Um vídeo obtido pela polícia mostra os últimos momentos de Lívia Berthoud, de 23 anos, antes de ela ser morta a tiros em Pindamonhangaba, no Vale do Paraíba.
Nas imagens, a universitária aparece correndo pela rua e tentando escapar do ex-namorado. Em determinado momento, ela se aproxima de um carro que passava pelo local e pede socorro. O veículo, porém, segue sem parar. Segundos depois, Lívia é atingida pelas costas. VEJA O VÍDEO
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A Justiça de São Paulo decretou nesta terça-feira (11) a prisão preventiva de Carlos Eduardo Barbosa Vieira Leite, de 25 anos, suspeito de matar a ex-namorada. A decisão ocorreu durante audiência de custódia. O investigado não foi apresentado porque continua internado após ser encontrado ferido em seu apartamento.
O caso é investigado pela Polícia Civil como feminicídio. Segundo o boletim de ocorrência, Lívia já havia registrado uma ocorrência de violência doméstica e tinha uma medida protetiva de urgência contra o ex-namorado.
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Vídeo mostra fuga de Lívia antes dos tiros
As imagens registradas por uma câmera de segurança mostram Lívia correndo pela Rua São Sebastião, na região do Parque São Domingos, em Pindamonhangaba.
A jovem corre pela via enquanto tenta se afastar do ex-namorado. Em determinado momento, ela se aproxima de um veículo que passava pelo local e aparentemente tenta pedir ajuda. O carro, no entanto, não para. Pouco depois, Lívia é alcançada e atingida por disparos de arma de fogo.
O vídeo passa a ser um dos elementos que poderão ajudar a Polícia Civil a esclarecer a dinâmica do crime e os momentos que antecederam a morte da universitária.
Segundo o boletim de ocorrência, policiais militares foram acionados após relatos de disparos e encontraram Lívia caída na rua, com o celular e fones de ouvido próximos aos seus pertences. O Samu foi chamado e constatou a morte no local.
A perícia identificou aproximadamente três a quatro lesões provocadas por disparos de arma de fogo. O corpo foi encaminhado ao IML de Taubaté para exame necroscópico.
Lívia tinha medida protetiva contra o ex
Um dos principais elementos da investigação é o histórico de violência doméstica envolvendo a vítima e o suspeito.
De acordo com o boletim de ocorrência elaborado pela Delegacia de Defesa da Mulher, Lívia já havia registrado ocorrência contra Carlos Eduardo e obtido uma medida protetiva de urgência.
Familiares disseram à polícia que o homem não aceitava o fim do relacionamento e que já teria feito ameaças de morte contra a jovem.
A existência da medida protetiva também levou à prisão em flagrante por suspeita de descumprimento da ordem judicial.
A Polícia Civil deverá analisar o histórico do relacionamento, eventuais ameaças, mensagens e outros registros para esclarecer o que aconteceu antes do assassinato.
Nome de Lívia foi escrito com sangue no espelho
Após identificar Carlos Eduardo como suspeito, policiais foram até o apartamento dele, em um condomínio no bairro Bela Vista.
No local, os agentes encontraram o investigado ferido e coberto de sangue. Segundo o BO, havia respingos de sangue no banheiro e o nome de Lívia escrito no espelho.
O documento policial registra que a inscrição foi feita com o dedo. O ambiente foi preservado para a realização da perícia.
Os investigadores deverão confrontar os vestígios encontrados no apartamento com aqueles recolhidos na cena do feminicídio.
Ex foi encontrado ferido no apartamento
Após receberem informações de que Carlos Eduardo seria o possível autor dos disparos, policiais foram até o condomínio onde ele morava.
Um Chevrolet Prisma prata associado ao investigado estava estacionado em frente ao condomínio. Conforme o boletim, o motor ainda estava quente, indicando que o veículo havia sido utilizado recentemente.
Como havia a informação de que o homem poderia estar armado, os policiais fizeram um cerco ao imóvel e passaram a negociar para que ele abrisse a porta.
Os agentes conseguiram visualizá-lo por uma janela e perceberam que estava ferido e coberto de sangue. Ele foi retirado do apartamento sem resistência. Carlos Eduardo recebeu atendimento do Samu e foi levado ao Pronto-Socorro Municipal de Pindamonhangaba.
Segundo o registro policial, ele teria efetuado um disparo contra si próprio após retornar ao apartamento. No momento do atendimento, estava intubado e sem condições clínicas de prestar depoimento. Mesmo internado, recebeu voz de prisão em flagrante.
Revólver calibre .38 é apreendido
De acordo com o boletim, os policiais perguntaram ao suspeito onde estava a arma. Ele teria indicado que o revólver estava sobre o gabinete da pia do banheiro.
No local, a equipe encontrou um revólver Taurus calibre .38 com quatro munições deflagradas no tambor.
A arma foi apreendida e encaminhada para perícia. A Polícia Civil também realizou exame residuográfico nas mãos do investigado.
O procedimento poderá ajudar a esclarecer se houve contato recente com disparos de arma de fogo. Os exames também deverão indicar se o revólver apreendido foi utilizado na morte de Lívia.
Celulares e carta são apreendidos
Além da arma, os policiais apreenderam celulares, incluindo um aparelho que pertencia a Lívia e outro relacionado ao investigado.
Também foram recolhidos uma camisa, uma carta manuscrita de duas páginas, datada de 12 de abril de 2026, uma cartela vazia de medicamento e pequenas porções de uma substância com aparência de maconha.
O boletim não divulga o conteúdo da carta e não estabelece, neste momento, relação entre os objetos encontrados e a motivação do crime.
Os materiais deverão ser analisados durante o inquérito. Os celulares também podem ajudar os investigadores a reconstruir a relação entre Lívia e Carlos Eduardo e os momentos que antecederam o assassinato, observados os procedimentos legais aplicáveis.
Justiça decreta prisão preventiva
A audiência de custódia foi realizada nesta terça-feira (11). Carlos Eduardo não foi apresentado porque continua internado e sem condições clínicas para participar do ato.
A Justiça converteu a prisão em flagrante em prisão preventiva, mantendo o suspeito preso enquanto as investigações prosseguem.
O investigado deverá prestar depoimento quando apresentar condições clínicas para participar dos atos processuais.
A Polícia Civil ainda deverá aprofundar a investigação sobre a dinâmica do feminicídio, o histórico de violência entre o casal, as ameaças relatadas por familiares e o possível descumprimento da medida protetiva.
Como denunciar violência contra a mulher
Em caso de emergência ou risco imediato, a Polícia Militar pode ser acionada pelo 190.
O Ligue 180, Central de Atendimento à Mulher, recebe denúncias e oferece orientação sobre direitos e serviços da rede de proteção.
Familiares, amigos, vizinhos e testemunhas também podem comunicar situações de violência. A denúncia não precisa ser feita necessariamente pela vítima.
Medidas protetivas podem determinar restrições de aproximação e contato, entre outras providências definidas pela Justiça de acordo com cada situação.