A segurança dos elevadores no Brasil é comprometida pela negligência técnica e pela falta de fiscalização eficaz sobre a manutenção preventiva, prática que deveria ser rotineira. De acordo com um levantamento da BAND, o país registra a morte de uma pessoa a cada dez dias em acidentes envolvendo elevadores.
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A estatística revela um problema que une a economia de recursos mal aplicada por parte dos condomínios e a ausência de prevenção adequada. Em geral, a manutenção dos elevadores é acionada somente após falhas, emperramentos ou incidentes que causam susto. Síndicos e moradores frequentemente confundem a manutenção com a simples troca de peças, desconsiderando que a manutenção preventiva é engenharia aplicada e visa a preservação da vida.
Em São Paulo, a legislação estabelece a manutenção mensal obrigatória. Contudo, muitos edifícios só buscam o serviço quando o equipamento já sinaliza problemas. Este comportamento resulta em mais chamados de emergência e elevação do risco. Dados de ocorrências indicam um aumento no Rio de Janeiro (6%) e no Distrito Federal (32%), com São Paulo registrando uma queda de 4%. Os números sinalizam que a cultura da prevenção permanece como exceção no país.
O Papel do Síndico
O síndico é a figura central na gestão do elevador, sendo civil e criminalmente responsável por acidentes. No entanto, nem sempre possui o suporte técnico para avaliar a seriedade dos contratos de manutenção. O setor frequentemente lida com a prática de empresas de fachada, orçamentos com valores irrealistas e ausência da ART (Anotação de Responsabilidade Técnica), documento essencial que garante a conformidade legal do serviço. Empresas que realizam manutenção devem ter registro nos órgãos competentes e contar com um engenheiro responsável técnico no CREA.
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Pilares técnicos para a segurança
Pedro Diniz, CEO da One Elevadores, destacou ao portal O Antagonista, três pilares técnicos fundamentais para a segurança dos equipamentos:
- Manutenção Sistemática: Focada na confiabilidade mecânica, e não apenas no cumprimento contratual.
- Monitoramento Contínuo: Uso de sensores e telemetria para identificar falhas antes que evoluam para emergências.
- Atualização Tecnológica: Modernização de equipamentos com mais de 15 anos para compensar a defasagem.
Diniz ressalta que o tratamento da manutenção como investimento protege vidas e o patrimônio do condomínio, enquanto encará-la como despesa aumenta o risco jurídico da gestão e reduz a vida útil dos elevadores.
Custo da Prevenção x Risco de Acidente
A manutenção anual de um elevador avaliado em R$ 200 mil representa cerca de R$ 10 mil, equivalente a 5% do valor total. A busca por serviços de baixo custo ou o adiamento das revisões transformam a economia em risco. Modernizações, sugeridas entre 10 e 15 anos de uso, custam em média 40% do preço do equipamento. Este custo é considerado menor que as consequências morais e financeiras de um acidente.
A maioria dos acidentes se deve a falha humana, resultante de síndicos que delegam o cuidado, empresas que reduzem custos e usuários que ignoram sinais de falha (ruídos, solavancos, desnível). A segurança predial é uma questão de cultura e, enquanto os elevadores forem tratados com descaso, as tragédias evitáveis continuarão a ocorrer.