A pesquisadora brasileira Dra. Tatiana Coelho de Sampaio vem ganhando destaque nacional e internacional por seus estudos na área de medicina regenerativa voltados ao tratamento de lesões na medula espinhal. Professora e chefe do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ela lidera há quase três décadas pesquisas sobre substâncias capazes de estimular a regeneração neural e auxiliar na recuperação de movimentos em pacientes com paraplegia e tetraplegia.
O principal foco de sua equipe é a polilaminina, um polímero desenvolvido a partir da laminina, proteína naturalmente presente no organismo humano e essencial para a estrutura dos tecidos. Nos estudos, a substância atua como uma espécie de malha regenerativa aplicada no local da lesão medular, ajudando a proteger células nervosas, estimular a sobrevivência dos neurônios e favorecer a reconexão das fibras nervosas. Por esse potencial, alguns meios de comunicação passaram a chamá-la popularmente de “vacina contra a paralisia”, embora cientificamente o tratamento ainda seja considerado experimental.
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A trajetória da pesquisadora começou em 1998, enfrentando os desafios comuns à ciência brasileira, como a busca constante por financiamento e estrutura para pesquisas de longo prazo. Ao longo dos anos, o trabalho avançou com apoio de instituições como FAPERJ, CAPES e parceria com o laboratório Cristália, permitindo que os estudos saíssem da fase teórica e chegassem a testes clínicos iniciais.
Entre os casos que chamaram atenção está o do bancário Bruno Drummond de Freitas, que sofreu um grave acidente em 2018 e ficou tetraplégico. Ele participou do protocolo experimental com aplicação da polilaminina durante cirurgia de descompressão da medula. Semanas após o procedimento, apresentou sinais de recuperação motora e, meses depois, conseguiu voltar a andar, tornando-se um dos exemplos mais conhecidos do potencial da terapia.
O impacto da pesquisa levou, em janeiro de 2026, ao anúncio do início dos estudos clínicos de fase 1 para tratamento de trauma raquimedular agudo dentro do processo regulatório do Ministério da Saúde e da Anvisa. Essa etapa é fundamental para avaliar segurança e eficácia antes que o medicamento possa, futuramente, ser disponibilizado em larga escala para pacientes do SUS.
Mesmo com resultados considerados promissores, especialistas destacam que o tratamento ainda passa por validação científica e não pode ser classificado como cura definitiva da tetraplegia neste momento. Ainda assim, o trabalho da Dra. Tatiana Sampaio representa um avanço importante na busca por terapias capazes de devolver mobilidade, autonomia e qualidade de vida a pessoas com lesões medulares, consolidando o Brasil como um dos centros relevantes de pesquisa em regeneração neural.