LEGADO

Acervo inédito de Marília Mendonça vira alvo de disputa familiar

Por Bia Xavier - JP |
| Tempo de leitura: 2 min
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Acervo inédito mantém viva a voz de Marília, mas gera polêmica nos bastidores.
Acervo inédito mantém viva a voz de Marília, mas gera polêmica nos bastidores.

Marília Mendonça deixou uma marca que vai muito além de sua vida. Com centenas de hits e um estilo único de composição, a artista segue batendo recordes mesmo após a morte. A faixa "Leão", lançada em dezembro de 2022, é hoje a música mais ouvida por brasileiros nas plataformas digitais, evidenciando a força contínua de sua obra.

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Segundo Wander Oliveira, empresário responsável pela carreira de Marília e fundador da Workshow, a cantora deixou material suficiente para mais de 20 anos de lançamentos. “A ideia é trabalhar cerca de 10 músicas por ano. Existe conteúdo para duas décadas com folga”, afirmou. O acervo inclui gravações de lives durante a pandemia e registros caseiros feitos por Marília, muitas vezes pelo celular.

Gestão do legado

Desde o trágico acidente em 2021, a administração do repertório da artista envolve três frentes: a família, representada pela mãe Ruth Dias e pelo cantor Murilo Huff, pai de Léo, filho e herdeiro da cantora; a gravadora Som Livre, que detém direitos de exploração comercial desde 2019; e a Workshow, que gerenciava a carreira da artista.

O trabalho conjunto é necessário para preservar a imagem de Marília, decidir sobre lançamentos póstumos e proteger os direitos das músicas inéditas. Nem sempre as decisões agradam a todos. Um exemplo foi o dueto póstumo com Cristiano Araújo na música “De Quem É a Culpa?”, aprovado pela família, mas contestado por Oliveira.

O pen drive polêmico

Entre os materiais inéditos está um pen drive compilado por Juliano Soares, conhecido como Tchula, parceiro de longa data da cantora. O dispositivo contém de 100 a 110 arquivos, incluindo rascunhos, gravações em voz e violão e interpretações de Marília. Wander Oliveira considera que o conteúdo deveria pertencer ao filho da cantora: “Para mim, o pen drive pertence ao Léo. Ele poderá decidir o que fazer com a história da mãe dele”.

A disputa envolvendo o dispositivo gerou tensão entre a Workshow e representantes da família. Segundo Robson Cunha, advogado da família, todos os arquivos da cantora já estão sob contrato com a Som Livre, e as negociações para lançamentos futuros seguem em andamento.

Novos contratos e negociações

Oliveira busca transformar parte do contrato de cessão com a gravadora em licenciamento, permitindo que a gestão futura do acervo retorne à família e à Workshow após determinado período. O empresário considera que esse formato protegeria os interesses do filho da cantora, Léo, garantindo que ele tenha autonomia sobre o legado da mãe.

Atualmente, todas as negociações sobre o pen drive e demais músicas inéditas estão temporariamente suspensas, aguardando que Murilo Huff assine os contratos envolvendo o filho. A Som Livre, por sua vez, reafirma ser responsável por qualquer lançamento futuro, em parceria com os representantes da artista, sempre respeitando sua memória e legado.

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