SAÚDE

Canetas para emagrecer podem causar inflamação no pâncreas

Por Redação/JP1 |
| Tempo de leitura: 3 min
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 pancreatite voltou ao centro das atenções após um alerta da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre o uso indevido das chamadas “canetas emagrecedoras”.
pancreatite voltou ao centro das atenções após um alerta da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre o uso indevido das chamadas “canetas emagrecedoras”.

A pancreatite voltou ao centro das atenções após um alerta da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre o uso indevido das chamadas “canetas emagrecedoras”. De acordo com a agência, nos últimos cinco anos foram registradas 145 notificações de suspeita de pancreatite associadas a esses medicamentos no Brasil, com seis casos que evoluíram para morte. O dado acendeu um sinal de atenção, principalmente diante do crescimento expressivo da procura por esses fármacos para perda de peso.

A pancreatite é a inflamação do pâncreas, órgão localizado na parte superior do abdômen e que desempenha funções essenciais no organismo. Ele é responsável pela produção de hormônios como a insulina e o glucagon, que controlam os níveis de açúcar no sangue, além de fabricar enzimas que auxiliam na digestão dos alimentos. Quando ocorre um processo inflamatório, o pâncreas pode inchar e provocar dor abdominal intensa, geralmente na região superior, podendo irradiar para as costas. Náuseas, vômitos e mal-estar também são sintomas comuns. Nos quadros mais graves, podem surgir complicações como infecções, necrose do tecido pancreático e até risco à vida.


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As causas da pancreatite são variadas. Entre as mais frequentes estão a presença de cálculos na vesícula biliar, o consumo excessivo de álcool e alterações metabólicas, como níveis muito elevados de triglicerídeos. Alguns vírus e determinados medicamentos também podem desencadear o problema. É nesse contexto que entram as chamadas canetas emagrecedoras, medicamentos injetáveis indicados principalmente para o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2.

Estudos apontam que esses remédios podem estar associados a um aumento discreto no risco de pancreatite aguda. Especialistas ressaltam, no entanto, que o risco é considerado baixo quando o uso é feito de forma correta, com prescrição e acompanhamento médico. O principal problema ocorre quando há automedicação ou utilização sem avaliação adequada do histórico clínico do paciente, especialmente em pessoas que já apresentam fatores de risco.

Diante do cenário, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária determinou que a venda desses medicamentos passe a exigir retenção de receita nas farmácias e drogarias. A prescrição deve ser emitida em duas vias e tem validade de até 90 dias, medida semelhante à adotada para antibióticos. O objetivo é reforçar o controle e reduzir o uso indiscriminado.

Outro ponto destacado por especialistas é que a própria obesidade já é considerada um fator de risco para pancreatite. Por isso, ainda se discute até que ponto os casos registrados estão diretamente ligados ao medicamento ou às condições de saúde dos pacientes que já apresentavam maior predisposição.

O diagnóstico da pancreatite é feito por meio de avaliação médica, exames laboratoriais e exames de imagem, como tomografia computadorizada. O tratamento geralmente envolve internação, hidratação intravenosa, jejum para repouso do pâncreas e controle rigoroso das complicações. Após a estabilização do quadro, é fundamental investigar e tratar a causa que desencadeou a inflamação.

O alerta da Anvisa não significa que as canetas emagrecedoras estejam proibidas, mas reforça a necessidade de uso responsável e sempre com orientação profissional. A busca por emagrecimento rápido, sem acompanhamento médico, pode trazer riscos que vão muito além dos benefícios esperados.

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