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Surto na Hyundai expõe disputa sobre qualidade da água

Por Gabriela Lima/JP1 |
| Tempo de leitura: 3 min
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Fachada da Hyundai mobis
Fachada da Hyundai mobis

No dia 19 de janeiro, um surto de mal-estar coletivo atingiu 152 funcionários da Hyundai Mobis, em Piracicaba, e deu início a uma divergência pública sobre a qualidade da água consumida na unidade. Na última sexta-feira (13), a empresa afirmou que análises internas identificaram ausência de cloro residual na água utilizada no local.

 O Serviço Municipal de Água e Esgoto (Semae Piracicaba) sustenta que o abastecimento público estava dentro dos padrões exigidos pela legislação federal.

Os trabalhadores apresentaram sintomas compatíveis com intoxicação alimentar, como diarreia e vômitos, após utilizarem o refeitório da fábrica.

Apontamentos da empresa


De acordo com a Hyundai Mobis, exames realizados em amostras coletadas de torneiras e bebedouros indicaram níveis abaixo do recomendado de cloro residual, o que poderia aumentar o risco de proliferação de microrganismos. A empresa informou ainda que toda a água usada no preparo dos alimentos e para consumo humano é fornecida exclusivamente pelo sistema público, sem uso de poços ou fontes alternativas.

Posicionamento oficial do Semae


Em nota, o Semae informou que a água tratada e distribuída no município atende todas as diretrizes e padrões estabelecidos pelo Ministério da Saúde, conforme a Portaria GM/MS nº 888, de 4 de maio de 2021. O órgão esclareceu que todos os laudos referentes à qualidade da água da Estação de Tratamento do Capim Fino solicitados pela Hyundai Mobis foram entregues e demonstram que a água que chega ao cavalete da empresa está dentro dos parâmetros exigidos.

Segundo a autarquia, não foram registrados relatos ou reclamações relacionadas à qualidade da água no Parque Automotivo nem em outros pontos da cidade. A Estação de Tratamento de Água (ETA Capim Fino), responsável pelo abastecimento da região industrial, opera de forma contínua e ininterrupta, com vazão média de 1.600 litros por segundo, atendendo cerca de 75% da população do município.

O Semae também informou que o cloro é utilizado como agente oxidante e desinfetante, constituindo uma das principais barreiras de segurança biológica do sistema. A dosagem é controlada para assegurar a inativação de microrganismos patogênicos, como bactérias, vírus e protozoários, reduzindo o risco de transmissão de doenças por meio da água.

A autarquia reforçou ainda que mantém responsabilidade sobre a água distribuída à população e que atua continuamente para garantir segurança hídrica à cidade.

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Alimentos analisados


A empresa responsável pelo restaurante da unidade também realizou análises e apontou que apenas alimentos crus que tiveram contato direto com a água, como saladas e legumes, foram considerados fora do padrão, afastando a hipótese de contaminação nos pratos quentes.

Retorno ao trabalho e medidas adotadas


Todos os funcionários afastados já retornaram às atividades. A Hyundai Mobis informou que adotou ações preventivas adicionais, como substituição dos bebedouros, aumento da frequência de análises laboratoriais, implantação de sistema automático de dosagem de cloro e monitoramento digital do teor do produto em tempo real. Um novo laudo posterior indicou que a água estava própria para consumo humano.

Fiscalização e investigação


A Vigilância Sanitária realizou inspeção no local e não encontrou irregularidades estruturais nem falhas nos procedimentos de manipulação de alimentos. As investigações seguem em andamento, com análises clínicas encaminhadas ao Instituto Adolfo Lutz.

O Sindicato dos Trabalhadores solicitou acesso aos laudos de água e alimentos e informou que acompanha o caso. Os sintomas apresentados variaram entre quadros leves e mais intensos, sem que a origem da contaminação tenha sido confirmada até o momento.

O episódio permanece sob apuração, enquanto empresa e serviço público mantêm versões distintas sobre a qualidade da água no período em que ocorreram os atendimentos médicos.

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