O presidente Donald Trump assinou na última quarta-feira (7) um decreto que determina a retirada dos Estados Unidos de 66 organizações internacionais, entre elas 31 ligadas às Nações Unidas e 35 fora do sistema da ONU, alegando que tais entidades “não servem mais aos interesses nacionais”, informou a Casa Branca.
Saída estratégica das Nações Unidas
O memorando inclui a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) e o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), órgãos centrais na avaliação global do aquecimento planetário. A medida reforça a postura de Trump, que questiona o consenso científico sobre a influência humana no clima, e retoma ações similares de seu primeiro mandato, como a saída do Acordo de Paris.
Além de órgãos climáticos, a ordem executiva também afeta entidades como a Agência Internacional de Energia Renovável, a UN Oceans e a UN Water, mostrando a intenção de reduzir o envolvimento dos EUA em iniciativas multilaterais.
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Política “America First” e cortes de ajuda
Desde que retornou à Casa Branca, Trump tem promovido uma agenda de prioridade aos interesses nacionais, que inclui não apenas a redução de compromissos internacionais, mas também o corte expressivo da ajuda externa americana. Organizações da ONU como o Alto Comissariado para os Refugiados (Acnur) e o Programa Mundial de Alimentos (PMA) tiveram que rever suas operações em diversos países devido à diminuição de fundos.
Histórico de afastamentos globais
Durante seu primeiro mandato, Trump já havia retirado os EUA de entidades como a UNESCO e a Organização Mundial da Saúde (OMS). Agora, ele reforça essa tendência, encerrando temporariamente a participação americana em organismos internacionais, mesmo aqueles que haviam sido reingressados sob a presidência de Joe Biden.
Em discursos internacionais, como na Assembleia Geral da ONU, Trump afirmou que a organização “está longe de atingir seu potencial”, justificando a postura de distanciamento e enfatizando sua política externa baseada no lema “Estados Unidos em primeiro lugar”.
Impacto global
Especialistas alertam que a retirada dos EUA pode enfraquecer a coordenação internacional em áreas críticas, como mudanças climáticas, saúde e segurança alimentar. A medida chega em um momento de crescente pressão global para ações coordenadas contra crises ambientais e humanitárias.