adote uma abordagem considerada unilateral, sem contemplar de forma equilibrada diferentes contextos de conflito dentro do ambiente doméstico.
Outro ponto destacado foi o risco de uso indevido da nova tipificação em situações de litígio entre pais, o que, segundo esses parlamentares, exigiria maior cuidado na regulamentação para evitar distorções na aplicação da lei.
Em avaliações gerais, há preocupação com a aplicação prática da medida e com o equilíbrio na análise dos casos.
Próximos passos
Com a aprovação na Câmara, o projeto segue agora para o Senado, onde ainda será analisado antes de eventual sanção presidencial.