ESTUDANTE DE DIREITO

Ex fez foto com arma na cabeça dias antes de matar Lívia no Vale

Por Da redação | Pindamonhangaba
| Tempo de leitura: 6 min

Uma foto em que o ex-namorado aparece apontando uma arma de fogo para a própria cabeça foi feita dias antes de Lívia Berthoud, de 23 anos, ser morta a tiros em Pindamonhangaba. O crime chocou o Brasil e foi filmado por uma câmera de segurança. VEJA O VÍDEO 

A foto foi feita em meio à escalada de ameaças e perseguições que a estudante de Direito enfrentava após o fim do relacionamento de quatro anos com Carlos Eduardo Barbosa Vieira Leite, de 25 anos, o Cadu. 

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Lívia havia bloqueado o ex nas redes sociais e no aplicativo de mensagens, mas ele encontrou outras formas de tentar manter contato.

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Segundo o material reunido pela família, o homem chegou a fazer transferências de R$ 0,01 via Pix para enviar mensagens no campo destinado ao texto da operação bancária. Também teria enviado presentes e cartas à casa da família.

A jovem universitária foi morta a tiros na manhã desta segunda-feira (10), no bairro Jardim Campo Alegre, em Pinda. Ela possuía uma medida protetiva contra Cadu. Após o crime, o jovem tentou tirar a própria vida -- ele, que segue hospitalizado, teve a prisão preventiva decretada. Ele escreveu o nome de Lívia com sangue. 

Lívia, que estudava Direito na Unitau (Universidade de Taubaté) e colaria grau no fim do ano, sonhava trabalhar com a irmã, também da área, na busca por Justiça e na defesa das mulheres. A jovem era estagiária do TJ (Tribunal de Justiça) de São Paulo.

"Eu queria tanto poder te colocar em um potinho e te proteger de tudo. E daria tudo para ter conseguido. Mas, enquanto eu respirar, lutarei por justiça. Lutarei por você. E enquanto houver vida em mim, haverá amor por você. Para sempre, minha irmãzinha. Meu primeiro amor. Minha luz", postou a irmã, Laura Berthoud. 

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Foto com arma aumentou o temor da estudante

Na semana anterior ao assassinato, familiares do ex procuraram Lívia para pedir que ela enviasse um áudio de apoio a ele, depois de relatarem que o homem havia admitido o uso de drogas e precisava ser convencido a se internar.

Lívia recusou o pedido. Segundo o material, ela temia que qualquer manifestação de apoio fosse interpretada como uma tentativa de reatar o relacionamento.

Foi nesse contexto que a família tomou conhecimento da foto em que o ex aparece com uma arma apontada para a própria cabeça. A imagem elevou o nível de preocupação porque demonstrava que ele tinha acesso a uma arma de fogo.

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Perseguição continuou mesmo após o fim

Lívia e o ex-namorado haviam mantido um relacionamento de aproximadamente quatro anos. O namoro terminou cerca de cinco meses antes do crime.

Depois da separação, segundo o material, o homem não teria aceitado o fim e passou a procurar formas de continuar se comunicando com a estudante. A família relata mensagens, transferências via Pix, cartas e presentes.

Com o apoio da irmã, Laura Berthoud, Lívia reuniu prints, extratos das transferências e outros registros e procurou a DDM (Delegacia de Defesa da Mulher).

Medida protetiva foi concedida antes do assassinato

A sequência dos acontecimentos ocorreu em poucos dias.

Na quarta-feira, foi registrada a ocorrência por perseguição. No dia seguinte, Lívia prestou depoimento na DDM e apresentou a documentação reunida pela família. A partir disso, houve solicitação de medida protetiva de urgência.

Na sexta-feira, um oficial de Justiça foi até a residência da família para comunicar a concessão da medida, que determinava que o ex mantivesse distância mínima de 100 metros da estudante.

Na segunda-feira (10), porém, Lívia saiu de casa para ir à academia e foi abordada pelo ex-namorado perto de sua residência. Ela acabou sendo morta a tiros.

Vídeo mostra Lívia tentando fugir

Câmeras de segurança registraram os momentos que antecederam o assassinato. Nas imagens, Lívia aparece correndo pela rua enquanto tenta escapar do ex.

Em determinado momento, ela se aproxima de um carro que passava pelo local e aparentemente tenta pedir ajuda. O veículo não para. Pouco depois, a jovem é alcançada e atingida pelos disparos.

O vídeo passou a integrar os elementos analisados pela Polícia Civil para reconstruir a dinâmica do feminicídio.

Ex foi encontrado ferido em apartamento

Após o crime, policiais foram até o condomínio onde o suspeito morava, no bairro Bela Vista. Um Chevrolet Prisma prata associado a ele estava estacionado em frente ao local e, segundo o boletim de ocorrência, o motor ainda estava quente.

Os policiais fizeram um cerco ao imóvel porque havia a informação de que o homem poderia estar armado. Ele foi localizado ferido e coberto de sangue e acabou retirado do apartamento sem resistência.

Segundo o boletim, o suspeito teria efetuado um disparo contra si próprio depois de retornar ao imóvel. Ele foi levado pelo Samu ao Pronto-Socorro Municipal de Pindamonhangaba e, por estar intubado e sem condições de prestar depoimento, recebeu voz de prisão em flagrante.

Revólver calibre .38 foi apreendido

No apartamento, policiais encontraram um revólver Taurus calibre .38, com quatro munições deflagradas no tambor. A arma foi apreendida e encaminhada para perícia.

A Polícia Civil também realizou exame residuográfico nas mãos do investigado. Os exames poderão ajudar a esclarecer se houve contato recente com disparos e se a arma apreendida foi usada na morte de Lívia.

Celulares, incluindo um aparelho que pertencia a Lívia, também foram recolhidos. Os policiais encontraram ainda uma carta manuscrita de duas páginas, uma cartela vazia de medicamento e pequenas porções de uma substância com aparência de maconha.

O boletim de ocorrência não divulga o conteúdo da carta nem estabelece, neste momento, relação entre os objetos encontrados e a motivação do crime.

Nome de Lívia foi escrito com sangue

Outro elemento encontrado no apartamento chamou a atenção dos investigadores. Segundo o boletim de ocorrência, havia respingos de sangue no banheiro e o nome de Lívia escrito no espelho.

O documento policial registra que a inscrição teria sido feita com o dedo. O local foi preservado para perícia, e os investigadores deverão confrontar os vestígios encontrados no apartamento com aqueles recolhidos na cena do feminicídio.

Justiça decreta prisão preventiva

A Justiça de São Paulo decretou a prisão preventiva do suspeito durante audiência de custódia realizada na terça-feira (11). Ele não participou presencialmente da audiência porque continuava internado e sem condições clínicas.

A prisão em flagrante foi convertida em preventiva. O investigado deverá prestar depoimento quando apresentar condições clínicas para participar dos atos processuais.

A Polícia Civil continua investigando o feminicídio, incluindo o histórico do relacionamento, as ameaças relatadas pela família, as mensagens e o possível descumprimento da medida protetiva.

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