SAÚDE

Pesquisa associa conservantes ao câncer de mama e próstata

Por Gabriele C Sanches/JP1 |
| Tempo de leitura: 3 min
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Pesquisa aponta 5 conservantes ligados ao aumento de câncer de mama e próstata

Estudo analisou mais de 100 mil pessoas e acende alerta sobre alimentos ultraprocessados

Alimentos industrializados fazem parte da rotina moderna, seja pela praticidade ou pelo custo mais acessível. No entanto, novas evidências científicas indicam que o consumo frequente de determinados conservantes alimentares pode estar associado ao aumento do risco de alguns tipos de câncer.

Um amplo estudo conduzido por pesquisadores da Université Sorbonne Paris Nord e da Université Paris Cité, na França, analisou dados de mais de 100 mil pessoas e reacendeu o debate sobre os impactos de longo prazo dos alimentos ultraprocessados na saúde humana.

Os resultados não apontam uma relação direta de causa e efeito, mas mostram que a exposição contínua a certos aditivos químicos pode estar associada ao maior risco de câncer de mama e de próstata, especialmente quando esses produtos fazem parte do consumo diário.


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Os conservantes associados ao risco

Entre os aditivos analisados, cinco conservantes chamaram a atenção dos pesquisadores por estarem mais frequentemente presentes na alimentação de pessoas que desenvolveram esses tipos de câncer:

Nitrito de sódio (E250)

Nitrato de sódio (E251)

Sorbato de potássio (E202)

Benzoato de sódio (E211)

Butil-hidroxitolueno – BHT (E321)

Essas substâncias são amplamente utilizadas para aumentar a durabilidade de produtos como embutidos, carnes processadas, refrigerantes, molhos, pães industrializados, salgadinhos e refeições prontas.

Segundo os pesquisadores, esses compostos podem, no organismo, formar substâncias potencialmente cancerígenas, além de interferir em processos hormonais e inflamatórios — fatores ligados ao desenvolvimento de tumores.

O que o estudo observou

A pesquisa acompanhou os hábitos alimentares dos participantes ao longo de vários anos, cruzando os dados com diagnósticos médicos. Pessoas que consumiam mais alimentos ultraprocessados com esses conservantes apresentaram maior incidência de câncer de mama e de próstata.

Os cientistas ressaltam que o risco não está ligado a um consumo ocasional, mas sim ao uso frequente e prolongado desses produtos na dieta.

Especialistas pedem cautela, não pânico

Os autores do estudo destacam que os conservantes são aprovados por agências reguladoras e considerados seguros dentro dos limites estabelecidos. No entanto, alertam que o efeito combinado de vários aditivos ao longo dos anos ainda não é totalmente compreendido.

Por isso, a recomendação é reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados e priorizar uma alimentação baseada em comida de verdade: frutas, legumes, verduras, grãos, carnes frescas e alimentos minimamente processados.

Como se proteger no dia a dia

Especialistas orientam algumas medidas simples para diminuir a exposição a esses conservantes:

Ler os rótulos dos alimentos

Evitar produtos com muitos aditivos químicos

Reduzir o consumo de embutidos (salsicha, presunto, salame, mortadela)

Preferir alimentos frescos ou caseiros

Variar a alimentação e evitar repetir os mesmos ultraprocessados diariamente

Alerta para a saúde pública

O estudo reforça o que outras pesquisas internacionais já vêm apontando: o alto consumo de ultraprocessados está associado não só ao câncer, mas também a doenças cardiovasculares, obesidade e diabetes.

Para os pesquisadores, os dados devem servir de base para políticas públicas, revisão de normas sobre aditivos alimentares e campanhas de conscientização sobre alimentação saudável.

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