Em um crime que retrata claramente a falta de amor ao próximo, Josefa Andrade, 43, a mulher em situação de rua, foi morta de maneira cruel, golpeada com um facão, justamente pelo homem com quem dividia a vida e a esperança de dias melhores, na noite desta quarta-feira (31), último dia do ano.
Seu corpo foi encontrado dentro de um posto de combustíveis desativado nas imediações da rodovia Anhanguera, onde viviam.
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O crime chocante aconteceu após o homem ser convidado por uma família para festejar o ano-novo em um local seguro, longe da fome e da solidão das ruas. Segundo as informações no boletim de ocorrência, o único “motivo” para a violência foi o desejo da vítima de estar ao lado do companheiro na festa de Ano-Novo. Mas ele queria ir sozinho.
A vontade de Josefa era simples, humana, comum a qualquer pessoa: compartilhar um momento simbólico com quem se ama. Esse gesto, porém, terminou em tragédia.
O casal vivia em situação de extrema vulnerabilidade social. Sem casa, sem proteção e sem apoio fixo, carregavam no corpo e na rotina as marcas da vida difícil. Ainda assim, havia afeto por parte da mulher. Havia a esperança de que aquela noite pudesse ser diferente. Mas a virada do ano se transformou em um cenário de violência e muito sangue.
Josefa não teve chance de defesa durante a discussão acalorada. Foi atacada de forma brutal, em um ato de violência que interrompeu não apenas uma vida, mas também uma história marcada por dificuldades e invisibilidade. Sua morte com dois golpes de facão na cabeça deixou bem clara uma realidade dura: a violência que atinge mulheres, especialmente as mais vulneráveis, continua fazendo vítimas em silêncio. E neste caso, pelo simples fato de querer estar junto do homem que confiava, em um momento muito marcante.
O indivíduo foi preso, apontado como autor do crime, confirmado por dois relatos de pessoas envolvidas. O caso segue sob investigação e o facão não foi encontrado. A vítima morreu de forma cruel, não por luxo, não por disputa, não por crime — mas por querer amor, companhia e dignidade na noite que simboliza esperança e recomeço. Ela não teve um novo ano. Teve a vida interrompida.
Após ter o corpo reconhecido por familiares no Instituto Médico Legal (IML), ela foi sepultada neste sábado (3), no Cemitério Saudade I em Limeira.