FEMINICÍDIO NO VALE

Ex matou Lívia e escreveu nome dela com sangue no espelho, diz BO

Por Jesse Nascimento | Pindamonhangaba
| Tempo de leitura: 5 min
Reprodução

O feminicídio da universitária Lívia Berthoud, de 23 anos, em Pindamonhangaba, ganhou um detalhe perturbador.

Segundo a polícia, após matar a jovem, o ex-namorado, Carlos Eduardo Barbosa Vieira Leite, de 25 anos, foi encontrado ferido no próprio apartamento, onde policiais localizaram o nome da vítima escrito com sangue no espelho do banheiro. 

Clique aqui para fazer parte da comunidade de OVALE no WhatsApp e receber notícias em primeira mão. E clique aqui para participar também do canal de OVALE no WhatsApp

Lívia já tinha uma medida protetiva contra o ex e, segundo familiares, havia sido ameaçada de morte antes do crime.

O assassinato aconteceu por volta das 9h desta segunda-feira (10), na Rua São Sebastião, na região do Parque São Domingos. Carlos Eduardo foi preso em flagrante por feminicídio e levado ao Pronto-Socorro Municipal de Pindamonhangaba após se ferir.

Segundo o boletim de ocorrência elaborado pela DDM (Delegacia de Defesa da Mulher), o homem não aceitava o fim do relacionamento. Familiares também relataram que ele já teria feito ameaças de morte contra Lívia.

Lívia foi morta a tiros em Pindamonhangaba

Policiais militares foram acionados para atender uma ocorrência de disparos de arma de fogo na Rua São Sebastião. No local, encontraram Lívia caída na via, com o celular e fones de ouvido próximos aos pertences.

A jovem apresentava vários ferimentos compatíveis com disparos. O Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foi acionado, mas constatou a morte ainda no local.

Segundo o boletim, a perícia identificou aproximadamente três a quatro lesões provocadas por tiros.

O corpo de Lívia foi encaminhado ao IML (Instituto Médico Legal) de Taubaté para exame necroscópico.

Informações obtidas durante as primeiras diligências indicaram que a universitária havia deixado uma academia e teria sido seguida pelo ex-namorado por alguns metros antes dos disparos.

Naquele momento, a identidade da vítima ainda não havia sido divulgada. O boletim concluído pela DDM confirmou posteriormente que a mulher assassinada era Lívia Berthoud.

Lívia tinha medida protetiva contra o ex

Um dos principais elementos acrescentados pelo primeiro boletim concluído pela DDM é que Lívia já havia procurado a polícia por violência doméstica.

A jovem possuía uma medida protetiva de urgência contra Carlos Eduardo.

Familiares disseram aos policiais que o homem não aceitava o fim do relacionamento e já teria ameaçado Lívia de morte.

A existência da medida protetiva será analisada pela Polícia Civil para verificar se houve eventual descumprimento de uma ordem judicial antes ou durante o feminicídio.

O histórico de violência doméstica, eventuais ameaças, mensagens e outros registros anteriores poderão ser incorporados ao inquérito.

Ex de Lívia foi encontrado ferido em apartamento

Depois de identificar Carlos Eduardo como suspeito, policiais militares foram até o endereço dele, em um condomínio no bairro Bela Vista.

Um Chevrolet Prisma prata associado ao investigado estava estacionado em frente ao condomínio. Segundo o boletim, o motor ainda estava quente, indicando que o veículo havia sido utilizado recentemente.

Os policiais fizeram um cerco ao apartamento após receberem a informação de que o homem poderia estar armado.

A equipe tentou convencê-lo a abrir a porta. Conforme o registro policial, Carlos Eduardo afirmou que o imóvel estava trancado e que não possuía a chave.

Os policiais conseguiram visualizá-lo por uma janela e perceberam que ele estava ferido e coberto de sangue.

A equipe conseguiu retirá-lo do apartamento. Segundo o boletim, o homem não ofereceu resistência.

Revólver calibre .38 foi encontrado no banheiro

Questionado sobre onde estava a arma, Carlos Eduardo teria indicado aos policiais que o revólver estava sobre o gabinete da pia do banheiro.

A equipe encontrou um revólver Taurus calibre .38 com quatro munições deflagradas no tambor.

A arma foi apreendida e encaminhada para perícia. A Polícia Civil também solicitou exame residuográfico nas mãos do investigado, procedimento que pode identificar vestígios relacionados ao disparo de arma de fogo.

Os exames deverão ajudar a esclarecer se a arma apreendida foi utilizada no assassinato de Lívia.

Nome de Lívia foi escrito com sangue no espelho

Um dos elementos mais incomuns encontrados pelos policiais estava no banheiro do apartamento.

Segundo o boletim de ocorrência, havia respingos de sangue no local e o nome de Lívia estava escrito com o dedo no espelho.

O vestígio foi preservado para análise pericial.

A Polícia Científica deverá confrontar os elementos encontrados no apartamento com os vestígios recolhidos no local onde Lívia foi assassinada.

O nome escrito no espelho é tratado como uma evidência dentro da investigação, mas, isoladamente, não permite estabelecer a motivação do crime ou toda a dinâmica dos acontecimentos.

O que foi apreendido no apartamento?

Além do revólver e do Chevrolet Prisma, policiais apreenderam celulares, incluindo um aparelho que pertencia a Lívia e outro relacionado ao investigado.

Também foram recolhidos uma camisa, uma carta manuscrita de duas páginas, datada de 12 de abril de 2026, uma cartela vazia de medicamento e pequenas porções de uma substância com aparência de maconha.

O boletim não divulga o conteúdo da carta e não estabelece, nesta fase, relação entre os objetos e a motivação do feminicídio.

Os materiais deverão ser analisados durante o andamento do inquérito.

Os celulares também poderão conter informações relevantes para a reconstrução da relação entre vítima e investigado e dos momentos que antecederam o crime, respeitando os procedimentos e autorizações legais aplicáveis.

Ex de Lívia ficou internado após se ferir

Após o feminicídio, Carlos Eduardo teria retornado ao próprio apartamento e ferido a si mesmo com um disparo, segundo a narrativa policial.

Ele recebeu atendimento do Samu e foi levado ao Pronto-Socorro Municipal de Pindamonhangaba.

No momento da elaboração do boletim, o investigado estava intubado, sob escolta da Polícia Militar e sem condições clínicas de prestar depoimento.

A Polícia Civil solicitou ao hospital o prontuário e a ficha clínica do homem para inclusão no procedimento.

Mesmo internado, Carlos Eduardo recebeu voz de prisão em flagrante por feminicídio.

Os atos que dependem da participação do preso deverão ocorrer quando houver condições clínicas.

Como denunciar violência contra a mulher?

Em uma situação de risco imediato, a Polícia Militar deve ser acionada pelo 190.

A Central de Atendimento à Mulher, pelo Ligue 180, recebe denúncias e oferece orientação sobre direitos e serviços da rede de proteção.

Familiares, amigos, vizinhos e testemunhas também podem comunicar situações de violência. A vítima não precisa ser necessariamente a pessoa que faz a denúncia.

Medidas protetivas podem estabelecer restrições de aproximação e contato, além de outras determinações impostas pela Justiça de acordo com o risco identificado.

Comentários

Comentários