No interior de São Paulo, a cidade de Piracicaba aparece no topo de um quadro que tem dividido especialistas em segurança: enquanto os indicadores gerais de homicídios caem, a taxa de mortes decorrentes de ação policial mostra avanço notável em 2025 — e reflete o peso da atuação ostensiva das forças de segurança no combate ao crime. Dados analisados por instituições de segurança e Ministério Público apontam que a letalidade policial atingiu 808 casos no estado no ano passado — o maior número da série histórica recente, que já vinha em ascensão desde 2022.
Letalidade policial em alta
A avaliação dos últimos três anos mostra que as mortes por policiais civis e militares cresceram de forma continuada, superando os 800 casos em 2025, segundo informações compiladas pela imprensa a partir dos registros oficiais. Esse movimento ocorre em paralelo a uma queda nos homicídios dolosos no estado — que marcaram o menor índice desde o início da série histórica da Secretaria de Segurança Pública.
Especialistas ouvidos pela reportagem destacam que esse aumento não ocorre de forma uniforme: batalhões de elite e unidades especializadas desempenham papel central nas ocorrências mais letais. Entre eles estão unidades como a Rota e o Baep, responsáveis por grande parte das ações que terminaram em morte em 2025, inclusive em áreas do interior.
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Piracicaba no ranking interiorano
No ranking de letalidade vinculada à ação das polícias no interior paulista, Piracicaba destaca-se pela primeira posição, resultado da intensa presença operacional de batalhões especializados que atuam na região e em municípios vizinhos. Outros centros urbanos também aparecem no comparativo estadual, formando um panorama que mistura redução dos homicídios gerais e incursões mais frequentes das forças de segurança.
Embora os dados variem conforme o critério de cálculo (por número absoluto ou por taxa por 100 mil habitantes), análises regionais anteriores já haviam apontado Piracicaba entre as localidades com índices elevados em comparações estaduais, já registrando posições de destaque em rankings de atuação policial, ao lado de cidades como Rio Claro, pertencente à Região Metropolitana.
Ranking completo por batalhão
- Rota, São Paulo, 57 mortes
- 10o BAEP, Piracicaba, 40 mortes
- 47o BPM/I, Campinas, 26 mortes
- 6o BAEP, São Bernardo do Campo, 25 mortes
- 6o BPM/M, São Bernardo do Campo, 19 mortes
- 16o BPM/M, São Paulo, 18 mortes
- 5o BAEP, Barueri, 16 mortes
- 15o BPM/M, Guarulhos, 15 mortes
- 13o BAEP, Bauru, 14 mortes
- 15o BAEP, Guarulhos, 14 mortes
O impacto da atuação policial
Autoridades de segurança pública ressaltam que a expansão das operações no interior e a presença de tropas especializadas têm como objetivo dificultar a ação de facções criminosas e reduzir crimes violentos, contribuindo para que os indicadores de homicídios dolosos continuem em trajetória de queda no estado como um todo. Dados oficiais apontam que as unidades envolvidas em confrontos de alto risco atuam integradas com setores de inteligência, enfrentando organizações com forte estrutura armada, o que acaba refletindo também no número de ocorrências com letalidade.
Entretanto, analistas de segurança alertam que altas taxas de letalidade policial exigem atenção e avaliação contínua das práticas operacionais, especialmente em áreas urbanas e periurbanas, onde a presença policial é mais intensa e onde a população mais percebe o impacto das ações.
Especialistas e perspectivas
Pesquisadores consultados destacam que a gestão de tropas especializadas e estratégias de combate precisam sempre ser balanceadas com medidas de proteção à vida, capacitação em desescalada de conflitos e transparência na produção e divulgação de dados. Eles apontam que a letalidade policial elevada em áreas do interior é muitas vezes reflexo da conjuntura local: a presença de redes criminosas organizadas, aliados aos desafios socioeconômicos e à distribuição geográfica dos efetivos policiais.