TENSÃO INTERNACIONAL

Depois da Venezuela, quais países podem estar na mira de Trump?

Por Bia Xavier - JP |
| Tempo de leitura: 3 min
Imagem gerada por IA

O segundo mandato de Donald Trump começa sob forte turbulência internacional. Após a ação direta contra a cúpula do governo venezuelano, o presidente dos Estados Unidos passou a mirar outros países que, segundo ele, afetam interesses estratégicos de Washington. Em discursos recentes, Trump resgatou a lógica da antiga Doutrina Monroe — rebatizada por aliados como “Doutrina Donroe” — para justificar uma postura mais agressiva no exterior.

As sinalizações vão de pressões diplomáticas e sanções econômicas a insinuações de uso da força militar. A seguir, os principais focos de tensão citados pelo presidente Trump.

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México: drogas, fronteira e soberania

O país vizinho voltou ao centro do discurso de Trump. O presidente acusa o governo mexicano de falhar no combate ao tráfico de drogas e à imigração irregular. Segundo ele, o fluxo de entorpecentes estaria “fora de controle”, impulsionado por cartéis “cada vez mais poderosos”.

Embora não tenha anunciado uma operação formal, Trump afirmou que os EUA “terão de agir”. A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, respondeu rejeitando qualquer intervenção militar estrangeira em território nacional.

Irã: protestos internos e alerta militar

Fora do eixo tradicional da política hemisférica americana, o Irã também entrou no radar. Trump ameaçou reagir com força caso o governo iraniano reprima protestos populares com violência.

O tema ganhou peso após ataques recentes a instalações nucleares iranianas e discussões estratégicas com Israel. Informações da imprensa internacional indicam que o assunto foi prioridade em encontros entre Trump e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, com menção a possíveis novos ataques nos próximos anos.

Groenlândia: território, defesa e minerais raros

A maior ilha do mundo voltou a ser alvo de declarações polêmicas. Trump afirmou que a Groenlândia é essencial para a segurança nacional dos EUA, citando a presença de interesses russos e chineses no Ártico.

Além da localização estratégica no Atlântico Norte, a região concentra grandes reservas de terras raras, insumos-chave para tecnologia, veículos elétricos e equipamentos militares. O governo local reagiu duramente, classificando qualquer ideia de anexação como “irreal” e reafirmando o respeito ao direito internacional.

Colômbia: aliado histórico sob pressão

Mesmo sendo um dos principais parceiros de Washington na América do Sul, a Colômbia entrou na lista de advertências. Trump criticou o presidente Gustavo Petro, associando o governo ao avanço do narcotráfico.

Os EUA já aplicaram sanções e ampliaram operações navais no Caribe e no Pacífico, sob a justificativa de combater o tráfico de drogas. Questionado sobre uma possível ação direta, Trump afirmou que a hipótese “parece aceitável”, elevando o tom contra um aliado tradicional.

Cuba: crise econômica e mudança de regime

A ilha caribenha, a apenas 145 km da Flórida, também foi citada. Trump afirmou que Cuba enfrenta um colapso econômico iminente, agravado pela dependência do petróleo venezuelano — estimado em cerca de 30% do consumo nacional.

Segundo ele, não seria necessária intervenção militar, pois o regime estaria “perdendo sustentação”. O secretário de Estado, Marco Rubio, defensor histórico de uma mudança política em Havana, reforçou que o governo cubano deve encarar as declarações com seriedade.

Uma nova escalada internacional

As falas de Trump indicam uma estratégia baseada em pressão máxima e demonstração de força, com impactos diretos na estabilidade regional e global. Ao retomar conceitos do século 19 para orientar decisões do século 21, o presidente americano amplia o debate sobre os limites da atuação dos EUA no cenário internacional.

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