Aline Bardy, mais conhecida nas redes sociais como Esquerdogata, foi detida no sábado (25), apresentando sinais de embriaguez, condição posteriormente admitida pela própria. Após a detenção, ela teria proferido ofensas e desacato contra os policiais, utilizando frases de cunho preconceituoso que mencionavam salário e status socioeconômico.
O motivo da detenção teria sido uma suposta injúria racial contra um dos policiais, com a frase “Um preto querendo foder outro preto”, referindo-se à abordagem de um homem negro, conforme consta em relatório da PM. A declaração teria ocorrido após a influenciadora se aproximar dos policiais que finalizavam uma fiscalização na rua próxima ao bar onde ela estava.
A influenciadora, comunicou, por meio de sua defesa, a intenção de buscar o policial militar a quem dirigiu ofensas de natureza racial, econômica e cultural, com o propósito de apresentar desculpas pessoalmente. O incidente de desacato foi registrado em vídeo pelos policiais militares que realizaram a abordagem.
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Nesta segunda-feira (27), os advogados Douglas Eduardo Marques e Roberto Bertholdo afirmaram que “os excessos foram cometidos em decorrência do uso social de álcool logo após ter se utilizado de medicamentos de uso controlado, somados ao pânico que lhe é provocado pela conduta, muitas vezes excessiva, da Polícia Militar do estado de São Paulo”, disseram em nota enviada ao portal Metrópoles.
A defesa acrescentou que a influenciadora não se exime da “necessidade de pedir desculpas ao policial” e a todos os indivíduos a quem se dirigiu de “forma hostil”. A nota reforça que Aline Bardy planeja procurar o PM diretamente, considerando essa atitude uma “obrigação humana”.
Alegação de não recordar a ocorrência
No comunicado, Aline Bardy alegou não se recordar dos fatos, citando o uso de medicamentos e bebidas alcoólicas no dia do incidente. Ela informou que, após ter acesso ao vídeo divulgado pelo Metrópoles, encontrava-se “emocionalmente devastada”.
“Assim, Aline reconhece que deve desculpas pelos excessos, pelos erros e pelo modo que agiu, pois eles não representam nem o seu pensamento e muito menos a sua história de luta por igualdade, respeito humano e social”, diz o texto. A nota finaliza reiterando o pedido de desculpas aos ofendidos e a seus seguidores.
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Detalhes da detenção
Em diversos momentos, Aline Bardy mencionou possuir 1 milhão de seguidores nas redes sociais (no Instagram, o perfil possuía 878 mil seguidores até a manhã de segunda-feira).
As ofensas registradas incluíram frases como: “Você tem noção de quem é você e quem sou eu? […] Você não tem dinheiro nem para falar com meu advogado […]”, e chamou um policial de “fascistinha”. Ela também declarou: “Sabe que uma militante ser presa, isso vai me fazer deputada federal? Vou mandar em vocês tanto. Você é um policialzinho, ganha licença-prêmio”.
A influenciadora fez referências ao salário dos policiais, estimando o valor em R$ 3 mil mensais, e ostentou bens: “Minha sandália vale o carro de vocês […]. Já foi para a Europa, meu amor? Vai pra Itália, para ver como são os policiais, vão ter vergonha […]. Já foi pra Londres? Nunca né? Você não tem dinheiro para isso”. Ela também utilizou um preconceito linguístico, criticando a conjugação verbal de um policial em um depoimento anterior.
Aline teve as pernas imobilizadas após tentar danificar o vidro traseiro da viatura, batendo a algema na estrutura. Toda a abordagem e prisão foram gravadas em vídeo pelos policiais militares e o material foi entregue à Polícia Civil.
A defesa negou a ocorrência de crime racial. O advogado Douglas Eduardo Marques informou que a cliente está “abalada” com a situação. Ela foi liberada no sábado, após audiência de custódia, e deve cumprir medidas cautelares, incluindo a proibição de sair à noite e a comprovação a cada 60 dias de que está realizando tratamento psicológico.